sexta-feira, 4 de março de 2011

As histórias e o valor da família

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Crianças: a importância da família alargada na vida dos mais pequenos

A família não deve ser só pai e mãe. Avós, tios e primos têm uma enorme importância no desenvolvimento do mapa afectivo das crianças. Não os perca – eles são demasiado preciosos

 

Toda a gente se lembra dos bolinhos da avó. Das histórias que nos lia o avô. Dos passeios com a tia Joana. Do bigode do primo Zeca. Um dos traços mais positivos e mais tradicionais da família portuguesa são... os outros: aquela legião - ou enfim... grupinho... - de gente disposta a dar tempo, atenção, carinho  à sua criança. Actualmente, esta família alargada corre o risco de desaparecer: os avós vivem longe ou trabalham ainda mais horas do que os pais, os tios têm a sua vidinha, e os próprios pais, que passam tão pouco tempo com as crianças, também não gostam de prescindir dos fins-de-semana com elas, e não as partilham de boa vontade com outras pessoas que veem como rivais no afecto dos filhos.

 

Mas vale a pena lutar pela preservação dessa espécie em vias de extinção - a família alargada - por várias razões.

A primeira: saber que há pessoas à volta com quem podem contar dá às crianças uma enorme sensação de segurança. O desaparecimento dos pais é sempre um fantasma na vida de todas as crianças, e saber que há alguém que toma conta deles se for preciso é um conforto.

A segunda: o amor dos avós, dos tios, dos primos, é muito diferente do amor dos pais, e todas as crianças merecem descobrir isso. Não quer dizer que seja melhor ou pior, é apenas diferente. Ir às compras com a avó não é a mesma coisa que ir às compras com a mãe, simplesmente porque são pessoas diferentes, e isso dá traquejo social e afectivo. 

A terceira: o coração é um músculo, também se treina, e as crianças precisam de ‘treinar' os seus afectos com mais gente do que o pai, a mãe, os amigos da escola. Precisam de aprender que amar é multiplicar, precisam de aprender a ‘ler' as outras pessoas, precisam de perceber que há regras diferentes em casas diferentes, que na casa dos avó podem saltar em cima do sofá e na casa dos pais nem pensar. Ou vice-versa...

A quarta: As crianças precisam de ser deseducadas, função que não cabe aos pais, coitados. Tenha fé no futuro: ainda há-de ter netos ou sobrinhos para deseducar à vontade.

A quinta: A família alargada é o ‘mapa' pessoal de uma criança. Graças às histórias dos avós e dos tios, aos álbuns de fotografias, às molduras da sala, eles aprendem quem são, de onde vieram, como eram os pais com a idade deles.

Catarina Fonseca in Activa

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