terça-feira, 1 de novembro de 2011

A menina que partiu o coração em mil pedacinhos

 

Menina coração sangrando

Era uma vez uma menina … que tinha crescido com o vento, sorrido com as estrelas, voado com os passarinhos e que amava o sol , a lua, as fadas e a liberdade.

Esta menina tinha umas tranças ruivas e uma pintinhas na cara, que dizia ela, serem eram feitas de pó mágico das estrelas.

Um dia, esta menina acordou triste, tão triste que nem conseguiu dizer “ Bom dia sol”.

Mas a tristeza era tão forte  que o gatinho lá de casa lhe perguntou:

- O que tens minha amiga?

- Acho que parti o coração em mil pedacinhos…

- Tens a certeza!, não terá sido só em dois ou em três?

- Não, gatinho, eu sinto os mil pedacinhos por todo o corpo, e agora?

O gatinho e a menina sentaram-se um pouco, para tentar arranjar uma solução, foi aí que o gatinho miou bem alto, MMMMMMMMMMMMMMMiauuuuuuuuuuuuuuuuu

- Ai que susto! tiveste alguma ideia?

- Sim. Vamos buscar fita- cola e tu com muito cuidado reúnes os pedacinhos e voila!

- És mesmo totó, achas que isso era possível!

O gatinho voltou a ter uma outra ideia brilhante e miou bem alto,MMMMMMMMMMMMMMMMmiaaaauuuuuuuuuuuuuuuu

- Pará gatinho, que ainda me partes o resto dos pedacinhos.

Mas, eu já sei, quando é que o teu coração se partiu?

- hummmmmm! achas que é mesmo preciso eu dizer?

- Claro, conta-me…

- Eu ia a caminhar pela rua e vi uma mãe que lhe escorriam as lágrimas pela cara, um bebé com os olhos tristes, um pai de cabeça baixa e ombros encolhidos, uma avó com o olhar perdido, fiquei tão surpreendida com esta multidão de gente cabisbaixa, que perguntei:

- Alguém me pode dizer o que se passa?

Foi, então que um menino se aproximou de mim e me disse:

- Tu não sabes?

- Não sei o quê!

- Não ouviste a mensagem do governo real?

- Não, fui fazer um piquenique como meu gatito e não ouvimos nada!

- O governo real, decretou que a partir de hoje, acabaram-se os sonhos, a esperança, os sorrisos e até os piqueniques . De hoje em diante teremos que nos sacrificar em nome do governo real e de toda a realeza.

O menino continuou a andar, completamente resignado, tal como todos os que passavam por mim

- Eu não quero aceitar… eu sou filha do vento, amiga da lua e tenho na minha face, o pó das estrelas.

Estás a ver gatito, foi aí que o meu coração se começou  quebrar… primeiro em dois e depois em três, em quatro e à medida que estas ideias iam percorrendo o meu corpo, ele foi-se estilhaçando.

O gatito ouviu a história com toda a atenção, e a suas orelhas giravam a cem hora para encontrar uma nova solução.

O gatito teve  outra ideia brilhante, mas desta vez, não miou.

- Vamos ao médico dos corações, ele de certeza que sabe o remédio ideal!

Lá foram, o gatito e a menina ao médico dos corações, fizeram-lhe exames, auscultaram-na, virara-na do avesso…mas, nada, não conseguiram juntar os pedacinhos. A menina já vinha convencida que tinha uma doença incurável.

Mas, o gatito era muito teimoso e bichanou-lhe ideias e palavras de sonho e jurou-lhe que ninguém no mundo nos pode impedir de ser feliz.

Os pedacinhos foram-se unindo e o coração  voltou a palpitar todo juntinho e aconchegadinho no peito da menina

O gatito ronronou de felicidade e aconchegou-se no colo da menina. 

E foram felizes para sempre… se um dia os sapatinhos de manteiga da menina e do gatito não se derreterem pelo caminho, irão visitar-vos.

 

de Vanda Furtado Marques

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