domingo, 27 de novembro de 2011

Deixem as crianças ser crianças…

 

  Nos nossos dias, exigimos demasiado das crianças, estamos lhe a retirar o tempo para brincar, para sonhar, para serem simplesmente crianças.

Queremos que elas sejam as mais espertas, melhores alunas, melhores atletas, mais bonitas, para que nós adultos, nos possamos gabar uns aos outros. Muitas vezes, esquecemo-nos que eles têm vontade própria e que não são nossos clones.

Nós temos é que nos preocupar com a verdadeira felicidade das crianças, saber o que lhes faz brilhar os olhos, sorrir com a boca toda e  chorar a rir . Devemos ensiná-las a lidar com as emoções, com as frustrações, a serem tolerantes, altruístas e interventivas. Deste modo estaremos a criar crianças  verdadeiramente felizes e autónomas.

Aqui fica um excerto de uma entrevista de Eduardo Sá, que aborda a necessidade das crianças serem crianças.

Disse um dia que as crianças estão em vias de extinção…

Estão. Não digo isso pelo facto de o Governo e a oposição as terem transformado numa espécie de conta poupança reforma. Acho até divertido que se fale de tudo e mais alguma coisa nas várias campanhas – presidenciais incluídas – e as questões das crianças e a política de fundo para a família nem sequer exista. Portanto, o que é que a mim me preocupa? Preocupa-me esta ideia complemente absurda de crescimento, que dá a entender que as crianças têm que ser jovens tecnocratas de fraldas antes dos seis, têm que ser jovens tecnocratas de mochila depois dos seis e têm que ser jovens tecnocratas de sucesso ao entrarem na universidade para que, finalmente – como se fosse uma linha de montagem –, saíssem todos mestres. Mestre é a designação mais vergonhosa que eu já vi para um título académico, porque é um título que reconhecemos aos sábios.

Andamos a enganar os jovens?

Isto é o cúmulo da publicidade enganosa. Explicar a miúdos com 22 e 23 anos que são mestres, de maneira a esperar que eles sejam, de preferência, ídolos antes dos 30… Anda toda a gente num registo eufórico e doente, que não percebe que as pessoas precisam de tempo para crescer. Acho engraçadíssimo quando dizem com orgulho que no jardim-de-infância há crianças que já sabem ler e escrever, mas não é isso que as torna mais sábias. Às vezes, as pessoas confundem macacos de imitação com crianças sábias. Acho engraçadíssimo quando as crianças não podem errar – eu julgava que errar era aprender. Mas não: as crianças têm que ter notas que são insufladas sabe Deus pelo quê. Vivem empanturradas em explicações. Se os pais puderem utilizar todo o tempo que a escola coloca ao serviço das famílias, elas podem passar 55 horas por semana na escola… Estamos a espatifar a infância das crianças, a espatifar a adolescência e, depois, com um olhar absolutamente cândido, dizemos que elas têm défice de atenção.

excerto de uma entrevista de Eduardo Sá

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