domingo, 31 de janeiro de 2010

Terra Mágica das Lendas

 

A Terra Mágica das Lendas vai iniciar  o programa “ Sábados Lendários”

Cada sessão irá abordar uma lenda da nossa região.

Neste primeiro Sábado, a Lenda da Fonte da Senhora irá abrir as sessões.

Esta sessão destina-se a todos, miúdos e graúdos  que queiram

conhecer melhor as lendas e tradições das nossas terras.

Estarão como contadores de histórias:

Áurea Mata

Lúcia Serralheiro

Vanda Marques

 

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O papel das histórias na cultura dos povos

 

As histórias infantis reflectem-se no psiquismo infantil em vários níveis, conscientes e inconscientes. A utilização destas histórias permite uma ampla abordagem da problemática infantil por várias razões:

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A - A mais óbvia é a razão estética: sendo agradável, capta a atenção da criança.

B- É uma actividade lúdica que permite o desdobramento do tema utilizando a criatividade e a participação activa da criança, podendo ser transformada em dramatização simples, peça teatral elaborada, pintura, letra de música e brincadeira de faz-de-conta.

C- contar uma história estabelece e/ou fortalece os vínculos afectivos entre quem conte e quem ouve. Através das interacções não verbais que se estabelecem entre o narrador e o ouvinte, cria-se uma cumplicidade, uma empatia que fortalece a sensação de segurança e compreensão do outro por parte do narrador quanto do ouvinte.

D- Ouvir histórias auxilia a criança a sentir-se incluída no mundo e integrada à realidade. Como os pais contam para ela que na sua idade ouviam histórias contadas pelos avós, e que ela poderá, por sua vez, contar a seus filhos, a criança pode identificar-se com os pais, projectar-se no futuro, modelar seus comportamentos e perceber-se como um elo vivo na cadeias de gerações.

E- As histórias ampliam o vocabulário infantil e transmitem por estímulos subliminares todo tipo de informação cultural e conhecimentos teóricos sobre a história, a geografia, a religião e os costumes dos povos.

F-A criança, ao aprender algo com o avô ou outro idoso, adquire respeito pela sabedoria adquirida, admira o outro, valoriza a tradição e deseja para si esta sabedoria enriquecida pelos anos. O ancião, por sua vez, ao ensinar, renova seu conhecimento , ao percebê-lo através dos olhos infantis; revive as boas lembranças, consolida sua auto-estima. No contacto entre velhos e jovens verifica-se um enriquecimento mútuo: os idosos  melhoram a atenção, a memória, a saúde e o humor; os jovens ganham em paciência e em humildade. Através da cultura, o conflito pode transformar-se em parceria, a tolerância dar lugar à integração dos novos passos no mesmo caminho antigo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Para reflectir

Sobre a engrenagem da vida…

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Retrato de uma princesa desconhecida

Para que ela tivesse um pescoço tão fino

Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule

Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos

Para que a sua espinha fosse tão direita

E ela usasse a cabeça tão erguida

Com uma tão simples claridade sobre a testa

Foram necessárias sucessivas gerações de escravos

De corpo dobrado e grossas mãos pacientes

Servindo sucessivas gerações de príncipes

Ainda um pouco toscos e grosseiros

Ávidos cruéis e fraudulentos

Foi um imenso desperdiçar de gente

Para que ela fosse aquela perfeição

Solitária exilada sem destino

Sophia de Mello Breyner

O valor dos contadores de histórias

Num mundo cada vez mais globalizado e produtivo, em que “tempo é dinheiro” e o
relógio é o grande ditador, valorizam-se essencialmente instrumentos que possam nos
proporcionar rapidez, agilidade e comodidade. Somos passivamente induzidos a consumir
as imagens padronizadas e pré-fabricadas oferecidas pelos meios de comunicações actuais.
Ou seja, somos meros receptores que se abstêm de influenciar no produto final em nome da
comodidade. O resultado disso são pessoas cada vez mais ágeis, práticas, eficientes,
acomodadas e bem menos criativas!

Nós os contadores de histórias podemos quebrar esse efeito da “ditadura do tempo” e podemos transportar os nossos ouvintes para mundos de sonho, fazê-los sentir cheiros da infância , abrir caminhos para  que possam voar  na sua imaginação… enfim até  o adormecer se isso o fizer feliz

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Na Escola Básica dos Feires

 

A história do Pedro e Inês, apaixona as crianças e coloca- as perante questões muito importantes

que as inquietam, e as que as leva querer resolver problemas.

Estes meninos da turma onde eu fui contar a história… queriam um fim diferente, não queriam que Inês

tivesse sido morta.

Estivemos a falar sobre essas questões e as crianças chegaram à conclusão que esta história é um pouco como

a vida real. Onde o ciclo da vida começa com o nascimento, depois surgem os obstáculos as frustrações, as vitórias e as alegrias, mas com a noção que há um fim de ciclo.

Com as crianças aprendo sempre grandes lições de vida.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O livro do Amor de Pedro e Inês viajou até Estrasburgo

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A Associação Cultural  Portuguesa em Estrasburgo, está a desenvolver um programa para ensinar

às crianças, a nossa História de Portugal.

Fiquei muito satisfeita quando soube que os meus livros iriam ser uma das fontes, que

iriam levar estas crianças a viajarem pela nossa História.

Nesta imagem, o contador está a representar o papel de D. Pedro I.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A História de Portugal foi até ao agrupamento Silva Gaio de Coimbra

 

A convite do Agrupamento Silva Gaio, eu e a Susana fomos partilhar a nossa alegria,amor pelas histórias e ilustração.

Tivemos grupos de crianças muito interessados e com grande vontade de aprender.

A história que eu desenvolvi com eles foi o “Milagre de Isabel  e Dinis”, onde os pontos altos foram a simulação do Milagre das rosas e a distribuição do pó mágico das estrelas.

Depois a Susana trabalhou com eles a ilustração e através do risco, explorou com as crianças, a criatividade e a imaginação.

Foi um dia muito estimulante e acho que todos nós ficamos mais ricos de experiências  de magia e encantamento.

 

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

As crianças e as Lendas

Gosto de pegar nas nossas lendas e adapta-las às crianças, pois estas transmitem uma sabedoria a que as crianças são sensíveis e realçam situações de vitória da razão sobre a violência e do mais pequeno sobre o maior, dando credibilidade a algumas das naturais aspirações do mundo infantil.

As lendas fazem parte do património da humanidade, por isso, devemos acarinha-las e perpetua-las  para  que desta forma, as nossas raízes e as nossas crenças passem de geração em geração.

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“As Lendas são uma forma antiquíssima, cujo ornamento é tirado da tradição. São relatos de acontecimentos, onde o maravilhoso e o imaginário superam o histórico e verdadeiro.

Geralmente a lenda está marcada por um profundo sentimento de fatalidade. Este sentimento é importante, porque fixa a presença do destino, aquilo contra o que não se pode lutar e demonstra, irrecusavelmente, o pensamento do homem dominado pela força do desconhecido.

De origem muitas vezes anónima, a lenda é transmitida e conservada pela tradição oral”.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

D. Fuas vai conquistando a criançada.

Este menino está ser coroado cavaleiro
do Rei D. Afonso Henriques.
Foram lidos os mandamentos do verdadeiro cavaleiro.
As crianças perceberam que para ser cavaleiro, não bastava a espada, o escudo, o elmo e o cavalo….
Era preciso ter força espiritual, auxiliar os mais fracos e ter um coração verdadeiro.

D. Fuas foi eleito Alcaide de Porto de Mós, por D. Afonso Henriques, por ser o mais forte e valente cavaleiro de toda a Península Ibérica.


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O elmo de D. Fuas fez um enorme sucesso entre as crianças

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Que pequeninos tão atentos, uma delícia…

sábado, 9 de janeiro de 2010

A riqueza de ser contador de histórias

Quando conto histórias, sinto uma energia que me permite abrir mundos de sonhos e encantamento.
Ás vezes é difícil de exprimir a beleza e plenitude que se sente ao contar histórias, quando li esta história, senti uma enorme comunhão. Lindaaaa

O contador de histórias

imageYacoub era pobre, mas despreocupado e feliz, livre como um saltimbanco, sonhando sempre cada vez mais alto.

Em boa verdade, estava apaixonado pelo mundo. Porém, o mundo à sua volta parecia-lhe sombrio, brutal, seco de coração, de alma obscura, e ele sofria com isso.

"Como" perguntava-se "fazer com que seja melhor? Como trazer à bondade estes tristes que vão e vêm sem olharem para os seus semelhantes?"

Ruminava estas perguntas pelas ruas de Praga, a sua cidade, vagueando e saudando as pessoas que, no entanto, não lhe respondiam.

Ora, uma manhã, quando atravessava uma praça cheia de sol, teve uma ideia.

"E se lhes contasse histórias?" pensou "Assim, eu, que conheço o sabor do amor e da beleza, ajudá-los-ia certamente a encontrar a felicidade."

Pôs-se em cima de um banco e começou a falar. Os velhos, as mulheres e as crianças, admirados, pararam um momento a ouvi-lo, mas depois viraram-lhe as costas e prosseguiram o seu caminho.

Yacoub, achando que não podia mudar o mundo num dia, não perdeu a coragem. No dia seguinte voltou àquele mesmo lugar, e de novo lançou ao vento, com voz forte, as mais comoventes palavras. Outras pessoas pararam para o ouvir, mas em número menor do que na véspera. Alguns riram-se dele. Houve mesmo quem lhe chamasse louco, mas não quis prestar atenção.

"As palavras que semeio germinarão" pensou "Um dia entrarão nos espíritos e acordá-los-ão. Tenho de falar, falar mais ainda."

Teimou, pois, e dia após dia voltou à grande praça de Praga para falar ao mundo, contar maravilhas, oferecer aos seus semelhantes o amor que sentia. Todavia, os curiosos tornaram-se cada vez mais raros, desapareceram quase todos e, em breve, apenas falava para as nuvens, o vento e as silhuetas apressadas, que já só lhe lançavam uma olhadela de espanto à medida que passavam. No entanto, não desistiu.

Descobriu que não sabia nem desejava fazer outra coisa que não fosse contar as suas histórias, mesmo que estas não interessassem a ninguém. Começou a dizê-las de olhos fechados, pela única felicidade de as ouvir, sem se preocupar em ser ouvido. Sentiu-se bem e a partir dali só falava assim: De olhos fechados.

As pessoas, temendo relacionar-se com as suas extravagâncias, deixaram-no só, com as suas histórias, e habituaram-se, assim que ouviam a sua voz lançada ao vento, a evitar a esquina da praça onde Yacoub se encontrava.

Assim, os anos foram passando. Ora, numa noite de Inverno, enquanto - sob um crepúsculo indiferente - contava um conto prodigioso, sentiu que alguém o puxava por uma manga. Abriu os olhos e viu uma criança, que, fazendo uma careta engraçada, lhe disse, esticando-se nas pontas dos pés:

- "Não vês que ninguém te ouve, nunca te ouviu e jamais te ouvirá? O que te levou a viveres assim a vida?"
- "Estava louco de amor pelos meus semelhantes" respondeu Yacoub "Foi por isso que, no tempo em que ainda não eras nascido, me veio o desejo de os tornar felizes."
O miúdo replicou: "Pois bem, pobre louco, e eles são-no?"
- "Não" disse Yacoub, abanando a cabeça.
-
"Por que razão teimas então?" - perguntou ternamente a criança, tomada de repentina piedade.
Yacoub reflectiu por instantes.

- "Eu conto sempre, é claro, e contarei até morrer" disse "Dantes, contava para mudar o mundo."
Calou-se;
Depois o seu olhar iluminou-se, e acrescentou:
"Hoje, conto para que o mundo não me mude, a mim."

Adaptação de Henri Gougaud in “A Árvore dos Tesouros”, Lisboa, Gradiva, 1988

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Era uma vez a Magia da História de Portugal

Este é o meu plano para trabalhar com as Escolas, Bibliotecas e outros.

Pretendo com esta sessão:
- Descobrir a importância dos contos de fadas e das lendas no processo de maturação das crianças;
- Compreender a importância das metáforas nos textos infantis;
- Transmitir a importância do sonho e da fantasia para o crescimento saudável das crianças.

 

OBJECTIVOS:
- Contar episódios da nossa História de Portugal com uma linguagem simples, encantada e carinhosa, de forma a levar as crianças a descobrir a riqueza da nossa cultura;
- Levar as crianças a Descobrir Valores que cada vez mais se vão desvanecendo na nossa sociedade;
- Abordar a História do Ponto de Vista Feminino ao demonstrar que as Rainhas tiveram um papel fulcral na nossa História e que juntamente com um grande Rei existiu sempre uma grande Rainha;
- Permitir que as crianças vejam o Lado Humano dos Reis e Rainhas e que isso lhe possibilite descobrir que as decisões e os actos por eles realizados também lhes criaram indecisões, dúvidas, ódio e sacrifícios e transformações;
- Transmitir às crianças o Encantamento e Magia, pois é muito mais fácil cativar as crianças para o Mundo da História através da linguagem dos contos de fada.

DESENVOLVIMENTO:
Troca de impressões com as crianças sobre:
- Situações de fantasia e encantamento;
- Importância dos valores (amor, partilha ,diferença e entrega).

Estes são os livros que editei, e que exploro com as crianças.

Vanda Furtado Marques

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os arquétipos nos contos infantis

Todas as histórias ancestrais possuem alguns elementos estruturais comuns, encontrados universalmente em mitos, contos de fadas, sonhos e filmes.

No livro a “Jornada do Escritor” de Christopher Vogler podemos compreender essa estrutura comum, que está inerente à própria humanidade.

“Assim que entramos no mundo dos contos de fadas e dos mitos, observamos que há tipos recorrentes de personagens e relações: heróis que partem em busca de alguma coisa, arautos que os chamam à aventura, homens e mulheres velhos e sábios que lhes dão certos dons mágicos, guardiões de entrada que parecem bloquear seu caminho, companheiros de viagem que se transformam, mudam de forma e os confundem, vilões nas sombras que tentam destruí-los, brincalhões que perturbam o status quo e trazem um alívio cómico. Ao descrever esses tipos comuns de personagem, símbolos e relações, o psicólogo suíço Carl G. Jung empregou o termo arquétipos para designar antigos padrões de personalidade que são uma herança compartilhada por toda a raça humana.

Jung sugeriu que pode existir um inconsciente colectivo, semelhante ao inconsciente pessoal. Os contos de fadas e os mitos seriam como os sonhos de uma cultura inteira, brotando desse inconsciente colectivo. Os mesmos tipos de personagem parecem ocorrer, tanto na escala pessoal como na colectiva. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos e das mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como na imaginação mítica do mundo inteiro. Uma compreensão dessas forças é um dos elementos mais poderosos no baú de truques de um moderno contador de histórias.

O conceito de arquétipo é uma ferramenta indispensável para se compreender o propósito ou função dos personagens em uma história. Se você descobrir qual a função do arquétipo que um determinado personagem está expressando, isso pode lhe ajudar a determinar se o personagem está jogando todo o seu peso na história. Os arquétipos fazem parte da linguagem universal da narrativa. Dominar sua energia é tão essencial ao escritor, como respirar.”

Se quiseres saber mais sobre os arquétipos, podes ler o Livro de Jung “Os arquétipos e o inconsciente colectivo”

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