quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Semeador de Estelas

 

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De que são feitas as estrelas?

Esta questão deixa sempre as crianças pensativas… de cartão, de luz, de pedra, de ouro, de gás, de poeiras?

Bem aqui fica uma história … que eu criei inspirada nesta questão.

Era uma vez… há tantos, tantos anos que não haviam estrelas no céu, a noite era escura como o breu… mas havia alguém que não se amedrontava com a escuridão e caminhava sobre a terra com uma sacola, largando umas pequenas estrelas sobre a terra.

Samuel, assim se chamava este homem, todas as noites, recolhia as estrelas que insistiam em cair do céu , guardava-as na sua sacola e lançava as à terra, tal como ele fazia com as sementes de trigo. Regava-as com muito carinho, e todos os dias olhava para a terra ansioso, para ver se as estrelas cresciam.

Samuel achava que as estrelas caíam do céu, porque eram muito pequeninas, precisavam do amparo da Mãe-Terra. Só, que dia para dia Samuel desiludiu-se, o trigo crescia viçoso, mas as estrelas não desabrochavam.

Um dia, Samuel  decidiu ir falar com uma grande feiticeira, para o ajudar. Caminhou uns dias por entre bosques e vales, até avistar a morada da feiticeira.

Quando, Samuel chegou frente a  cabana da grande feiticeira, era já noite, mas para sua grande admiração o céu estava estrelado, milhares de luzinhas preenchiam os céus.

Bateu à porta e ficou à espera …que qualquer coisa acontecesse. Do outro lado, uma voz, disse:

- Ennnntraaa, Samuel, a porta está aberta.

Uma mulher de longos cabelos louros, linda como o sol , falou delicadamente com Samuel:

- Já sei do teu excelente trabalho, do carinho com que apanhas as estrelas caídas e as cultivas na terra.

- Pois é minha feiticeira, mas apesar do meu carinho e persistência as estrelas não crescem, nem vão para os céus, e a noite continua escura como o breu.

- Sabes, Samuel, as estrelas são feitas da mesma matéria e da mesma essência que nós, humanos!

- Verdade! Ora essa… é que eu nunca tinha ouvido, então nós somos feitos de pó das estrelas?

- Sim, e agora pensa Samuel, o que nós precisamos para crescer? Para seguir o nosso caminho?

O Samuel ficou aflito com a pergunta, mas logo lhe vieram à memória imagens da sua infância, onde mãe o acarinhava ao seu colo e lhe dizia as palavras mais ternas do mundo.

- Já sei!.. Feiticeira, já sei, as estrelas precisam de carinho, afeto e de ouvir palavras de amor.

- Eu sabia, Samuel, por isso te escolhi a ti para seres o semeador de estrelas.

Samuel  despediu-se e percorreu o seu caminho apressadamente, estava ansioso, para chegar a casa. Na noite seguinte, apanhou as estrelas caídas, acarinhou-as entre as suas mãos calejadas pelo trabalho, contou-lhes histórias de encantar, beijou-as, disse-lhes palavras de amor, abraçou-as e esperou pelo milagre.

Nessa noite, e em todas as outras que se seguiram, nunca mais o breu da noite se viu, e Samuel ia fazendo a sua tarefa, até que as estrelas deixaram de cair do céu.

As estrelas sabiam agora, que os Homens as admiravam… e que nunca as iam deixar de amar.

Afinal, somo todos, parte do universo e feitos da mesma matéria.

Vanda Furtado Marques

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