quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Fadas no Divã

Deixo-vos aqui um excerto do livro: “Fadas no Divã” de Diana e Mário Cors.
Reforça a importância e o poder que as histórias têm sobre nós

“As histórias não garantem a felicidade nem o sucesso na vida, mas ajudam. Elas são como exemplos, metáforas que ilustram diferentes modos de pensar e ver a realidade e, quanto mais variadas e extraordinárias forem as situações que elas contam, mais se ampliará a gama de abordagens possíveis para os problemas que nos afligem. Um grande acervo de narrativas é como uma boa caixa de ferramentas, na qual sempre temos o instrumento certo para a operação necessária, pois determinados consertos ou instalações só poderão ser realizados se tivermos a broca, o alicate ou a chave de fenda adequados. Além disso, com essas ferramentas podemos também criar, construir e transformar os objetos e os lugares.

Uma mente mais rica possibilita que sejamos flexíveis emocionalmente, capazes de reagir adequadamente a situações difíceis, assim como criar soluções para nossos impasses. Certamente essas qualidades dependem de que tenhamos recebido um suporte adequado na infância, ou seja, uma família que nos ofereceu a proteção e o estímulo necessários para crescer, um nome e uma missão na vida. Porém, independente do quanto nossa família tenha nos providenciado um bom acervo emocional, os problemas, as dúvidas e as exigências surgirão, como uma esfinge devoradora que se interpõe no caminho. Bem, essa é a hora em que uma boa caixa de histórias é de grande valia.

Por acreditar no poder da fantasia, nos lançamos na tarefa de refletir sobre o que as histórias antigas, que ainda são narradas, e as novas, que surgiram modeladas por valores contemporâneos, têm a dizer às pessoas que recorrem a elas. Supusemos que há uma relação pragmática com a ficção, usamos o que nos é útil. Porém, essa utilidade não depende de mensagens diretas, pois, se esse fosse o caso, apenas se consumiriam livros de auto-ajuda e manuais variados, o que felizmente não é verdade. Muitos adultos caem nessa cilada, fato que somente os torna mais pobres de espírito, na medida em que esse tipo de leitura não os alivia das obsessões, nem os livra de suas ruminações labirínticas.

Por sorte, as crianças são muito mais espertas, elas são adeptas irrestritas da ficção e quanto mais mágica, onírica, radical e absurda, melhor. Pode-se também traçar um paralelo interessante com a poesia, através da qual as palavras se tornam ferramentas polivalentes. Crianças adoram trocadilhos, rimas divertidas, sentidos surpreendentes e humor, e é nisso que as julgamos sábias, pois o domínio da língua flexibiliza o entendimento da realidade e faz nosso pensamento mais versátil e ágil. Enfim, é uma sorte que na mesma época em que estamos em formação, arrumando as malas que conterão os fundamentos que vamos levar na viagem pela vida afora, sejamos consumidores vorazes de ficção”.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Quero mais surpresas destas!

Ontem ia buscar a minha Luisinha ao Centro Paroquial de Turquel, quando deparo com a turminha dela, no local dos contos. Estava a minha filhota com o livro “A Fonte da Senhora” a fazer de mãe, achei uma delícia.

Só que os meninos quando me viram, pediram: - Vanda, conta-nos a história!

Como podia eu resistir? Sentei-me  e deliciei-me a contar a Lenda da Fonte da Senhora.

Venham mais surpresas destas… que eu adoro.

Ah! e obrigado à Aurea (grande contadora de histórias) pela foto-reportagem.

“O amor de Pedro e Inês” no Brasil

Conheci pela net, uma contadora de histórias brasileira, Eliana Cavalcanti e acabamos por partilhar material.

Eu enviei-lhe o meu livro “O Amor de Pedro e Inês”, dizendo-lhe que era uma das mais belas histórias portuguesas.

Eis a Resposta carinhosa e emocionada da Eliana:

“Olá VANDA, recebi ontem o livro que você me enviou:
"O AMOR DE PEDRO E INÊS" o livro é simplesmente maravilhoso! AMEI!
(...) É apaixonante... E fato de os personagens terem vivido ainda que num tempo distante do nosso, reforça a veracidade da história...
A ilustração é MAGNÍFICA!!! Os cenários, feitos a partir de papéis "rasgados" inclusive as cortinas, dão um toque mais que especial na obra.
Achei extremamente criativo o uso de uma coroa ou grinalda de junco enfeitada com flores... Simboliza de maneira sutil e carinhosa a verdadeira coroa que Pedro gostaria de ter tido a oportunidade de colocar em sua amada.
Ainda teve todo aquele empenho em fazer para ela um sepultura tão bela como jamais havia sido vista até então...
Também o fato de ele não ter se rebelado e se tornado um mal rei, é muito comovente: FOI UM GRANDE E JUSTO REI... MUITO AMADO POR SEU POVO.
A "morte" para PEDRO, não era algo de que se devia temer... Ao contrário disso, ele a ansiava, esperava por ela dia após dia. Vivia sim. Se mostrava alegre mesmo tendo o coração contrito e esperançoso pelo reencontro com sua amada ALÉM DA VIDA...”

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Contos de Fadas III

Eu valorizo muito os contos de fadas, devido à sua riqueza metafórica, simbólica e essencialmente a sua força espiritual e moral.

Os contos de Fadas:

  • Podem contar ou não com a presença de fadas, mas fazem uso de magia e encantamentos;
  • Seu núcleo problemático é existencial (o herói ou a heroína buscam a realização pessoal);
  • Os obstáculos ou provas constituem-se num verdadeiro ritual de iniciação para o herói ou heroína;

A palavra portuguesa "Fada" vem do latim Fatum (destino, fatalidade, fado etc). O termo reflete-se nos idiomas das principais nações européias: fée em francês, fairy em, fata em italiano, Fee em alemão e hada em espanhol.
Por analogia, os "contos de fadas" são denominados conte de fées na França, fairy tale na Inglaterra, cuento de hadas na Espanha e racconto di fata na Itália. Na Alemanha, até o século XVIII era utilizada a expressão Feenmärchen, sendo substituída por Märchen ("narrativa popular", "história fantasiosa") depois do trabalho dos Irmãos Grimm.
No Brasil e em Portugal, os contos de fadas, na forma como são hoje conhecidos, surgiram em fins do século XIX sob o nome de contos da carochinha. Esta denominação foi substituída por "contos de fadas" no século XX.

Algumas histórias tratam de temas que fazem parte da tradição de muitos povos e apresentam soluções para problemas universais, pois funcionam como válvula de escape e permitem que a criança vivencie seus problemas psicológicos de modo simbólico, saindo mais feliz dessa experiência.
A obra de Bettelheim (2001) foi “a pedra fundamental” da produção psicanalítica sobre os Contos de Fadas, ensinando-nos os mecanismos de sua eficácia na vida das crianças – eficácia observada a partir do diálogo da criança com aquelas histórias que lhe agradam.
De acordo com Corso (2006), retomando aspecto já destacado por Betttelheim, essas histórias oferecem soluções para possíveis conflitos e transmitem a mensagem de que a luta contra as dificuldades e os medos é inevitável, mas a vitória é possível.

Segundo Bettelheim (2001), os Contos de Fadas abordam – tendo como base o elemento fantástico - problemas interiores dos seres humanos e apresentam soluções válidas para qualquer sociedade, contribuindo para formar a personalidade e atuando significativamente no desenvolvimento emocional infantil. A criança aumenta seu repertório de conhecimentos sobre o mundo e transfere para os personagens seus principais dramas.

Para Corso (2006), o simbólico apresentado nas histórias infantis possui importância fundamental, pois expressa anseios humanos tais como: encontro e desencontro, angústia, medo, tristeza, alegria, amor e dor. O sentido da vida começa a ser traçado quando ainda a única linguagem entendida pela criança, é a do afecto. Deste modo, crianças sensibilizadas desde cedo para o universo da linguagem e para a utilização da capacidade simbólica tornam-se pessoas com um sentido de vida verdadeiro, capazes de lançar para o mundo um olhar de doação, generosidade e transformação.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A simbologia nos Contos Infantis

Contos de Fadas, mitos, lendas e fábulas, são temas que mexem com o nosso interior. Muitas vezes, estas histórias estão cheias de simbologia, que nos vão ajudar a resolver problemas no nosso eu.

Castelo” Introspecção ao nosso mundo interior; busca de autoconhecimento;

Espelho mágico” Símbolo do conhecimento e da sabedoria é o instrumento da iluminação; simboliza também o coração do iniciado;

Floresta” Símbolo do inconsciente, pela obscuridade e pelo enraizamento profundo;

Relógio” Ligado ao simbolismo do tempo e ao ciclo da vida;

Castiçal” Símbolo de luz espiritual, de semente de vida e de salvação;

Pai” Ligado ao simbolismo da dominação, da posse, do valor, é uma forma de representação da autoridade; representa a consciência diante dos impulsos instintivos e dos desejos espontâneos do inconsciente;

“Lobo” Imagem inciática e arquetípica cujo simbolismo está ligado ao fenômeno de alternância dia-noite, mortevida; também simboliza a sexualidade instintiva.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Como os contos são importantes…

 

“O conto é um espelho mágico no qual somos convidados a mergulhar, a fim de nos reconhecermos.

Não no sentido de nos afogarmos numa auto-contemplação estéril, como Narciso, mas antes no de nos observarmos tal e qual somos, para além das aparências.”

Marilene Tavares de Almeida

A importância do Maravilhoso nas histórias infantis

“Nos seus primórdios, a Literatura foi essencialmente fantástica.

Nessa época era inacessível à humanidade o conhecimento científico dos fenômenos da vida natural ou humana, assim sendo o pensamento mágico dominava em lugar da lógica que conhecemos.

A essa fase mágica, e já revelando preocupação crítica às relações humanas ao nível do social, correspondem as fábulas.
Compreende-se, pois, porque essa literatura arcaica acabou se transformando em Literatura Infantil: a natureza mágica de sua matéria atrai espontaneamente as crianças.

A literatura fantasista foi a forma privilegiada da Literatura Infantil, desde seus primórdios (sec. VII), até a entrada do Romantismo, quando o maravilhoso dos contos populares é definitivamente incorporado ao seu acervo (pelo trabalho dos Irmãos Grimm, na Alemanha; de Hans Christian Andersen, na Dinamarca; Garret e Herculano em Portugal; etc.)

Considera-se como Maravilhoso todas as situações que ocorrem fora do nosso entendimento da dicotomia espaço/tempo ou realizada em local vago ou indeterminado na terra.
Tais fenómenos não obedecem às leis naturais que regem o planeta.

O Maravilhoso sempre foi e continua sendo um dos elementos mais importantes na literatura destinada às crianças. Através do prazer ou das emoções que as estórias lhes proporcionam, o simbolismo que está implícito nas tramas e personagens vai agir em seu inconsciente, actuando pouco a pouco para ajudar a resolver os conflitos interiores normais nessa fase da vida.

A Psicanálise afirma que os significados simbólicos dos contos maravilhosos estão ligados aos eternos dilemas que o homem enfrenta ao longo de seu amadurecimento emocional.
É durante essa fase que surge a necessidade da criança em defender sua vontade e sua independência em relação ao poder dos pais ou à rivalidade com os irmãos ou amigos.

É nesse sentido que a Literatura Infantil e, principalmente, os contos de fadas podem ser decisivos para a formação da criança em relação a si mesma e ao mundo à sua volta.
O maniqueísmo que divide as personagens em boas e más, belas ou feias, poderosas ou fracas, etc. facilita à criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou convívio social.
Tal dicotomia, se transmitida atravás de uma linguagem simbólica, e durante a infância, não será prejudicial à formação de sua consciência ética.”

retirado do blog: www.graudez.com.br

sábado, 5 de dezembro de 2009

Momentos Especiais

Mais uns momentos mágicos com as crianças e os papás e as Lendas da nossa História vão encantando quem as ouve; D. Fuas e a Padeira são duas figuras muito cativantes para as crianças.
Obrigado criançada e também aos pais que me tem apoiado, nesta aventura de levar a nossa História de Portugal aos pequenitos.

Que ternura!

Adorei estes azulejos. São lindooos!!!!!

Atelier * Av. 15 de Agosto-112 - Alvarinhos, na estrada Sintra - Ericeira
Sara Teixeira: sarat.lua@gmail.com

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Recomendo-vos o último livro da minha mãe

 

A minha paixão pela escrita já nasceu com a família.

A minha mãe, Maria Zulmira Albuqerque Furtado Marques é escritora e investigadora na área da História de Portugal.

Já publicou onze livros, que nos ajudam a desvendar a história do Mosteiro de Alcobaça e a sua ligação à História de Portugal.

Recomendo-vos a leitura do seu último livro:

“O Mosteiro de Alcobaça e a Dinastia de Bragança”.

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