quinta-feira, 15 de março de 2012

Os meus livros e os contos de Fadas.

 

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Cada vez que escrevo uma história para as crianças  tento  orientar-me  pela  estrutura dos

contos de Fadas.

Os contos de Fadas são cruciais para a formação emocional da criança, pois ajudam

as crianças a encontrar soluções para os conflitos que elas vivem no dia a dia.

Uma criança ao ouvir um conto clássico, está ouvindo não só os seus conflitos, mas os

de todos os seres humanos. Com estas histórias , a criança pode identificar-se com o heroi

e sentir-se forte para lutar, apesar dos obstáculos que vão surgindo pelo caminho.

A criança apercebe-se que vale a pena lutar, pois no final emergirá a vitória.

A estrutura dos contos de fadas dão ainda às crianças a possibilidade de perceberem

que nós nem sempre conseguimos ser bons, às vezes somos como feras.

Nos contos clássicos, as bruxas, as feras e outros seres permitem que as crianças exorcizem

o seu medo de ser maus.

Outra  grande vantagem destas histórias é o  uso  da  linguagem simbólica que as crianças tão bem percebem e que por não ser demasiado explicita, permite-lhes compreender  e   resolver   muitos  dos seus anseios.

Segundo Bruno Bettelheim-“ os  contos servem como alívio de todas as pressões e não só oferece formas de resolver os problemas, mas promete uma solução feliz. Também possibilita a criança viver papéis de todas as matizes:ora é herói, ora é bandido; ora é um principe, ora é um monstro… assim vai exprimentando e optando por aquele que mais se identifica e vivendo emoções na pele de todos os personagens.

O pael dos contos de fadas é colocar alguma ordem no caos interno da sua mente de modo a poder entender-se melhor.”

Analisando os meus livros:

No” Amor de Pedro e Inês”, temos o herói que é  D. Pedro, que teve de passar por grandes privações,obstáculos, lutas e contenções   para   um dia poder encontrar-se com o seu grande amor, Inês de Castro.

No” Milagre de Isabel e Dinis”, temos uma menina muito nova que vai ter que ser rainha e assumir uma enorme responsabilidade.

Isabel vai ainda  ter que  ultrapassar  um   grande conflito interior- ajudar os mais pobres ou obedecer, ao Rei,  o seu marido. Neste caso vamos ter a intervenção de uma solução mágica, o milagre das rosa que vai despoletar  toda a acção e resolver a história.

Na” Padeira de Aljubarrota” temos uma heroína diferente do que era normal para a época, feia, aventureira e com seis dedos em cada mão. Para triunfar  teve de tomar uma serie   de decisões  na sua vida.  Por ser uma mulher decidida e ouvir a voz do coração  teve  um   papel crucial na nossa História de Portugal

No” D. Fuas Roupinho” temos a história  de um cavaleiro  que era forte e corajoso e que um dia ao encontrar a imagem da Nossa Senhora, se tornou invencível.  Porém ele tinha mostrar que também era forte espiritualmente e que não se iria deslumbrar.

Assim D.Fuas foi posto à prova pelas forças do mal.

Com um bom final , o Bem triunfa sobre o Mal e o cavaleiro é salvo pela sua fé interior.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O valor dos contos de fadas

 

Todas as histórias ancestrais possuem alguns elementos estruturais comuns, encontrados universalmente em mitos, contos de fadas, sonhos e filmes.

No livro a “Jornada do Escritor” de Christopher Vogler podemos compreender essa estrutura comum, que está inerente à própria humanidade.

“Assim que entramos no mundo dos contos de fadas e dos mitos, observamos que há tipos recorrentes de personagens e relações: heróis que partem em busca de alguma coisa, arautos que os chamam à aventura, homens e mulheres velhos e sábios que lhes dão certos dons mágicos, guardiões de entrada que parecem bloquear seu caminho, companheiros de viagem que se transformam, mudam de forma e os confundem, vilões nas sombras que tentam destruí-los, brincalhões que perturbam o status quo e trazem um alívio cómico. Ao descrever esses tipos comuns de personagem, símbolos e relações, o psicólogo suíço Carl G. Jung empregou o termo arquétipos para designar antigos padrões de personalidade que são uma herança compartilhada por toda a raça humana.

Jung sugeriu que pode existir um inconsciente colectivo, semelhante ao inconsciente pessoal. Os contos de fadas e os mitos seriam como os sonhos de uma cultura inteira, brotando desse inconsciente colectivo. Os mesmos tipos de personagem parecem ocorrer, tanto na escala pessoal como na colectiva. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos e das mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como na imaginação mítica do mundo inteiro. Uma compreensão dessas forças é um dos elementos mais poderosos no baú de truques de um moderno contador de histórias.

O conceito de arquétipo é uma ferramenta indispensável para se compreender o propósito ou função dos personagens em uma história. Se você descobrir qual a função do arquétipo que um determinado personagem está expressando, isso pode lhe ajudar a determinar se o personagem está jogando todo o seu peso na história. Os arquétipos fazem parte da linguagem universal da narrativa. Dominar sua energia é tão essencial ao escritor, como respirar.”

Se quiseres saber mais sobre os arquétipos, podes ler o Livro de Jung “Os arquétipos e o inconsciente colectivo”

Contos de Fadas…e a sua estrutura

 

Os Contos de Fadas são a  inspiração para as minhas histórias.

Vou sempre buscar algo da sua estrutura, para o enredo das histórias, pois como diz a psicóloga Brasileira Fanny Abramovich: “(…) Os contos de fadas existem há milénios, em diversas culturas, em todos os continentes existem histórias com estruturas e narrativas semelhantes aos contos que conhecemos. (...)  Apenas para citar um exemplo: A história da Cinderela, tem um registo de narrativa muito semelhante à sua, na China do séc.. IX d.c.”.

Elementos que estruturam um conto  de Fadas:
- Situação Inicial;
- Conflito;
- Antagonismos ou elementos do malévolo;
- Herói /heroína;
- Objecto Mágico;
- O Motivo;
- Resolução dos conflitos / Final.

Estes contos são muito simbólicos e respondem ao universo da criança:
- Era uma vez...
- Num Reino Encantado…
- Há muitos, muitos anos...
- Num lugar distante...

Com esta narrativa temos um princípio, um meio e um fim, ficando assim a criança a perceber a existência de uma tipologia que não é sua, ela é inteiramente pertencente a um mundo imaginário.

Contos de fadas…

 

Eu valorizo muito os contos de fadas, devido à sua riqueza metafórica, simbólica e essencialmente a sua força espiritual e moral.

Os contos de Fadas:

  • Podem contar ou não com a presença de fadas, mas fazem uso de magia e encantamentos;

  • Seu núcleo problemático é existencial (o herói ou a heroína buscam a realização pessoal);

  • Os obstáculos ou provas constituem-se num verdadeiro ritual de iniciação para o herói ou heroína;

A palavra portuguesa "Fada" vem do latim Fatum (destino, fatalidade, fado etc). O termo reflete-se nos idiomas das principais nações européias: fée em francês, fairyem, fata em italiano, Fee em alemão e hada em espanhol.
Por analogia, os "contos de fadas" são denominados conte de fées na França, fairy tale na Inglaterra, cuento de hadas na Espanha e racconto di fata na Itália. Na Alemanha, até o século XVIII era utilizada a expressão Feenmärchen, sendo substituída por Märchen ("narrativa popular", "história fantasiosa") depois do trabalho dos Irmãos Grimm.
No Brasil e em Portugal, os contos de fadas, na forma como são hoje conhecidos, surgiram em fins do século XIX sob o nome de contos da carochinha. Esta denominação foi substituída por "contos de fadas" no século XX.

Algumas histórias tratam de temas que fazem parte da tradição de muitos povos e apresentam soluções para problemas universais, pois funcionam como válvula de escape e permitem que a criança vivencie seus problemas psicológicos de modo simbólico, saindo mais feliz dessa experiência.
A obra de Bettelheim (2001) foi “a pedra fundamental” da produção psicanalítica sobre os Contos de Fadas, ensinando-nos os mecanismos de sua eficácia na vida das crianças – eficácia observada a partir do diálogo da criança com aquelas histórias que lhe agradam.
De acordo com Corso (2006), retomando aspecto já destacado por Betttelheim, essas histórias oferecem soluções para possíveis conflitos e transmitem a mensagem de que a luta contra as dificuldades e os medos é inevitável, mas a vitória é possível.

Segundo Bettelheim (2001), os Contos de Fadas abordam – tendo como base o elemento fantástico - problemas interiores dos seres humanos e apresentam soluções válidas para qualquer sociedade, contribuindo para formar a personalidade e atuando significativamente no desenvolvimento emocional infantil. A criança aumenta seu repertório de conhecimentos sobre o mundo e transfere para os personagens seus principais dramas.

Para Corso (2006), o simbólico apresentado nas histórias infantis possui importância fundamental, pois expressa anseios humanos tais como: encontro e desencontro, angústia, medo, tristeza, alegria, amor e dor. O sentido da vida começa a ser traçado quando ainda a única linguagem entendida pela criança, é a do afecto. Deste modo, crianças sensibilizadas desde cedo para o universo da linguagem e para a utilização da capacidade simbólica tornam-se pessoas com um sentido de vida verdadeiro, capazes de lançar para o mundo um olhar de doação, generosidade e transformação.

domingo, 11 de março de 2012

Pais e Filhos à descoberta do Mosteiro de Alcobaça

 

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Hoje, pais e filhos  do Centro Escolar da Benedita percorremos a história de Pedro e Inês no Mosteiro de Alcobaça. Iniciámos a nossa visita com a história da fundação do Mosteiro, associando todo este complexo ao nosso D. Afonso Henriques, à batalha de Santarém e a  S. Bernardo de Claraval.

 

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Mas nossa atenção focou-se nos túmulos mais belos do mundo inteiro, que estão ternamente depositados nos braços do Mosteiro. Dando a ideia que o Mosteiro embala nos seus braços os dois amados para todo o sempre.  Caminhámos pela nave lateral, até ao túmulo de D. Pedro. Aqui chamei a atenção  para os pormenores que  que cativam as crianças : D. Pedro com as suas barbas longas e vestes reais,a espada nas mãos do Rei, um cão aos seus pés, simbolizando o fiel amigo, os anjos que ternamente o elevam para o céu e a mensagem de amor dedicada à sua Inês: Até ao fim do Mundo.

No túmulo de Inês, pudemos apreciar a delicadeza da estátua jacente,onde já se vê Inês coroada Rainha ( D. Pedro cumpriu a sua promessa), o baldaquino, a luva e o colar que estão nas mãos de Inês, que nos permitem perceber que estamos diante de uma verdadeira rainha, os anjinhos, o cão pequenino aos seus pés… e depois a história lendária que são os assassinos de Inês que estão sob o seu túmulo.  Podemos ainda sentir o amor que se sente no ar …. pois o amor de Pedro e Inês era tão forte e puro que se eternizou nas paredes do Mosteiro.

De seguida fomos visitar o Mosteiro e as suas dependências… para as crianças  compreenderem como era o dia-a-dia dos monges cistercienses.

Foi uma manhã cheiinha de História e de Amor.

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