quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ainda os contos de Fadas...




“...os contos de fada, longe de serem vistos como algo superado ou mero entretenimento infantil, precisam urgentemente ser redescobertos como fonte de conhecimento e de vida... Esta é a função do conto de fadas hoje. Fonte de conhecimento humano, portanto esse tesouro de conhecimento, mítico, simbólico, pleno de arquétipos, que fala do homem e de sua natureza, ao ser transposto para os dias de hoje tem que ser para o resgate do conhecimento neles contidos, além das sempre estimulantes histórias que trazem em seu interior estes conhecimentos.”

Nelly Novaes Coelho – O conto de fadas (1987).

Toda gente conhece pelo menos um conto de fadas. E quantos cresceram a ouvir a Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, A Bela e a Fera… Estarão estas doces memórias ainda vivas na nossa mente? Sabemos, contudo, que os contos de fadas desempenham outros papéis. Eles têm sido profundamente estudados sob diversos prismas, quer do ponto de vista psicológico, educativo ou antropológico.
A fantasia dos contos de fadas é fundamental para o desenvolvimento emocional da criança. É através deles que a criança desenvolve seus sentimentos, e aprende a lidar com suas emoções.
Em A psicanálise dos contos de fadas (1976), o psicanalista austríaco Bruno Bettelheim (1903-1990) argumenta: “os psicanalistas freudianos preocupam-se em mostrar que tipo de material reprimido ou inconsciente está subjacente aos contos de fadas e como esses se relacionam com sonhos e devaneios. Já os junguianos, frisam em acréscimo que as figuras e os acontecimentos dessas histórias estão de acordo com fenômenos arquetípicos, e simbolicamente sugerem a necessidade de se atingir um estado mais elevado de autoconfiança, uma renovação interna conseguida às custas de forças inconscientes que se tornam disponíveis ao indivíduo.”
Os contos clássicos funcionam como instrumento para a descoberta e reconhecimento desses sentimentos dentro da criança, ao ver e ouvir essas histórias, a platéia dá vazão às suas próprias emoções.
Para que uma história desempenhe essa função sobre o expectador, ela deve não só entreter e despertar sua curiosidade, mas para enriquecer sua vida, deve também estimular sua imaginação, ajudá-lo a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas emoções, estar harmonizada com suas ansiedades e aspirações; reconhecer suas dificuldades, e ao mesmo tempo sugerir soluções para os problemas que o perturbam.
Segundo a psicanálise, os significados simbólicos dos contos clássicos estão ligados aos eternos dilemas que o homem enfrenta ao longo de seu amadurecimento emocional.
É durante essa fase que surge a necessidade na criança em defender sua vontade e sua independência em relação ao poder dos pais, ou à rivalidade com colegas de escola e irmãos, os contos possuem elementos que ajudam o infante a identificar e reconhecer as emoções sentidas durante esses processos.
Lembra a psicanálise que a criança é levada a se identificar com o herói bom e belo, mas não devido a sua bondade ou beleza, mas por sentir nele a própria personificação de seus problemas infantis: seu inconsciente desejo de bondade e beleza e principalmente, sua necessidade de confiança e proteção. Pode assim liberar o medo que a inibe, enfrentando os perigos e ameaças que sente à sua volta, alcançando gradativamente o equilíbrio adulto.
Ainda que inconscientemente, as crianças  recolhem o que de melhor possam aproveitar para si. Oportunamente pedem que seus pais lhes contem de novo esta ou aquela história, quando revivem sentimentos que foram trabalhados com o desenrolar da história, ampliando assim os significados apreendidos ou substituindo-os por outros mais eficientes, conforme suas necessidades do momento.
Há significados mais profundos nos contos de fadas do que os que apreendemos na vida adulta. Esse é o conteúdo subjacente ao de entreter de torna os contos de fadas tão interessantes para a criança.
É importante considerar que a maturidade não depende exclusivamente do conhecimento racional oferecido pela maioria das escolas, mas também os sentimentos e a habilidade de lidar com as próprias emoções são parte integrante fundamental da formação da criança.
Ao invés dos sólidos conceitos realistas do conteúdo pedagógico, o conto de fadas trata do que nem sempre pode ser compreendido exclusivamente em termos intelectuais despertando a percepção intuitiva.
O estudo racional, realista e intelectual se desdobrará mais eficientemente tendo como base um psiquismo maduro, nesse ponto os contos de fadas têm importância fundamental já que são a expressão clara do nosso mundo psicológico profundo e despertam sentimentos e valores intuitivos que pedem desenvolvimento assim como pede o desenvolvimento intelectual.
Freud assinala ainda que na fantasia não há tempo estabelecido e lógico. Isso significa que passado presente e futuro se misturam, a localização temporal não é relevante. O cenário das histórias é regido por leis diferentes daquela do nosso mundo cotidiano, num minuto pode-se estar no céu e noutro na terra. Num lugar assim “num tempo antes do tempo, à muitos e muitos anos, num reino muito distante” os seres também são diferentes, anões, fadas, duendes, flautas mágicas, encantos, feitiços, espelhos mágicos, como pode tudo isso existir? Não há explicação razoável para isso. A explicação é a própria história, os significados estão encerrados no próprio conto e fogem do alcance do intelecto, e por esse motivo suscitam o amadurecimento do que não concerne ao campo realista intelectual, mas sim ao universo intuitivo, emocional e psíquico.

 “Para dominar os problemas psicológicos do crescimento – superar decepções narcisistas, dilemas edípicos, rivalidades fraternas, ser capaz de abandonar dependências infantis, obter um sentimento de individualidade e de auto valorização, e um sentido de obrigação moral – a criança necessita entender o que está se passando dentro de seu inconsciente. Ela pode atingir essa compreensão, e com isso a habilidade de lidar com as coisas, não através da compreensão racional da natureza e do conteúdo de seu inconsciente, mas familiarizando-se com ele através de devaneios prolongados – ruminando, reorganizando e fantasiando sobre elementos adequados da história em resposta à pressões inconscientes, o que capacita a lidar com esse conteúdo. É aqui que os contos de fadas têm um valor inigualável, conquanto oferecem novas dimensões à imaginação da criança que ela não poderia descobrir por si só. Ainda mais importante: a forma e a estrutura dos contos de fada sugerem imagens à criança com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida “. (Bettelheim, Bruno – 1976 – A psicanálise dos contos de fadas

Contos de Fadas...

Por trás dos Contos de Fadas
A importância das narrativas no aprendizado e na elaboração do autoconhecimento: uma visão junguiana, sua linguagem simbólica e o arquétipo do herói





REPRODUÇÃO

  Basta sentarmo-nos diante de um grupo, crianças ou adultos, e começarmos com, “Era uma vez...” que rapidamente o silêncio se faz presente, os olhos atentos brilham e os ouvidos apuradíssimos não nos dão nenhum indício de qualquer “Deficit de Atenção”. Isso porque, por meio de reis, rainhas, anões, gigantes, ogros, bruxas ou dragões, saímos do nosso mundo real e entramos num mundo onde tudo é possível.

Neste mundo mágico o que aprendemos não é o saber da sala de aula, o conhecimento teórico, intelectual, mas sim, o saber que nos ensina a lutar contra forças invencíveis, superar nossos medos, buscar nosso conhecimento, enfrentar os desafios, nunca desistir e, dentre tantos outros saberes, a identificar qual a hora certa para agir. Um verdadeiro alimento para nossa alma!
Os contos com suas figuras fantásticas evocam imagens internas em crianças ou adultos; isso porque elas transcendem o campo de visão e o que ela reconhece, nas imagens de mãe ou pai por exemplo, é seu valor simbólico como: colo, carinho, proteção, segurança, alimento, abandono, frustração etc.
“Assim, ao contarmos um conto é como se estabelecessemos uma ponte entre as imagens do conto, as nossas de contador e as do mundo interior da criança.” Jette Bonaventure. Por essa razão, cada vez que contamos um conto para nossas crianças é como se déssemos a elas e a nós mesmos um presente, pois, nesse momento, bem diferente da agitação do dia-a-dia, podemos praticar a vivência de nosso mundo interior.
Jung e a interpretação dos contos
O grande psiquiatra Dr. Carl Gustav Jung observou que certos “temas típicos” que apareciam nos sonhos e nas fantasias de seus pacientes eram repetições de mitos ou de contos de fadas, sem que houvesse qualquer influência cultural exterior causadora de seu aparecimento.
Procurou compreender esses temas oníricos usando o conhecimento da mitologia e assim propôs que essas imagens seriam reações independentes de qualquer tradição cultural e que dessa forma se deveria admitir a existência de elementos mitológicos no psiquismo inconsciente; a esses elementos Jung chamou de arquétipos.
Arquétipos seriam uma disposição estrutural básica presente em todos os seres humanos, como uma forma à espera de complementos que formariam as subestruturas de sentimentos, emoções, fantasias e ações. Segundo Dr. Jung esses temas ou motivos, os arquétipos, são esquemas básicos da psique humana e se encontram no “inconsciente coletivo” – a camada profunda do inconsciente.
Esses temas ou motivos que aparecem nos sonhos, presentes nos contos e mitos e se repetem em todos os tempos e culturas são: a grande Mãe, o Pai, a Criação do Mundo, Nascimento, Herói, Morte, Abandono etc.
Os arquétipos se manifestam por meio das imagens dos contos, sonhos ou mitos, sendo chamadas por Jung de Imagens Arquetípicas. É por meio delas que podemos entrar em contato com os conteúdos do inconsciente e como disse Jung “restabelecer a conexão consciente e inconsciente”, sendo que dessa experiência arquetípica é que ocorre a verdadeira cura da alma. Para que isso aconteça o arquétipo da grande mãe, por exemplo, ao aparecer num conto ou mito como imagem arquetípica tem que ser visto não apenas como um pensamento padrão, mais sim como uma experiência emocional daquele que o ouve ou lê.
Segundo Marie-Louise V. Franz, “só se essa imagem tiver um valor emocional e afetivo para o indivíduo ela poderá ter vida e significação”. Assim, segundo Jung, podem se compilar todas as grandes mães do mundo, que não significará absolutamente nada, caso se deixe de lado a experiência afetiva do indivíduo.
O efeito causado pelos contos é sempre muito positivo; toda magia do conto cria um momento especial de cumplicidade entre as pessoas. Os contos nos dão verdadeiras lições de como resolver problemas complexos da vida. Não é necessário acreditar nos feitos heróicos presentes neles, pois certamente isso não passaria pelo crivo da razão, no entanto isso não impede que atinjam outras camadas, para além do inconsciente.
As histórias falam “da realidade do ser humano, de sua busca, de seus traumas e dificuldades para lidar com pai e mãe, de seus desejos de ser herói, dos monstros que às vezes sente que tem que combater durante sua vida...” Jette Bonaventure. Mitos e contos, segundo Jung, “dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos restabelecendo assim a conexão entre consciente e inconsciente”.


domingo, 25 de novembro de 2012

Contribuições dos Contos de Fadas no Desenvolvimento Infantil

 

      

 

“O bebe necessita de calma para dormir, a criança precisa de uma história e o adulto, muitas vezes, vê-se rodeado de um livro, ou mesmo de um filme, sem o qual não consegue embalar no sono noturno” (RADINO, 2003, p.47).

Segundo Radino (2003), mesmo parecendo terríveis, figuras como bruxas e ogros, por exemplo, podem acalmar a criança no acalanto, pois desvenda questões humanas que todos precisamos elaborar como a separação, a morte, o desamparo (temas muito apresentado em contos e cantigas de ninar).

“O acalanto seria uma forma de exorcizar os maus-espíritos que tentam separar mãe e filho, ajudando ambos a aceitar a inexorável solidão humana. O pedido do acalanto ou do conto antes de adormecer mostra justamente que o sono representa uma separação, em que se libera a mãe para outras atividades”. (RADINO, 2003, p.47).

As crianças muito pequenas ainda não têm condições de abstrair. Muitas vezes, as explicações dadas pelos adultos são incompreensíveis e elas só acharão consolo nos contos de fadas (RADINO, 2003).

Nos contos de fadas e nos mitos são ilustrados, simbolicamente, nossa história interna e nossos conflitos internos (como a rivalidade entre irmãos, por exemplo), sendo que o personagem principal somos nós mesmos (PAVONI, 1989; POSTIC, 1993). Através de uma linguagem fantástica, os contos procuram explicar a existência humana (RADINO, 2003). Segundo Postic (1993), a criança  identifica –se com o herói da história e capta significados a partir de seus interesses e necessidades momentâneas. Radino (2003) fala que os contos mostram à criança muitas questões humanas que ela vivencia, mas não consegue verbalizar. Eles dão forma a desejos da própria criança, aguçando a imaginação e favorecendo para o seu processo de simbolização que, segundo a autora, é de grande importância para a sua inserção no mundo civilizado e cultural. “(...) [A criança] troca de identidade de acordo com os problemas que tem que enfrentar” (POSTIC, 1993, p.20). Os contos de fadas sugerem, de forma simbólica, como convém resolver os conflitos internos (POSTIC, 1993).

Os contos de fadas, bem como os mitos, usam a mesma linguagem que o inconsciente. Pavoni (1989) diz que os contos falam diretamente com a criança, sem conselhos, explicações ou sermões.

“Eles falam ao inconsciente através de imagens, que vão conversar com as bruxas, os monstros, os medos que a estão assustando. Com o auxílio das fadas ou da espada mágica, a criança adquire forças para vencer o que a assusta ou preocupa. Enquanto ela não soluciona seu problema inconsciente, ouve ou lê a história até que o resolve. É esse um dos motivos que leva as crianças a pedirem que lhe contem várias vezes a mesma história”. (PAVONI, 1989: p.19).

Radino (2003) fala que o pedido de contar mais uma vez a história, é uma “forma de a criança apropriar-se de suas emoções e elabora-las” (p.143). Para tanto, a criança reconta várias vezes a mesma história, brinca e a dramatiza. Utilizando o simbolismo das histórias, ela consegue expressar as suas angústias. A criança também sempre terá uma história preferida que remete diretamente a algum conflito importante que esteja passando. Em momentos diferentes, a criança se identifica com determinado personagem, logo que despertada a sua angústia (RADINO, 2003).

Segundo Freud, as crianças identificam-se com os contos de fadas, pois estes desencadeiam temas universais dos seres humanos. Eles transmitem a garantia de sucesso na resolução de problemas das crianças. De acordo com Radino (2003), os contos de fadas são apresentados de forma simbólica, dando base para a assimilação de conflitos internos de acordo com o estágio de desenvolvimento (tanto psicológico, como intelectual) que a criança está passando.

Eis o final feliz, que Battelheim (1980; apud. RADINO, 2003) refere-se como uma realidade interior, pela qual “(...) a criança conseguirá superar seus conflitos e se tornar independente” (p.134-5).

sexta-feira, 16 de novembro de 2012












Histórias podem ajudar  as crianças a lidar com os sentimentos

Quando  ler ou contar uma história que contém sentimentos, o seu filho é ajudado a aceitar seus sentimentos e compreender como os outros sentem. Ele descobre que ele não está sozinho e que outras crianças possam sentir o mesmo que ele faz. Isto ajuda-o a saber que seus sentimentos estão bem.
  • Você também pode saber como seu filho se sente quando você vê-lo responder aos sentimentos na história. Se ele realmente gosta de um livro que pode ser porque ele tem um significado especial para ele e está ajudando-o com seus sentimentos.
Quando você lê uma história para seu filho pode mostrar que  entende como ele se sente.
  • Por exemplo, se você está lendo uma história sobre outra criança (ou animal) que tem medo do escuro, que ajuda o seu filho saber que você entende que é fácil ter medo do escuro quando  se é  jovem.
  • Livros ajudam a lidar com os medos. Livros sobre algo medos seu filho pode ajudar seu filho a lidar com os medos. Ouvir ou ler a história muitas vezes podem ajudar as crianças a gerir os seus medos. Estes, são os livros que você pode precisar de ler uma e outra vez se o seu filho quer que você.

Histórias para ajudar a desenvolver a confiança

Parte da construção de auto-estima e confiança é saber onde você se encaixa no mundo.Histórias contadas por pais e avós sobre a história da família - 'Quando mãe era uma menina "- ajudar a criança a desenvolver esse sentimento de pertença. Isto é ainda mais importante se  veio de outro lugar ou de sua família foi dividida.
Tempo da história especial na hora de dormir pode ajudar seu filho ansioso para ir para a cama, a gostar de estar perto de você e para relaxar, pronto para dormir.
  • Os livros podem ajudar seu filho a escapar por um tempo das tensões e pressões de seu mundo como a história se sua imaginação para outros lugares maravilhosos.
  • O mais importante é o seu filho irá prosperar em passar o tempo consigo.
Ler e contar histórias para o seu filho pode se tornar um tempo de partilha muito especial. Ele ajuda os filhos a aprender a amar os livros e desenvolver um sentido de ser uma pessoa amável. Muitas crianças irão lembrar-se  para o resto de suas vidas,destes momentos de partilha e de afeto.


domingo, 11 de novembro de 2012

Palavras andarilhas...

Fui levar o testemunho das palavras Andarilhas à Gruta da Moeda, onde fui recebida pela Carla, animadora e guia das Grutas da Moeda.
Um público sénior partilhou  lendas e histórias de encantar... as palavras soaram como uma melodia de sonhar.
Obrigada por tudo.




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