quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Violeta… a menina que regava o mundo com ideias.

 

 

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Era uma vez... uma menina chamada Violeta que morava num reino muito, muito estranho.

Os habitantes deste mundo rodeavam as suas casas com muros gigantescos de pedra e fechavam -se às sete chaves.

Quando saíam à rua levavam sempre uma máscara dourada na cara, ordem do Rei Leopoldo  III.

As pessoas não podiam tocar nas as árvores nem nas plantas...nem dar beijos, braços e rir às gargalhadas , por decreto real, realíssimo  de sua alteza .

Mas, o mais estranho era que a palavra porquê tinha sido banida do dicionário...

Violeta achava que tudo isto era uma parvoíce, mas parecia que minguem dava por ela !

Até, os seus pais pareciam enfeitiçados pela parvoíce.

- Violeta, não te esqueças de pôr a máscara e de não tocar em nada que vejas no teu caminho e não fales com minguem que se cruze contigo.

  Tudo isto era  normal e natural,  neste reino distante, dizia-se que sempre assim fora e que sempre assim será...

Mas Violeta, não conseguia resignar-se. Um dia, correu para o bosque proibido, tirou a máscara, tocou nas árvores, sentiu o cheiro das plantas, a brisa do vento e deitou-se na relva. Enquanto ali esteve deitada, pensou " como era bom sentir-se livre e apanhar o sol  quentinho na cara" .

De repente, ouviu um barulho de carruagens e escondeu-se por entre os arbustos.

Para seu espanto, viu o Rei, a Rainha, os príncipes, as princesas, as aias e amigos, sem máscaras, a rir e a correr pelo bosque  proibido.

Violeta pensou" eu bem que sabia que todas estas regras eram uma fantochada". Saiu de trás dos arbustos e dirigiu-se para o Rei.

- Sua Alteza Real vai ter de me explicar o que está aqui a acontecer?

O Rei ficou vermelho, os olhos quase saíam das orbitas e a boca abriu-se de espanto.

-Quem és tu ? Que ousas desrespeitar as leis?

- Eu sou a Violeta...

O Rei cada vez mais furioso disse:

- Onde está a tua máscara e o que  fazes aqui no meio deste perigo proibido!

- Ora, ora, o mesmo que sua Alteza aproveito o quentinho do sol, respiro o ar da Natureza e o perfume delicioso das plantas.

O Rei apercebeu-se que já não iria conseguir calar a Violeta e pediu-lhe para esperar, enquanto ele fazia uma reunião de emergência com os ministros.

Enquanto aguardava, Violeta pensava qual seria melhor maneira de acabar com estas crenças ridículas e acordar "as pessoas do seu sono profundo ".

O Rei com ar muito importante disse:

- Violeta, eu te nomeio pensadora do Reino , a partir de hoje és a responsável por ajudar agitar as mentes das pessoas.

No dia seguinte, Violeta mandou os mensageiros perguntar por todo o Reino:

-Porque razão colocam as máscaras douradas todos os dias ?

As pessoas olharam umas para as outras, voltaram olhar, encolheram os ombros  e disseram em coro:

-Porque o Rei mandou!

Os mensageiros, que já tinham sido avisados que seria esta a resposta, voltam a perguntar:

-Mas, porquê?

O povo aflito disse:

- Mas essa palavra não existe, é proibida por lei!

-Mas, porquê?

Foi então, que algumas pessoas se questionaram pela primeira vez:

-Sim...porquê!!!

Arrancaram as máscaras e  riram às gargalhadas... Devo-vos dizer que aquele país distante  nunca mais foi o mesmo...tudo graças a Violeta, a menina que regava o mundo com ideias

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Aprender com a História.

 

Hoje, uns alunos meus, ao abordarem a filosofia iluminista, leram-me algumas frases que se encaixam na perfeição na nossa realidade.
Uma, chamou-me a atenção em particular, por se encaixar tão intrinsecamente na nossa sociedade portuguesa.

“ É difícil libertar os tolos das amarras que eles veneram”

domingo, 27 de novembro de 2011

Deixem as crianças ser crianças…

 

  Nos nossos dias, exigimos demasiado das crianças, estamos lhe a retirar o tempo para brincar, para sonhar, para serem simplesmente crianças.

Queremos que elas sejam as mais espertas, melhores alunas, melhores atletas, mais bonitas, para que nós adultos, nos possamos gabar uns aos outros. Muitas vezes, esquecemo-nos que eles têm vontade própria e que não são nossos clones.

Nós temos é que nos preocupar com a verdadeira felicidade das crianças, saber o que lhes faz brilhar os olhos, sorrir com a boca toda e  chorar a rir . Devemos ensiná-las a lidar com as emoções, com as frustrações, a serem tolerantes, altruístas e interventivas. Deste modo estaremos a criar crianças  verdadeiramente felizes e autónomas.

Aqui fica um excerto de uma entrevista de Eduardo Sá, que aborda a necessidade das crianças serem crianças.

Disse um dia que as crianças estão em vias de extinção…

Estão. Não digo isso pelo facto de o Governo e a oposição as terem transformado numa espécie de conta poupança reforma. Acho até divertido que se fale de tudo e mais alguma coisa nas várias campanhas – presidenciais incluídas – e as questões das crianças e a política de fundo para a família nem sequer exista. Portanto, o que é que a mim me preocupa? Preocupa-me esta ideia complemente absurda de crescimento, que dá a entender que as crianças têm que ser jovens tecnocratas de fraldas antes dos seis, têm que ser jovens tecnocratas de mochila depois dos seis e têm que ser jovens tecnocratas de sucesso ao entrarem na universidade para que, finalmente – como se fosse uma linha de montagem –, saíssem todos mestres. Mestre é a designação mais vergonhosa que eu já vi para um título académico, porque é um título que reconhecemos aos sábios.

Andamos a enganar os jovens?

Isto é o cúmulo da publicidade enganosa. Explicar a miúdos com 22 e 23 anos que são mestres, de maneira a esperar que eles sejam, de preferência, ídolos antes dos 30… Anda toda a gente num registo eufórico e doente, que não percebe que as pessoas precisam de tempo para crescer. Acho engraçadíssimo quando dizem com orgulho que no jardim-de-infância há crianças que já sabem ler e escrever, mas não é isso que as torna mais sábias. Às vezes, as pessoas confundem macacos de imitação com crianças sábias. Acho engraçadíssimo quando as crianças não podem errar – eu julgava que errar era aprender. Mas não: as crianças têm que ter notas que são insufladas sabe Deus pelo quê. Vivem empanturradas em explicações. Se os pais puderem utilizar todo o tempo que a escola coloca ao serviço das famílias, elas podem passar 55 horas por semana na escola… Estamos a espatifar a infância das crianças, a espatifar a adolescência e, depois, com um olhar absolutamente cândido, dizemos que elas têm défice de atenção.

excerto de uma entrevista de Eduardo Sá

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Momentos com as crianças…

 

Era uma vez… Reis e Rainhas, Príncipes e Princesas , Cavaleiros  e outras figuras de pasmar.

Lendas, Histórias Verdadeiras, outras de Encantar .

Com um passe de magia, as crianças entram para mundos de encantar.

Florestas mágicas, barcos de piratas, castelos reais, momentos de paixão e  milagres de pasmar .

Por todo este mundo as crianças vão poder passar.

 

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A sabedoria dos Índios

Os índios têm um profundo respeito pela Natureza e possuem uma sabedoria ancestral, que nós ocidentais desprezamos em prol de valores egoístas, consumistas e economicistas.

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Não temos medo dele. Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras. Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles nos transmitiram esse conhecimento.
"Observa, escuta, e logo atua, nos diziam. Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais para ver como cuidam de seus filhotes.
Observa os anciões para ver como se comportam. Observa o homem branco para ver o que querem. Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos, e então aprenderás. Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar"

“Deveriam pensar nas vossas palavras como se fossem sementes. Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio. Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la. Existem muitas vozes além das nossas. Muitas vozes. Só vamos escutá-las em silêncio.”
"Neither Wolf nor Dog.
On Forgotten Roads with an Indian Elder" – Kent Nerburn

domingo, 6 de novembro de 2011

Na Revista Educadores de Infância

Aqui fica um excerto, do meu artigo deste mês, na revista Educadores de Infância:

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histórias da História e outras de encantar

Se recuarmos até à Grécia Antiga, as histórias serviam para explicar o inexplicável, para glorificar as epopeias dos heróis, e as façanhas dos deuses. Era assim, que as crianças aprendiam a ser virtuosas e se consciencializavam do seu papel na construção de uma sociedade melhor.

Os tempos mudaram… a ciência evoluiu, as tecnologias triunfaram, mas crianças continuam a amar as histórias. Temos por isso, de tirar partido dessa magia que as histórias contêm, e através delas, mostrar a beleza e a riqueza da nossa História. As crianças ainda desconhecem o carácter pedagógico e heroico da grande parte das figuras e do povo anónimo que lutaram para a construção do nosso país.

Urge por isso, contar-lhes …

Vanda Furtado Marques

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A menina que partiu o coração em mil pedacinhos

 

Menina coração sangrando

Era uma vez uma menina … que tinha crescido com o vento, sorrido com as estrelas, voado com os passarinhos e que amava o sol , a lua, as fadas e a liberdade.

Esta menina tinha umas tranças ruivas e uma pintinhas na cara, que dizia ela, serem eram feitas de pó mágico das estrelas.

Um dia, esta menina acordou triste, tão triste que nem conseguiu dizer “ Bom dia sol”.

Mas a tristeza era tão forte  que o gatinho lá de casa lhe perguntou:

- O que tens minha amiga?

- Acho que parti o coração em mil pedacinhos…

- Tens a certeza!, não terá sido só em dois ou em três?

- Não, gatinho, eu sinto os mil pedacinhos por todo o corpo, e agora?

O gatinho e a menina sentaram-se um pouco, para tentar arranjar uma solução, foi aí que o gatinho miou bem alto, MMMMMMMMMMMMMMMiauuuuuuuuuuuuuuuuu

- Ai que susto! tiveste alguma ideia?

- Sim. Vamos buscar fita- cola e tu com muito cuidado reúnes os pedacinhos e voila!

- És mesmo totó, achas que isso era possível!

O gatinho voltou a ter uma outra ideia brilhante e miou bem alto,MMMMMMMMMMMMMMMMmiaaaauuuuuuuuuuuuuuuu

- Pará gatinho, que ainda me partes o resto dos pedacinhos.

Mas, eu já sei, quando é que o teu coração se partiu?

- hummmmmm! achas que é mesmo preciso eu dizer?

- Claro, conta-me…

- Eu ia a caminhar pela rua e vi uma mãe que lhe escorriam as lágrimas pela cara, um bebé com os olhos tristes, um pai de cabeça baixa e ombros encolhidos, uma avó com o olhar perdido, fiquei tão surpreendida com esta multidão de gente cabisbaixa, que perguntei:

- Alguém me pode dizer o que se passa?

Foi, então que um menino se aproximou de mim e me disse:

- Tu não sabes?

- Não sei o quê!

- Não ouviste a mensagem do governo real?

- Não, fui fazer um piquenique como meu gatito e não ouvimos nada!

- O governo real, decretou que a partir de hoje, acabaram-se os sonhos, a esperança, os sorrisos e até os piqueniques . De hoje em diante teremos que nos sacrificar em nome do governo real e de toda a realeza.

O menino continuou a andar, completamente resignado, tal como todos os que passavam por mim

- Eu não quero aceitar… eu sou filha do vento, amiga da lua e tenho na minha face, o pó das estrelas.

Estás a ver gatito, foi aí que o meu coração se começou  quebrar… primeiro em dois e depois em três, em quatro e à medida que estas ideias iam percorrendo o meu corpo, ele foi-se estilhaçando.

O gatito ouviu a história com toda a atenção, e a suas orelhas giravam a cem hora para encontrar uma nova solução.

O gatito teve  outra ideia brilhante, mas desta vez, não miou.

- Vamos ao médico dos corações, ele de certeza que sabe o remédio ideal!

Lá foram, o gatito e a menina ao médico dos corações, fizeram-lhe exames, auscultaram-na, virara-na do avesso…mas, nada, não conseguiram juntar os pedacinhos. A menina já vinha convencida que tinha uma doença incurável.

Mas, o gatito era muito teimoso e bichanou-lhe ideias e palavras de sonho e jurou-lhe que ninguém no mundo nos pode impedir de ser feliz.

Os pedacinhos foram-se unindo e o coração  voltou a palpitar todo juntinho e aconchegadinho no peito da menina

O gatito ronronou de felicidade e aconchegou-se no colo da menina. 

E foram felizes para sempre… se um dia os sapatinhos de manteiga da menina e do gatito não se derreterem pelo caminho, irão visitar-vos.

 

de Vanda Furtado Marques

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