domingo, 29 de novembro de 2009

A importância das palavras

Quem melhor que Eugénio de Andrade para nos fazer sentir  o poder das palavras

As palavras

São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Fátima, a menina cor de chocolate escuro

Fiz esta história para a Fátima a minha afilhada que vive na comunidade de Momola em Moçambique.

Há muito, muito, pouco tempo, numa aldeia em África vivia uma mãe e uma menina.

Nesta aldeia o chão era de terra, não havia televisão, casas de banho, computadores, nem lojas de brinquedos.

Por outro lado, havia um calor bom, animais selvagens, poças de água para brincar e muita terra para fazer bolinhos.

Nesta aldeia as mães e as filhas gostavam muito de estar juntas e conversar:

-Mãe, mãe porque é que nós somos castanhos?

-Ora, Fátima, tu já viste cor mais bonita que o castanho?

-O castanho é a cor dos quadradinhos de chocolate e da terra que nos dá alimento.

-Sim, Mãe, mas eu gostava de ser branca. O branco é a cor da neve e das pombas da paz. Tu já viste que coisa mais maravilhosa?

- Ó meu amor, a cor da nossa pele não é o mais importante, o que é mesmo, mesmo importante é o nosso interior.

- Ah! Sim, os pulmões, a barriga de dentro e o coração?

- Não, minha querida, o nosso interior, é a nossa capacidade de fazer coisas boas e ajudar os outros, mesmo quando por vezes estamos tristes ou zangados.

- Já estou a perceber, eu às vezes fico zangada contigo, porque me mandas ir buscar água ao poço… mas depois olho para ti e estás tão cansada, que agarro nos meus pés descalços e lá vou eu.

- Isso mesmo , minha filha!!!

Mãe e filha continuaram a conversar e só foram para casa quando o sol já estava a esconder-se por entre as montanhas.

Naquela aldeia, nenhuma filha se ia deitar sem uma boa conversa e uma história de encantar.

Digo-vos, muito a sério, naquela aldeia havia paz e harmonia…

escrito por Vanda Furtado Marques

terça-feira, 24 de novembro de 2009

D. Fuas voltou a Porto de Mós

A escritora e também professora, Vanda Furtado Marques apresentou o seu novo livro aos pequenos portomosenses, no passado sábado.

A Biblioteca Municipal recebeu duas sessões, uma vez que a sala tornou-se pequena para acolher tanta gente, na única sessão prevista.

O livro infantil intitulado “D. Fuas Roupinho” conta a lenda deste nobre cavaleiro português e o milagre da Nossa Senhora da Nazaré, onde enquadra e muito bem o belo castelo de Porto de Mós.

O livro, com a ilustração de Gabriel Colaço, faz parte da Colecção “Contado aos Pequenotes”, que a escritora lança sob a chancela da editora “7 Dias / 6 Noites”.

Vanda Maria Furtado Marques nasceu em 1969, é licenciada em História pela Universidade de Coimbra, e publicou, até agora 6 Livros: “O Amor de Pedro e Inês”, “O Milagre de Isabel e Dinis”, “A Padeira de Aljubarrota”, “A Lenda da Fonte da Senhora” e “D. Fuas Roupinho”.

sábado, 21 de novembro de 2009

O meu amor pelas histórias

 

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Acho que desde que nasci que as histórias circulam nas minhas artérias e bombeiam o meu coração.

Até acho que eu e as histórias… nascemos no mesmo Hospital.

A determinada altura perdemos-nos e cada uma, foi para o seu lado.

Então eu corri o mundo, saltei montanhas, percorri atalhos, embati contra paredes… baralhei-me e até fiz nós.

Até que um dia, presas a um fio, lá vinham as histórias.

Abraçámos-nos, jurámos amizade eterna, jogámos às escondidas e ao rei manda.

Hoje, andamos sempre juntas, e o nosso sonho é fazer cócegas na imaginação das crianças e segredar-lhes:

Sonhem com mundos de algodão doce onde reis e rainhas, cavaleiros e heróis são vossos amigos.

Ah! e não se esqueçam…

Se os sapatinhos de manteiga não se derreterem pelo caminho terão o mundo das histórias aos vossos pés.

escrito por Vanda Furtado Marques

Ao grande Homem de paz- M. Luther King

 

 

 

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“É melhor tentar, ainda que em vão, do que sentarmo-nos e não fazer nada até o fim.
  Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
  Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver”

 

“Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.”

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Menina bonita do laço de fita

A primeira vez que ouvi esta história foi através do Contador de Histórias Elcio de Trento.

Acheia- a linda…

Entretanto conheci pela net uma contadora de histórias brasileira Eliana   Cavalcanti  (   http://contandoradehistorias.blogspot.com/)   que me enviou muita coisa bonita,entre elas, lá vinha a menina bonita de laço de fita.

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Era uma vez uma menina linda, linda.
Os olhos dela pareciam duas azeitonas
pretas, daquelas bem brilhantes.
Os cabelos eram enroladinhos e bem negros, feito fiapos da noite. A pele era
escura e lustrosa, que nem o pêlo da
pantera negra quando pula na chuva.

Ainda por cima, a mãe
gostava de fazer
trancinhas no cabelo dela
e enfeitar com laço de fita colorida. Ela ficava parecendo uma
princesa das Terras da África, ou uma
fada do Reino do Luar.

Do lado da casa dela morava um
coelho branco, de orelha cor-de-rosa,
olhos vermelhos e focinho nervoso
sempre tremelicando. O coelho achava
a menina a pessoa mais linda que ele
tinha visto em toda a vida. E pensava:
- Ah, quando eu casar quero ter uma
filha pretinha e linda que nem ela…

Por isso, um dia ele foi até a casa da
menina e perguntou:
- Menina bonita do laço de fita, qual
é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu caí na tinta
preta quando era pequenina..
O coelho saiu dali, procurou uma lata
de tinta preta e tornou banho nela.
Ficou bem negro, todo contente. Mas
aí veio uma chuva e lavou aquele pretume, ele ficou
branco outra vez.

Então ele voltou lá na casa da menina
e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é
teu segredo pra ser tão pretinha?

A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu tomei muito
café quando era pequenina.
O coelho saiu dali e tomou tanto café
que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi. Mas não ficou nada
preto.

Então ele voltou lá na casa da
menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de
fita, qual é teu segredo pra ser tão
pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu comi muita
jabuticaba quando era pequenina.

O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba
até ficar pesadão, sem conseguir
sair do 1ugar. O máximo que
conseguiu foi fazer muito cocozinho
preto e redondo feito jabuticaba.
Mas não ficou nada preto.

Por isso, daí a alguns dias ele voltou lá na
casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual
é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia e já ia inventando
outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela,
que era uma  mulata linda e risonha, resolveu se  meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha…

Aí o coelho - que era bobinho,
mas nem tanto - viu que a mãe da menina
devia estar mesmo dizendo a verdade, porque
a gente se parece sempre é com os pais, os tios,
os avós e até com os parentes tortos.
E se ele queria ter uma filha pretinha e
linda que nem a menina, tinha era que procurar uma coelha preta para casar.

Não precisou procurar muito.
Logo encontrou uma coelhinha escura
como a noite, que achava aquele
coelho branco uma graça.

Foram namorando, casando e tiveram
uma ninhada de filhotes, que coelho
quando desanda a ter filhote não pára mais.

Tinha coelho pra todo gosto: branco,
bem branco, branco meio cinza,
branco malhado de preto, preto
malhado de branco e até uma coelha
bem pretinha. já se sabe, afilhada da
tal menina bonita que morava na casa
ao lado.

E quando a coelhinha saía, de laço
colorido no pescoço, sempre
encontrava alguém que perguntava:
- Coelha bonita do laço de fita, qual é
teu segredo pra ser tão pretinha?
E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha madrinha.

História de Ana Maria Machado

As três irmãs

                                                                                                                         

                                                                                              

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Era uma vez… três irmãs gémeas, filhas do mesmo pai e da mesma mãe.

Só que, uma era morena como os lápis de carvão , a outra era branca como os ursos polares, e a outra ainda, era ruiva como o sol nos dias de verão.

Quando elas nasceram os pais ficaram com os olhos em bico e as bocas torçidas:

- Como era possível as três bebés serem tão diferentes?

De ínicio, ainda tentaram dar algumas explicações meio absurdas:

- Ah!, é de famíla , já o meu irmão teve duas filhas, uma branca e uma amarela!

- Oh, é normal, a mais morena saí a tia-avó, a ruiva ao primo e a branca, é igualzinha a nós.

Com o tempo, as pessoas deixaram de se questionar, e as gémeas foram crescendo forte e sádias.

Tal como eram diferentes por fora, também o eram por dentro.

A morena, adorava o mar, não havia um único dia que não sonhasse  ser sereia.

A branca adorava o frio, não havia um único dia que não sonhasse viver no Polo Norte.

A ruiva adorava a Natureza, não havia um único dia que não sonhasse ser a princesa das flores.

Os pais, por vezes tinham algumas dificuldades em gerir estas diferenças.

Quando chegava ao fim de semana e queriam ir passear juntos, começavam as dificuldades.

-Hoje, vamos à praia , dizia o pai

- Naaaaõ!.. - dizia a branca e a ruiva.

Depois lá vinha a mãe, com uma outra proposta:

- Que tal, irmos fazer um piquenique na floresta?

- Naaaaõ!.. - dizia a branca e a morena!..

Por fim ainda tentaram os dois juntos:

- Vamos patinar no gelo!..

Naaaaõ!..- dizia a ruiva e a morena.

Depois ficavam todas amudas a bater com o pé e com os braços bem cruzados sobre o peito.

Mas como os pais tem uma paciência especial de corrida e sabem fazer milagres do nada,

disseram:

- Já sabemos… hoje vamos à praia de manhã, almoçamos na floresta e à tarde vamos patinar no Gelo!..

-Boa!.. Boa!.. , disseram as três, obrigado mamã, obrigado papá.

Nesta família, todos foram aprendendo a viver com as diferenças e até tirar partido delas.

 

escrita e criada por Vanda Furtado Marques

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TUDO QUE DEVIA SABER...APRENDI NO JARDIM DE INFÂNCIA!

 

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Hoje veio-me parar às mãos este texto, fique a pensar nele.

Realmente, nós temos tudo dentro de nós, por vezes, só precisamos

de parar um pouco e deixar que os ensinamentos venham à flor da pele.

Não resiste em deixá-lo aqui no blog:

Grande parte das coisas que preciso de saber sobre a vida,

sobre o que fazer e como ser, aprendi no jardim de infância...

A sabedoria, afinal, não estava no topo de uma montanha chamada Universidade

mas sim na caixa de areia da minha escola.

Eis as coisas que aprendi:

a compartilhar... a não fazer batota...

a não magoar os outros... a arrumar o que desarrumei... e a limpar o que sujei.

A não tirar o que não me pertence, a pedir desculpa quando magoo alguém.

A lavar as mãos antes de comer. A puxar o autoclismo.

Aprendi que o leite faz bem à saúde.

Aprendi a aprender, a pensar e também

que desenhar, pintar, cantar e dançar era bom...

a dormir a sesta... a ter cuidado com o trânsito ... a dar a mão, a ser solidário.

Vi a semente a crescer no copo de plástico;

as raízes descem e a planta sobe, embora não saiba porquê, gosta-se.

Os peixes dourados, os hamsters, os ratinhos brancos...

(e mesmo a planta no copo de plástico) morrem. Nós também.

E lembro-me dos primeiros livros, da primeira palavra que aprendi: OLHA!

É isso que tenho feito sempre.

Se todos - em todo o mundo - tivessem tomado

um copo de leite às quatro da tarde,

depois de terem dormido a sesta,

o mundo estaria bem melhor.

Ou se houvesse uma política de base no nosso país - e em todos os outros - de devolver o que não é nosso e de limpar o que sujamos.

E também sei que é verdade, que ainda é verdade,

que no mundo o melhor é dar as mãos...

e ficarmos juntos.

Robert Fulghum

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O que é preciso para uma criança ser feliz

 

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Mas de que precisam afinal, as nossas crianças, para serem felizese crescerem saudáveis?

De uma Playstation? De um Nintendo? De um plasma gigante no meio da sala,

de um televisor no quarto, de um telemóvel no bolso e de um hipod na mão?

De um “Magalhães” que as torne mais iguais a todos os meninos da escola?

De uma conta bancária que cresça com elas?

De uma Linha telefónica para pedir socorro, quando os pais lhes baterem?

De mais e redobrada protecção contra todos os vírus à solta?

De novas aulas de Educação Sexual, muito precoces, muito explícitas, muito práticas, muito “bem orientadas”, em salas de aula, último grito em equipamento, luz e cor?

De escolas grandes, renovadas, espaçosas, cheias de janelas basculantes, confortáveis auditórios climatizados e modernos ginásios?

Sejamos simples e descomplicados,

Que em tempos de crise – como os nossos - convém resumir as necessidades supérfluas e focarmo-nos no essencial…

Sejamos simples e descomplicados…

Convenhamos que tudo isto pode fascinar, atrair e “encher o olho”…

Até dar votos e pôr as crianças a rir durante algum tempo…

Mas aquilo de que cada criança, verdadeiramente, necessita para ser feliz é de…

Ter um pai e uma mãe que procurem amar-se e entender-se,

Não a prazo, mas para sempre,

Pais com trabalho, sim, mas também com tempo para ser família,

Pais que se esforcem por estar de acordo sobretudo quanto à sua educação…

Que lhe dêem carinho, atenção e segurança,

Que a motivem e apoiem com o seu aplauso e louvor,

Que a corrijam com ternura e firmeza,

Que - se possível - a acompanhem nos seus estudos, dificuldades e progressos,

Que sempre confiem nela,

E que ela possa sempre confiar neles,

Que a preparem para enfrentar perigos e desafios,

Mas não a superprotejam, nem a abafem,

Que lhe ensinem a conquista gradual da liberdade,

mas sempre assente na responsabilidade,

Que a encaminhem para a vida em sociedade,

Facilitando-lhe laços fortes de solidariedade,

Se possível, com irmãos, avós, tios, primos e amigos.

Enfim, que lhe ofereçam diariamente – qualquer que seja a sua idade –

Bons exemplos, valores, convicções e uns braços sempre abertos

Para a acolher e abraçar,

Quando houver dores e tormentas,

ou simples alegrias a partilhar!

(in APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Alerta chocante sobre a fome no mundo

 

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O secretário geral da ONU, Ban Ki- Moon fez um alerta chocante, hoje na cimeira em Roma, cujo

o objectivo é dar um novo impulso contra a fome e subnutrição- “ Só hoje vão morrer de fome cerca

de 17 mil crianças.”

Esta notícia deixa-me extremamente chocada .

Vivemos num mundo tão injusto, onde milhares de  crianças morrem por não ter um único alimento e outras vivem na abundância e não dão valor a nada.

Estas situações fazem-me doer o coração …

domingo, 15 de novembro de 2009

Fim de Semana de solidariedade

Foi com muita satisfação que eu e a minha colega Patrícia, e um grupo de alunos maravilhosos,  colaborámos  na recolha do Sorriso Amigo em Turquel, onde a adesão foi fantástica.

Ainda bem que temos  grupo de professoras e de alunos de boa vontade a trabalhar nesta Associação de Voluntariado.

Para quem não conhece o Sorriso Amigo, aqui fica alguma informação :

“A Associação de Solidariedade Sorriso Amigo volta este fim-de-semana, 14 e 15 de Novembro, aos supermercados das freguesias da Benedita, Turquel e Vimeiro para a segunda ronda da sua campanha de angariação de alimentos.
Associação está a recolher alimentos para depois fazer cabazes que serão entreguesas famílias mais carenciadas da freguesia.
Trabalhando em cooperação com o Externato Cooperativo da Benedita, o Sorriso Amigo tem como objectivo ajudar os alunos mais carenciados, e suas famílias, bem como idosos e outras famílias das freguesias referidas. “

Quem resiste a este D. Fuas?

 

D. FUAS ROUPINHO

A pedido da Professora e escritora Vanda fiz mais um boneco com História.
Desta vez é o Cavaleiro D. Fuas Roupinho e o seu cavalo, Alcaide do Castelo de Porto de Mós, que segundo diz a lenda , quando perseguia um veado no Sítio da Nazaré onde caçava, o animal  saltou o precipício e ele aterrorizado disse:
- Valha-me a Nossa Senhora da Nazaré!
Nossa Senhora apareceu-lhe e assim se salvou o  cavalo e cavaleiro  de cair no precipício do mar.
Esta é a lenda, que a Vanda escreveu  para contar às crianças.
Este boneco serve para ilustrar quando ela vai às escolas contar a história.

Publicada por Guida em 11/14/2009 0 Bonecas

Etiquetas: Bonecos com História

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

As meninas que distribuíam corações

 

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Há muitos, muitos anos quando nós ouviamos e respeitavamos os conselhos da mãe-terra,

tudo era tão mágico.

O sol , todos os dias acordava com um sorriso de orelha a orelha, mesmo naqueles dias, em que era a irmã

chuva que tinha o privilégio de subir ao céu.

Cada um sabia esperar pela sua vez, até faziam filinha, como na Escola.

Imaginem só, que até havia o dia da chuva de corações.

Ah!.. mas esse dia era aguardado com grande ansiedade e emoção.

Nesse dias as meninas do mundo mágico, levavam cestinhas com laçinhos rosa, e corriam pela rua fora.

Quando os corações amarelos, vermelhos e cor-de rosa tocavam no chão, já havia um grupo de meninas

a aninhá-los nos seus cestinhos.

Depois, cada uma oferecia um coração … a quem precisava de amor , gratidão e paz na sua vida.

Nesse dia aconteciam verdadeiros milagres… aquelas pessoas que estavam sempre zangadas, rasgavam

sorrisos, aquelas que viviam tristes e sozinhas, descobriam  que afinal podiam ser felizes e até aquelas

que acham que tudo se resolve com a guerra,  baixavam as armas e agitavam bandeiras de paz.

Pois, mas tudo isto acontecia, quando nós sabiamos ouvir a sabedoria da mãe- terra.

escrito e criado por Vanda Furtado Marques
ilustração de Sara Teixeira- ver blog. wwwsaranaluablogspot.com

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Principezinho

 

Se gosta do Principezinho, agora poderá deliciar-se com a versão em Pop-up.

 

Sinopse: O Principezinnho - O Grande Livro Pop-up é uma das edições mais bonitas alguma vez publicadas da obra-prima de Saint-Exupéry. Nela a narrativa ganha uma nova vida, e as maravilhosas aguarelas do autor são investidas de um movimento e de uma graciosidade tais que se tornam ainda mais próximas do leitor. O principezinho, a rosa, a raposa surgem diante dos nossos olhos mais vivos e reais que nunca, prontos para arrebatar o espírito encantado das crianças e o de todos os adultos que conservam ainda intacta essa mesma capacidade de encantamento perante a beleza pura que envolve e ilumina a obra de Saint-Exupéry. 

domingo, 8 de novembro de 2009

A fadinha delicada

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Era uma vez…

Uma fada linda e delicada como porcelana da China

As roupas que vestia eram cosidas com fios de oiro e prata, vindos do interior de África.

Os seus cabelos eram penteados com pentes de marfim, vindos da Índia.

E os sapatinhos vermelhos, eram feitos de manteiga da Holanda.

Esta fada era  tão delicada que quando o vento soprava forte..VUUU…VUUU…VUUU

dava cambalhotas e pinos sem parar.

Quando a fadinha decidia bricar na rua, todos ficavam inquietos.

-Ai! se o vento forte a leva…

-Ui!  se os seus pés delicados pisam o chão…

Ih! se o seu vestido se amarrota…

Era divertido a valer, ver como todo o reino das fadas mimava a fadinha delicada.

As papoilas esticavam-se para que os sapatinhos de manteiga não tocassem o chão.

O sol aproveitava para pôr a conversa em dia com ovento, não fosse ele lembrar-se de soprar.

As borboletas com as suas maozinhas de pó de perlimpimpim iam ajeitando o vestido, não

fosse ele ficar amarrotado.

Esta azáfama só parava quando a fadinha , já de noite, bem escurinho, regressava a casa.

Nessa altura todos suspiravam..ufa, ufa , agora  podemos descansar.

Mas esperem … que o lufa-lufa ainda não acabou.

A fadinha  estava no quarto, a vestir a camisa de dormir, quando pelo canto do olho

viu a lua tão grande e gorda , que não resistiu…

Abriu a janela e assobiou para a lua… uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Que confusão se criou naquela noite!!.

Afinal, como é que um ser tão delicado como a porcelana, pode ter um assobio tão forte e alto que até arrepiou os cabelos  lua?

escrito e criado por Vanda Furtado Marques
ilustração de Rebeca Dautremer

sábado, 7 de novembro de 2009

Como as Histórias criam laços entre nós

 

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Da boca do adulto ao ouvido da criança, os contos são as primeiras confidências
filosóficas. Pela primeira vez, a criança vive a experiência do universal: ultrapassa as fronteiras
estreitas do “eu”, o gueto do “ego”… As histórias criam uma ponte entre nós e os outros e
fazem-nos sair do casulo do nosso pequeno mundo.
Tornar-se adulto, escreve acertadamente Albert Jacquart no prefácio de Qui a lu petit lira
grand :" é ser-se introduzido num novelo de encontros. Sim, a leitura, aberta ao outro, cria um
extraordinário mundo de encontros, porque convida à empatia e à emoção”.

 

A  palavra-chave: emoção. É também aquela que diferencia a história do discurso
moralizador. Não se imagina a que ponto o livro é capaz de transmitir emoção. À medida que as
crianças o vão folheando, sentem a revolta da Cinderela, o medo de Branca de Neve, choram ao
ouvirem o que diz a menina dos fósforos (que lhes fala também de Deus e do que está para além
da morte).
Esta ebulição de sentimentos e emoções está bem descrita pelas palavras de  Daniel
Pennac*   em Comme un roman: Satisfação imediata e exclusiva das nossas
sensações: a imaginação expande-se, os nervos vibram, o coração bate apressado, a
adrenalina sobe...

*Daniel Pennac, Comme un roman, Paris, Gallimard, 1995.

Para saber mais sobre os contos de fadas

 

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Para quem gostar deste tema vou deixar aqui bibliografia:

 

-“Psicanálise dos Contos de Fadas” de Bruno Bettelheim , Bertrand Editora

-“No Reino das Fadas” de Maria ConceiçãoCosta , Editora Fim de Século

-“ Mulheres que correm como os lobos”de Clarissa Pinkola Estes editora Rocco

-“ Pedagogias do Imaginário”     editora  Asa

- “ A Arte de Contar Histórias” de Navcy Mellon,  editora Rocco

- “Gostosuras e Bobices” de Fanny Ardant, editora scipione

Retirados da internet:

Sobre fantasias e os contos de fadas de Sónia Porto Machado

Contos de Fadas: Histórias para crianças ou metáforas da vida humana?

Vera Lúcia Soares Chvatal

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Os meus livros e a estrutura dos contos de Fadas

 

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Cada vez que escrevo uma história para as crianças  tento  orientar-me  pela  estrutura dos

contos de Fadas.

Os contos de Fadas são cruciais para a formação emocional da criança, pois ajudam

as crianças a encontrar soluções para os conflitos que elas vivem no dia a dia.

Uma criança ao ouvir um conto clássico, está ouvindo não só os seus conflitos, mas os

de todos os seres humanos. Com estas histórias , a criança pode identificar-se com o heroi

e sentir-se forte para lutar, apesar dos obstáculos que vão surgindo pelo caminho.

A criança apercebe-se que vale a pena lutar, pois no final emergirá a vitória.

A estrutura dos contos de fadas dão ainda às crianças a possibilidade de perceberem

que nós nem sempre conseguimos ser bons, às vezes somos como feras.

Nos contos clássicos, as bruxas, as feras e outros seres permitem que as crianças exorcizem

o seu medo de ser maus.

Outra  grande vantagem destas histórias é o  uso  da  linguagem simbólica que as crianças tão bem percebem e que por não ser demasiado explicita, permite-lhes compreender  e   resolver   muitos  dos seus anseios.

 

Segundo Bruno Bettelheim-“ os  contos servem como alívio de todas as pressões e não só oferece formas de resolver os problemas, mas promete uma solução feliz. Também possibilita a criança viver papéis de todas as matizes:ora é herói, ora é bandido; ora é um principe, ora é um monstro… assim vai exprimentando e optando por aquele que mais se identifica e vivendo emoções na pele de todos os personagens.

O pael dos contos de fadas é colocar alguma ordem no caos interno da sua mente de modo a poder entender-se melhor.”

Analisando os meus livros:

 

No” Amor de Pedro e Inês”, temos o herói que é  D. Pedro, que teve de passar por grandes privações,obstáculos, lutas e contenções   para   um dia poder encontrar-se com o seu grande amor, Inês de Castro.

No” Milagre de Isabel e Dinis”, temos uma menina muito nova que vai ter que ser rainha e assumir uma enorme responsabilidade.

Isabel vai ainda  ter que  ultrapassar  um   grande conflito interior- ajudar os mais pobres ou obedecer, ao Rei,  o seu marido. Neste caso vamos ter a intervenção de uma solução mágica, o milagre das rosa que vai despoletar  toda a acção e resolver a história.

Na” Padeira de Aljubarrota” temos uma heroína diferente do que era normal para a época, feia, aventureira e com seis dedos em cada mão. Para triunfar  teve de tomar uma serie   de decisões  na sua vida.  Por ser uma mulher decidida e ouvir a voz do coração  teve  um   papel crucial na nossa História de Portugal

No” D. Fuas Roupinho” temos a história  de um cavaleiro  que era forte e corajoso e que um dia ao encontrar a imagem da Nossa Senhora, se tornou invencível.  Porém ele tinha mostrar que também era forte espiritualmente e que não se iria deslumbrar.

Assim D.Fuas foi posto à prova pelas forças do mal.

Com um bom final , o Bem triunfa sobre o Mal e o cavaleiro é salvo pela sua fé interior.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sabedoria infantil

 

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- Relâmpago é um barulho rabiscando o céu.

- Palhaço é um homem todo pintado de piadas.

- Sono é saudade de dormir.

- Arco-íris é uma ponte de vento.

- Deserto é uma floresta sem árvores.

- Felicidade é uma palavra que tem música.

- Vento é ar com muita pressa.

- Cobra é um bicho que só tem rabo.

- Alegria é um palhacinho no coração da gente.

- Avestruz é a girafa dos passarinhos.

- Calcanhar é o queixo do pé.

O encantamento nas crianças

 

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Hoje fui contar a história do D. Fuas e normalmente caracterizo-me de princesa.

Contei-lhes que  tive o privilégio de conhecer o D. Fuas, e por eles ser um grande amigo,

honrou-me com a responsabilidade de guardar o elmo e a espada, com que ele lutava contra os maus.

Depois envolvio-os na história deste grande cavaleiro e eles de olhitos esbugalhados iam ouvindo

atentamente a história.

Ainda os armei cavaleiros, e meninos e meninos quiseram exprimentar o elmo e pegar na espada

de esponja( para eles era verdadeira).

Entretanto os meninos foram lanchar e eu despi a pele de princesa e vesti-me de Vanda.

Quando cheguei ao pé deles olhavam-me muito atentos, até que uma mennina me disse:

- Ah!, mas afinal tu és uma pessoa?

Dizia um outro:

És ou não uma princesa?

 

Esta magia que as crianças possuiem dentro delas , deixa-me maravilhada

Temos que nos preocupar com o cultivo das qualidades humanas.

 

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Vamos agora olhar para nossa história enquanto civilização: o que vemos? Vemos que o homem, principalmente no último século, concentrou-se muito no desenvolvimento da ciência e tecnologia, o que sem dúvida melhorou nossas condições materiais de vida. Porém, visando o conforto exterior, o ser humano foi deixando de lado seu plano interior, esquecendo-se que é corpo, mente e espírito (MORAES,2003).
Esse enfoque tecnicista fragmentou a educação, priorizando o acúmulo de conhecimento, a competição cerrada, o que provocou uma desestruturação do ser humano que, por sua vez, se reflecte na realidade violenta de nossa sociedade. Estamos no meio de uma perigosa crise de valores.
E assim vamos abrindo caminho para a violência que, sorrateira, nos espreita. Muitos são os flagrantes de intolerância, frieza, transgressão da ética e moral.  As nossas crianças estão perdidos porque muitos de nós, adultos, também perdemos o rumo, sem saber para onde ir no rumo da vida. É como se a tênue linha divisória entre o bem e o mal, entre o certo e o errado se  estivesse  apagando.
Então culpamos o stress do quotidiano, a má influência dos media, as más companhias, drogas, pobreza, imoralidade... É claro que tudo isso contribui para o quadro actual. Mas por que, por exemplo, nossos jovens estão infelizes, buscando auto-realização no limite, no extremo e perigoso, no comportamento desregrado? Por que nossas crianças têm apresentado comportamentos com os quais não sabemos lidar, cada vez mais rotulados como hiperatividade, déficit de atenção, depressão, transtorno de separação na infância, ansiedade infantil, sendo essas crianças medicadas cada vez mais prematuramente?
Isso tudo é sinal de que nós, adultos, estamos falhando em algum lugar na formação adequada do carácter deles.
Quando questionamos estas coisas, devemos compreender que o comportamento de nossos pequenos é um reflexo da formação recebida em casa e na escola, da falta de respeito pelo outro, do desconhecimento de limites, da ausência de disciplina e da inversão de valores presente na nossa sociedade que gera desestruturação nos nossos lares e com a qual acabamos por nos habituar.
Se a educação que fornecemos às nossas crianças enfatiza o desenvolvimento intelectual sem se preocupar com o cultivo das qualidades humanas, os meios de comunicação levam os indivíduos a modos padronizados de pensar, de agir, de consumir. Um grande domínio é assim exercido sobre nós, pequenos e grandes, e então paramos de questionar! (MOWEN, 2003).

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