sexta-feira, 25 de março de 2016

A Senhora amargura...

A Senhora que era tão amarga…




    Era uma vez… uma senhora que era  tão amarga, que quando falava arrepiava os cabelos de quem a  ouvia,  e se houvesse leite por perto, até ele azedava.
Esta senhora amarga viva sozinha no seu grande e escuro casarão, não havia marido, nem cão, nem gato, nem periquito, nem peixe que  aguentassem tanta amargura.
As pessoas evitavam cruzar-se com ela, pois já sabiam que da sua  boca só se soltavam palavras de rancor e azedume.Ela, pelo contrário, adorava dar dois dedos de conversa,pois sentia-se crescer , crescer, até se tornar um gigante que espezinhava o anãozinho.
Esta senhora alimentava-se do mal que fazia aos outros… achava até que tinha semelhanças com a Rainha má da Branca de Neve..
Um dia, um grupo de crianças entrou no seu jardim, queriam ver como era a senhora azeda…Assim, que a senhora amarga as viu, decidiu fazer das suas, e mandou-as entrar.
As crianças entraram com algum receio, mas a senhora amarga tinha um ar tão normal, que aceitaram o convite. Foi então, que a amargura que estava presa no seu coração azedo, começou a vir à tona, numa velocidade alucinante. As crianças começaram a ser bombardeadas com tanta amargura, que os  cabelos se arrepiaram, um frio gelado percorreu-lhes as costas, a língua encaracolou-se, os ouvidos colaram-se… era uma sensação tão assustadora que fugiram a sete pés.
Durante uns tempos, não se falava noutra coisa lá na vila…coitadas daquelas crianças!
A população reuniu-se e decidiu que tinha de ajudar a senhora amarga a tornar-se doce e calorosa.  Para isso, nada melhor que pedir a senhora doçuras para ter uma conversa com a senhora amarguras.
A população estava ansiosa, para ver os resultados da conversa, e por isso decidiram juntar-se no portão do casarão amargo. A senhora doçuras armou-se das mais doces atitudes, dos mais doces gestos, das mais doces palavras e entrou decidida pelo jardim. Bateu à porta e logo uma voz estridente disse:
- Entre, mas já sabe que não é  bem-vinda, nem vou fazer o mínimo de esforço para a ouvir.
A senhora doçuras, nem recuou, pois a amargura só surge em corações tristes e desamparados.
- Muito obrigado por me receber, será que podíamos conversar  um pouco, beber um chá e comer uns bolinhos doces?
Logo, a senhora amarga, voltou disparar a sua amargura.
- Se quiser beber leite azedo e comer bolos de vinagre, pode entrar, é só isso que eu  tenho para lhe dar!
A senhora doçuras sorriu e deu um abraço caloroso à senhora amarga, falou-lhe de como é bom ser doce, de como as pessoas sorriem e abrem o seu coração… de como os animais se aninham no colo, de como as crianças olham para nós com um brilhozinho nos olhos e com amor no coração … e blá blá blá.
A senhora amarga, nunca tinha visto o lado doce da vida, nunca ninguém lhe tinha ensinado.
Mas a partir daquele dia, percebeu que a amargura não servia para nada… a doçura sim!… pode ser tão contagiosa que pode mudar o mundo .
Por isso por mais senhoras amarguras que encontrar pelo caminho lembre-se que a doçura tudo vence,
Vanda 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Mãe...conta me uma história
 










  Contar uma história é uma forma indireta de  comunicar com a criança. É muito menos invasiva do que dizer “Agora vamos falar as razões dos conflitos com os teus colegas de escola…” ou “Por que  tens ciúmes da tua irmã…”
Uma história terapêutica fala dos problemas emocionais da criança, mas dentro do domínio da imaginação e não dentro do domínio da cognição. E não é por acaso que no meio a tantos contos, a criança  identifica-se com um, e pede para a mãe repetir incansavelmente a mesma história ou parte dela.

sábado, 24 de agosto de 2013

Bolinhos de Coragem

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Nós  devemos dar ferramentas psicológicas e espirituais às crianças, para lhes permitir encontrar um refúgio seguro num mundo cheio de incertezas.
Através da palavra e do exemplo podemos demonstrar às crianças, os poderes do amor reconfortante, ensinando-lhe  que podemos   transformar o medo e as preocupações, em optimismo e confiança.
Sempre que as crianças mostrem medos e inseguranças,  podemos fazer com eles uns bolinhos de coragem.
Qualquer receita serve, a envolvência é que tem de ser preparada.  Enquanto faz os bolinhos de coragem, pode contar aos seus filhos que também já teve medos, mas que tal como eles, também os conseguiu ultrapassar, explicar-lhe que quando  os medos vêem,   pensem nos sons da natureza, nos amigos e  família, estes pensamentos vão aquecer-lhe o coração. Pode também ensinar a criança a conversar com ela própria acerca dos seus medos e a chegar a conclusão:
-Eu vou conseguir ! eu sou sábia e corajosa.
Entretanto, os bolinhos serviram de mote de conversa, sem lhes parecer uma conversa chata  de adultos.
Depois, divirtam-se a comer os bolinhos de coragem… 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Venha ter connosco.... o castelo de Alcobaça espera por si....




segunda-feira, 25 de março de 2013


                                                 Samuel, o cultivador de estrelas









   Era uma vez… há tantos, tantos anos que não haviam estrelas no céu, a noite era escura como o breu… mas havia alguém que não se amedrontava com a escuridão e caminhava sobre a terra com uma enorme sacola de serapilheira, largando umas pequenas estrelas sobre a terra.
  Samuel, assim se chamava este homem, todas as noites, recolhia as estrelas que insistiam em cair do céu, guardava-as na sua sacola e lançava as à terra, tal como fazia com as sementes de trigo. Regava-as com muito carinho, e todos os dias olhava para a terra ansioso, para ver se as estrelas cresciam …
Samuel achava que as estrelas caíam do céu, porque eram muito pequeninas, precisavam do amparo da Mãe-Terra. Só, que dia para dia Samuel desiludia-se, o trigo crescia viçoso, mas as estrelas não desabrochavam.
Ainda questionou o ancião, lá da aldeia, mas de imediato ele respondeu que de estrelas não percebia nem um pouco. Aconselhou-o a falar com a grande feiticeira do Norte, pois de estrelas, ninguém percebia tanto quanto ela.
Quando Samuel estava para partir, a ancião sussurrou em jeito de aviso:
- Como a noite é escura e há por aí uns diabretes endiabrados, abriga-te sempre da escuridão, caminha sempre com a luz do sol no horizonte.
Samuel seguiu à risca o aviso do sábio aldeão, mas mesmo assim, ainda apanhou uns enormes sustos, pois  mal caia a noite,  os diabretes andavam pela terra a pregar sustos a quem se cruzava com eles. Não é que eles fossem muito assustadores eram vermelhos gordos e barrigudos, mas surgiam em bandos e soltavam umas risadas diabólicas, que até faziam tremer a barriga por dentro.
Após, quatro dias de caminho, Samuel avistou um castelo encarrapitado num alto de um monte escarpado, e pela descrição que tinha ouvido, teve quase a certeza que era ali que vivia a feiticeira do Norte.
Pedregulho, a pedregulho, subiu até ao castelo, à medida que este se tornava mais nítido, fazia lembrar um daqueles castelos de areia, que nós fazemos em pequeninos beira- mar.
Assim, que ficou defronte do castelo, uma enorme porta coberta de musgo e madeiras entrelaçadas, esperava-o entreaberta. Samuel achou melhor bater à porta e esperar …que qualquer coisa acontecesse. Do outro lado, uma voz cansada e trémula, disse:
- Ennnntraaa, Samuel, a porta está aberta!
Uma mulher envelhecida pelo tempo e com uns crespos cabelos brancos, recebeu-o com um olhar doce e sorridente:
- Já sei do teu excelente trabalho e do carinho com que apanhas as estrelas caídas do céu e as cultivas carinhosamente na terra fértil.
- Pois é minha feiticeira, mas apesar do meu carinho e persistência as estrelas não crescem, nem vão para os céus, e a noite continua escura como o breu.
- Sabes, Samuel, as estrelas são feitas da mesma matéria e da mesma essência que nós, humanos!
- Verdade! Ora essa… é que eu nunca tinha ouvido, então nós somos feitos de pó das estrelas?
- Sim, e agora pensa Samuel, o que nós precisamos para crescer? Para seguir o nosso caminho?
O Samuel ficou aflito com a pergunta, mas logo lhe vieram à memória imagens da sua infância, onde mãe o acarinhava ao seu colo e lhe dizia as palavras mais ternas do mundo.
- Já sei!.. Feiticeira, já sei! as estrelas precisam de carinho, afeto, e de ouvir palavras de amor.
- Eu sabia, Samuel, por isso te escolhi a ti para seres o semeador de estrelas. Corre para a tua aldeia e inicia o milagre do nascimento das estrelas.
Samuel despediu-se e percorreu o seu caminho apressadamente, estava ansioso, para chegar a casa. Desta vez nem os diabretes o assustaram e caminhou dia e noite.
  Quando finalmente chegou à aldeia, apanhou as estrelas caídas, acarinhou-as entre as suas mãos calejadas pelo trabalho, contou-lhes histórias de encantar, beijou-as, disse-lhes palavras de amor, abraçou-as e esperou pelo milagre…
  Foi verdadeiramente maravilhoso e indescritível ver as estrelas a desabrocharem da Mãe-Terra, subindo magicamente em anéis espiralados, como se fossem estrelas bailarinas. 
Nessa noite, e em todas as outras que se seguiram, nunca mais o breu da noite se viu, e Samuel ia fazendo a sua tarefa, até que as estrelas deixaram de cair do céu.
As estrelas sabiam agora, que os Homens as admiravam… e que nunca as iam deixar de amar.
Afinal, somo todos, parte do universo e feitos da mesma matéria. 

Samuel, o cultivador de estrelas








   Era uma vez… há tantos, tantos anos que não haviam estrelas no céu, a noite era escura como o breu… mas havia alguém que não se amedrontava com a escuridão e caminhava sobre a terra com uma enorme sacola de sarapilheira, largando umas pequenas estrelas sobre a terra.
  Samuel, assim se chamava este homem, todas as noites, recolhia as estrelas que insistiam em cair do céu, guardava-as na sua sacola e lançava as à terra, tal como fazia com as sementes de trigo. Regava-as com muito carinho, e todos os dias olhava para a terra ansioso, para ver se as estrelas cresciam …
Samuel achava que as estrelas caíam do céu, porque eram muito pequeninas, precisavam do amparo da Mãe-Terra. Só, que dia para dia Samuel desiludia-se, o trigo crescia viçoso, mas as estrelas não desabrochavam.
Ainda questionou o ancião, lá da aldeia, mas de imediato ele respondeu que de estrelas não percebia nem um pouco. Aconselhou-o a falar com a grande feiticeira do Norte, pois de estrelas, ninguém percebia tanto quanto ela.
Quando Samuel estava para partir, a ancião sussurrou em jeito de aviso:
- Como a noite é escura e há por aí uns diabretes endiabrados, abriga-te sempre da escuridão, caminha sempre com a luz do sol no horizonte.
Samuel seguiu à risca o aviso do sábio aldeão, mas mesmo assim, ainda apanhou uns enormes sustos, pois  mal caia a noite,  os diabretes andavam pela terra a pregar sustos a quem se cruzava com eles. Não é que eles fossem muito assustadores eram vermelhos gordos e barrigudos, mas surgiam em bandos e soltavam umas risadas diabólicas, que até faziam tremer a barriga por dentro.
Após, quatro dias de caminho, Samuel avistou um castelo encarrapitado num alto de um monte escarpado, e pela descrição que tinha ouvido, teve quase a certeza que era ali que vivia a feiticeira do Norte.
Pedregulho, a pedregulho, subiu até ao castelo, à medida que este se tornava mais nítido, fazia lembrar um daqueles castelos de areia, que nós fazemos em pequeninos beira- mar.
Assim, que ficou defronte do castelo, uma enorme porta coberta de musgo e madeiras entrelaçadas, esperava-o entreaberta. Samuel achou melhor bater à porta e esperar …que qualquer coisa acontecesse. Do outro lado, uma voz cansada e trémula, disse:
- Ennnntraaa, Samuel, a porta está aberta!
Uma mulher envelhecida pelo tempo e com uns crespos cabelos brancos, recebeu-o com um olhar doce e sorridente:
- Já sei do teu excelente trabalho e do carinho com que apanhas as estrelas caídas do céu e as cultivas carinhosamente na terra fértil.
- Pois é minha feiticeira, mas apesar do meu carinho e persistência as estrelas não crescem, nem vão para os céus, e a noite continua escura como o breu.
- Sabes, Samuel, as estrelas são feitas da mesma matéria e da mesma essência que nós, humanos!
- Verdade! Ora essa… é que eu nunca tinha ouvido, então nós somos feitos de pó das estrelas?
- Sim, e agora pensa Samuel, o que nós precisamos para crescer? Para seguir o nosso caminho?
O Samuel ficou aflito com a pergunta, mas logo lhe vieram à memória imagens da sua infância, onde mãe o acarinhava ao seu colo e lhe dizia as palavras mais ternas do mundo.
- Já sei!.. Feiticeira, já sei! as estrelas precisam de carinho, afeto, e de ouvir palavras de amor.
- Eu sabia, Samuel, por isso te escolhi a ti para seres o semeador de estrelas. Corre para a tua aldeia e inicia o milagre do nascimento das estrelas.
Samuel despediu-se e percorreu o seu caminho apressadamente, estava ansioso, para chegar a casa. Desta vez nem os diabretes o assustaram e caminhou dia e noite.
  Quando finalmente chegou à aldeia, apanhou as estrelas caídas, acarinhou-as entre as suas mãos calejadas pelo trabalho, contou-lhes histórias de encantar, beijou-as, disse-lhes palavras de amor, abraçou-as e esperou pelo milagre…
  Foi verdadeiramente maravilhoso e indescritível ver as estrelas a desabrocharem da Mãe-Terra, subindo magicamente em anéis espiralados, como se fossem estrelas bailarinas. 
Nessa noite, e em todas as outras que se seguiram, nunca mais o breu da noite se viu, e Samuel ia fazendo a sua tarefa, até que as estrelas deixaram de cair do céu.
As estrelas sabiam agora, que os Homens as admiravam… e que nunca as iam deixar de amar.
Afinal, somo todos, parte do universo e feitos da mesma matéria. 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Afetos....



 Afetos... olha-me nos olhos





Os afectos são de uma importância crucial na nossa vida. Desde bebés que o elo com os nossos pais/educadores, se concretiza através do toque, do carinho que nos é transmitido. Tudo isto tem um reflexo enorme na vida adulta. Muitas vezes encontramos pessoas excelentes, mas que não sabem transmitir o seu amor.
"Isto tudo resulta de situações familiares complexas, famílias monoparentais, vivências difíceis, etc. Hoje em dia a instituição “Família”, tem outras características. Quando somos crianças, temos de ter mesmo atenção (muitas vezes forçada), porque é necessário, educar, orientar, criar valores, entre muitas coisas. A partir da adolescência, muitos pais/educadores “libertam” os filhos cedo demais, lançam-nos “às feras”, sem que muitos adolescentes estejam ainda preparados para as enfrentar. Ou então acontece o contrário e os filhos na fase adulta, não sabem como resolver os seus problemas, nem viver com contrariedades. Sentem-se perdidos."
Sem dúvida que o mundo mudou e mudou para um deserto dos afetos . Hoje vive-se a lei do medo, da insegurança, do domínio sobre o outro, da tecnologia . As pessoas andam demasiado ocupadas com o trabalho, a vida social, a aparência de mostrar o que não são e não se preocupam com os outros. Devido à nova ordem mundial, em que o trabalho ocupa muito tempo do nosso dia, é-nos exigido muito, de tal forma que quando chegamos a casa, estamos esgotados . Acabamos  por não ter tempo para a família, nem para nós mesmos... já estamos a criar outro deserto de afetos... Mas, por outro lado, a tecnologia ocupa na nossa vida um lugar cada vez mais importante. Hoje comunicamos através do telemóvel, do computador, das redes sociais. Não há toque, não há contacto olhos nos olhos... 

Eu não me permito viver neste deserto de afetos... eu quero olhar nos olhos , agradecer a todos que fazem parte da minha vida e  sorrir para quem se cruza comigo...
beijinhos doces
Vanda

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Uma história sobre a importância das palavras…

Quando as palavras …soltam magia

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Era uma vez… uma menina que adorava saborear as palavras, adorava cada palavra que soltava da sua boca, como se fosse o néctar dos Deuses

O que esta menina mais gostava de fazer no mundo, era poder ouvir as pessoas a falarem e a conversarem pelas ruas, pois soava-lhe como uma autêntica melodia celestial

Mas, ultimamente, as melodias pareciam discos riscados, a sonoridade e a beleza das palavras tinha desaparecido. Assim, a menina passou a sair à rua com algodão nos ouvidos, não fossem as palavras entrarem pelos ouvidos dentro, como um pelotão de assalto.

Seja por que as palavras se andavam a sentir sós, seja por brincadeira, as palavras passaram a meter-se com ela.

Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeee, o que se anda a passar, com as letras deste mundo? – Não me deixam em paz?

Lá estavam as letras a trepar por ela cima a fazer-lhe cócegas na barriga, e atrás das orelhas.

- Parem, que eu ainda faço chichi pelas pernas abaixo!

Sabem, é que esta menina tinha um poder especial, ela conseguia perceber quando as pessoas deitavam as palavras pela boca fora, sem as usar com carinho e afeto.

Um dia, ela fartou-se de dar  chutos e tropeçar  nas letras que andavam pelo chão … às vezes ficava com o pé preso no X, outras vezes, levava com o R nas canelas, o pior  mesmo, era quando o I se prendia nos sapatos  e soltava-se um som horripilante…IIIIIIIIIII. As pessoas não paravam de olhar para ela  e tapavam os ouvidos.

-Menina veja lá se muda de sapatos, que esses fazem um barulho insuportável.

Ela ficava vermelha com um tomate e batia com os pés no chão e para ver se o I se soltava da sola.

Certo dia, a menina fartou-se de ver as palavras espalhadas pelo chão e pediu à mãe:

- Mamã arranjas-me um saquinho de pano, tens cá em casa algum?

-Tenho um lindo, que usava quando era da tua idade, sabes foi-me dado para uma tarefa especial, acho até que é mágico!

A menina ficou tão contente, finalmente ia deixar de tropeçar nas letras, agora ia apanhá-las e guardá-las no saquinho mágico.

No dia seguinte, parecia que as pessoas tinham-se fartado de deitar” palavras da boca para fora”, a rua estava cheia de letras amarfanhadas e zangadas. Com muito cuidado, a menina apanhou-as  e colocou-as no saquinho.

As letras estavam agora aconchegadas no saco ,  muito satisfeitas com o conforto e aconchego que sentiam.

Quando a menina chegou a casa, foi abrindo o saco com muito carinho e de lá de dentro soltaram-se palavras Maravilhosas…

Obrigado, Maravilha,Carinho, Amor, Ternura , Amizade, Compreensão, Solidariedade e muito mais.

Foi então, que  a menina percebeu o que as letras lhe estavam a dizer, assobiou para elas e disse-lhes:

- Venham comigo, tenho uma ideia super especial.

As letras enfiaram-se no saco e a menina correu para a rua e  gritou:

- Com a ajuda do poder da magia  do universo, faz com que cada palavra que não seja sentida e verdadeira se transforme em pedra.

Bem… o dia tornou-se complicado, de repente as pessoas começaram a soltar pedras e pedras pela boca. Ficaram tão assustadas,  que  começaram a culpar-se  umas às  outras. Bem, era cada pedrada que as cabeças já estavam cheias de galos e galarós.

Esta maluquice durou, até que a menina com um megafone gigante disse:

- Que tal experimentarem soltar palavras vindas do coração, com sinceridade e amor!

Primeiro, voltaram a zaragatear, mas os galos já eram tantos, que acharam melhor, experimentar.

Foi verdadeiramente fantástico… as palavras que se criaram no ar, juntamente com elas soltaram-se corações, estrelas e milhares de pozinhos mágicos, que foram curando a dor física e a dor da alma

Agora, meus meninos e meninas, o saquinho voltou a ficar guardado, não vá ser preciso um dia destes ...

Escrito por: Vanda Furtado Marques

domingo, 23 de dezembro de 2012

Simplicidade cresce no interior ….ali juntinho ao coração.

"A simplicidade cresce no interior de quem não se coloca acima do próximo".

  Atualmente há quem confunda simplicidade com alguma estupidez natural, ou com ausência de objectivos...não há nada de mais errado, ser simples é viver de acordo com os seus valores e ideais, indo até ao fim por eles, ser simples é valorizar o pormenor, estar perto de quem é realmente importante e ajudar o próximo de forma desinteressada.

  Porém a intoxicação informativa vai criando um lixo psicológico nas nossas mentes, que nos impede de ver e valorizar o que realmente importante e simples( apreciar o pôr-do-sol, a brisa do vento, o chilrear dos pássaros, o riso das crianças).

Ser simples é optar por ouvir  o nosso coração, é não seguir o caminho mais fácil, mas aquele que vai ao encontro dos nossos ideais, é ser solidário e  arrumar  o egocentrismo na gaveta.

Simples, são as crianças, que nos dizem coisas de encantar...

Conversa numa Escola Básica no Porto:

Estava a contar às crianças que tinha vindo de Alcobaça e que não podia estar ali mais tempo a contar histórias, pois ainda tinha uma viajem muito grande para fazer, quando uma criança me questionou:

Então mas tu não vieste de varinha mágica? agora é só fazeres perlimpimpim e voltas para casa...

Para as crianças é tudo tão simples, "descomplicado" e  mágico...é  por isso eu gosto tanto de aprender e conversar com elas.

Para ti…

Enquanto houver estrelas no céu…

 

Enquanto houver estrelas no céu,
há lugares secretos e só nossos.

Enquanto houver estrelas no céu,
há novelos gigantes que ligam os nossos corações e os mantém tricotados.

Enquanto houver estrelas no céu,
há luzinhas que nos aquecem e nos fazem sonhar.

Vanda Furtado Marques

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