quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Uma história sobre a importância das palavras…

Quando as palavras …soltam magia

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Era uma vez… uma menina que adorava saborear as palavras, adorava cada palavra que soltava da sua boca, como se fosse o néctar dos Deuses

O que esta menina mais gostava de fazer no mundo, era poder ouvir as pessoas a falarem e a conversarem pelas ruas, pois soava-lhe como uma autêntica melodia celestial

Mas, ultimamente, as melodias pareciam discos riscados, a sonoridade e a beleza das palavras tinha desaparecido. Assim, a menina passou a sair à rua com algodão nos ouvidos, não fossem as palavras entrarem pelos ouvidos dentro, como um pelotão de assalto.

Seja por que as palavras se andavam a sentir sós, seja por brincadeira, as palavras passaram a meter-se com ela.

Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeee, o que se anda a passar, com as letras deste mundo? – Não me deixam em paz?

Lá estavam as letras a trepar por ela cima a fazer-lhe cócegas na barriga, e atrás das orelhas.

- Parem, que eu ainda faço chichi pelas pernas abaixo!

Sabem, é que esta menina tinha um poder especial, ela conseguia perceber quando as pessoas deitavam as palavras pela boca fora, sem as usar com carinho e afeto.

Um dia, ela fartou-se de dar  chutos e tropeçar  nas letras que andavam pelo chão … às vezes ficava com o pé preso no X, outras vezes, levava com o R nas canelas, o pior  mesmo, era quando o I se prendia nos sapatos  e soltava-se um som horripilante…IIIIIIIIIII. As pessoas não paravam de olhar para ela  e tapavam os ouvidos.

-Menina veja lá se muda de sapatos, que esses fazem um barulho insuportável.

Ela ficava vermelha com um tomate e batia com os pés no chão e para ver se o I se soltava da sola.

Certo dia, a menina fartou-se de ver as palavras espalhadas pelo chão e pediu à mãe:

- Mamã arranjas-me um saquinho de pano, tens cá em casa algum?

-Tenho um lindo, que usava quando era da tua idade, sabes foi-me dado para uma tarefa especial, acho até que é mágico!

A menina ficou tão contente, finalmente ia deixar de tropeçar nas letras, agora ia apanhá-las e guardá-las no saquinho mágico.

No dia seguinte, parecia que as pessoas tinham-se fartado de deitar” palavras da boca para fora”, a rua estava cheia de letras amarfanhadas e zangadas. Com muito cuidado, a menina apanhou-as  e colocou-as no saquinho.

As letras estavam agora aconchegadas no saco ,  muito satisfeitas com o conforto e aconchego que sentiam.

Quando a menina chegou a casa, foi abrindo o saco com muito carinho e de lá de dentro soltaram-se palavras Maravilhosas…

Obrigado, Maravilha,Carinho, Amor, Ternura , Amizade, Compreensão, Solidariedade e muito mais.

Foi então, que  a menina percebeu o que as letras lhe estavam a dizer, assobiou para elas e disse-lhes:

- Venham comigo, tenho uma ideia super especial.

As letras enfiaram-se no saco e a menina correu para a rua e  gritou:

- Com a ajuda do poder da magia  do universo, faz com que cada palavra que não seja sentida e verdadeira se transforme em pedra.

Bem… o dia tornou-se complicado, de repente as pessoas começaram a soltar pedras e pedras pela boca. Ficaram tão assustadas,  que  começaram a culpar-se  umas às  outras. Bem, era cada pedrada que as cabeças já estavam cheias de galos e galarós.

Esta maluquice durou, até que a menina com um megafone gigante disse:

- Que tal experimentarem soltar palavras vindas do coração, com sinceridade e amor!

Primeiro, voltaram a zaragatear, mas os galos já eram tantos, que acharam melhor, experimentar.

Foi verdadeiramente fantástico… as palavras que se criaram no ar, juntamente com elas soltaram-se corações, estrelas e milhares de pozinhos mágicos, que foram curando a dor física e a dor da alma

Agora, meus meninos e meninas, o saquinho voltou a ficar guardado, não vá ser preciso um dia destes ...

Escrito por: Vanda Furtado Marques

domingo, 23 de dezembro de 2012

Simplicidade cresce no interior ….ali juntinho ao coração.

"A simplicidade cresce no interior de quem não se coloca acima do próximo".

  Atualmente há quem confunda simplicidade com alguma estupidez natural, ou com ausência de objectivos...não há nada de mais errado, ser simples é viver de acordo com os seus valores e ideais, indo até ao fim por eles, ser simples é valorizar o pormenor, estar perto de quem é realmente importante e ajudar o próximo de forma desinteressada.

  Porém a intoxicação informativa vai criando um lixo psicológico nas nossas mentes, que nos impede de ver e valorizar o que realmente importante e simples( apreciar o pôr-do-sol, a brisa do vento, o chilrear dos pássaros, o riso das crianças).

Ser simples é optar por ouvir  o nosso coração, é não seguir o caminho mais fácil, mas aquele que vai ao encontro dos nossos ideais, é ser solidário e  arrumar  o egocentrismo na gaveta.

Simples, são as crianças, que nos dizem coisas de encantar...

Conversa numa Escola Básica no Porto:

Estava a contar às crianças que tinha vindo de Alcobaça e que não podia estar ali mais tempo a contar histórias, pois ainda tinha uma viajem muito grande para fazer, quando uma criança me questionou:

Então mas tu não vieste de varinha mágica? agora é só fazeres perlimpimpim e voltas para casa...

Para as crianças é tudo tão simples, "descomplicado" e  mágico...é  por isso eu gosto tanto de aprender e conversar com elas.

Para ti…

Enquanto houver estrelas no céu…

 

Enquanto houver estrelas no céu,
há lugares secretos e só nossos.

Enquanto houver estrelas no céu,
há novelos gigantes que ligam os nossos corações e os mantém tricotados.

Enquanto houver estrelas no céu,
há luzinhas que nos aquecem e nos fazem sonhar.

Vanda Furtado Marques

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