domingo, 18 de novembro de 2007

Critica ao livro

Cara Vanda,

Apreciei o engenho e arte com que ficou contada aos pequeninos a intricada história, na raiz de um mito que até é, de certo modo, duplo: contém o do amor infinito – "até ao fim do mundo" –, que transcende a crueldade que o (não) acaba, em perfeito ajuste com o da superação da morte – "reinar (viver) depois de morrer" – pois Inês é "a que depois de morta foi Rainha".

Se a formulação conclusiva que encontrou no sono eterno que é final (finalmente, escreve) parece fechar a narrativa -dir-se-ia que a encerra mesmo no Mosteiro, o que faz é deslocá-la subtilmente daquele plano mítico para o das histórias de encantar (o Mosteiro é encantado, diz); airosa também foi a forma como elidiu o macabro -a coroação de Inês sem deixar de lhe aludir; e sábia a maneira como deu ordem ao que era transgressão -os amores adúlteros e como integrou a violência -o crimes, resolvendo o problema pela coincidência do belo com o bom e pela identificação do mal com o mau.

Isto é o essencial do que lhe posso dizer. Felicito-a, pois, muito sinceramente.

Quanto ao mais, o livro -enquanto objecto editorial é de uma qualidade evidente, no plano gráfico e no da ilustração, onde a opção da ilustradora pelas "figurinhas de recorte e tecido" faz supor o jogo dramático espontâneo a que com figurinhas que assim construíssem as crianças poderiam brincar.

Paulo Lages

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