segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Artigos que eu escrevi para a Revista Educadores de Infância

Outras de encantar…

Eu e a minha princesa Carolina… Há vida nas histórias.

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Enquanto, professora e escritora tenho tido experiências verdadeiramente deliciosas e desafiantes, umas que me deixam a sorrir durante umas boas horas, outras que me ajudam no meu processo criativo e outras ainda que me fazem crescer enquanto pessoa e me ajudam a ver o mundo com outros olhos.

Vou partilhar convosco, como uma jovem, a Carolina me tornou uma pessoa mais atenta aos outros e me despertou para uma maior humanidade. A minha princesa Carolina é portadora de deficiência mental, com características autistas, é uma menina diferente, mas que graças à Escola Inclusiva se integrou numa turma do terceiro ciclo.

Inicialmente, tive algumas dificuldades e inseguranças, mas a minha vontade de trabalhar com a Carolina, superava todos os receios. O que me deixava mais inquieta e insegura eram as ausências e o alheamento da Carolina que se tornavam desconfortáveis. Com muita persistência, fui desbravando os muros que nos separavam, fui tateando, observando e escutando. Um dia, apercebi-me, que a Carolina tinha uma apetência especial pelas histórias e pelo mundo do fantástico.

Foi a partir daqui que eu a consegui cativar.

Eu contava uma história e a Carolina bebia as minhas palavras com uma avidez surpreendente. Apercebi-me que o mundo do Era uma vez… lhe possibilitava uma enorme felicidade e a trazia do seu mundo das ausências. À medida que nos fomos conhecendo melhor dei-lhe para a mão alguns fantoches das histórias que eu ia contando. Foi aqui que a Carolina se revelou de uma forma surpreendente.

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Os fantoches passaram a ser um prolongamento das suas emoções, através deles, a Carolina expressava os seus medos e anseios. Apercebi-me também, que os contos de fadas eram os seus preferidos, pois estes contêm uma estrutura e um mecanismo que ajudam as crianças a superar algumas das suas dúvidas e inquietudes. Rapidamente, a Carolina se identificou com as heroínas das histórias (a princesa, a menina, o capuchinho vermelho e a rainha) pois trazia-lhe confiança e poder. Por outro lado, descobriu também, que podia revelar o seu lado mais agressivo e conflituoso … e passou por isso a adorar fazer de lobo mau, bruxa, dragão e monstro, sem ter qualquer pressão social.

Hoje, cada vez, que a Carolina vem ter comigo para trabalhar, muda de voz, de postura e os seus olhos brilham… é o momento dela, é a hora das histórias, dos fantoches que a ajudam a catalisar as suas emoções e a largar umas belas gargalhadas terapêuticas.

E, eu aprendi tanto, ao observar a doçura, a sabedoria e a generosidade da Carolina que lhe estou grata para sempre.

Como diz a Carolina…vitória, vitória acabou-se a história, mas eu quero outra e mais outra.

Beijinhos de Algodão Doce

Vanda Furtado Marques

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