sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Inês de Castro e a Branca de Neve eram amigas das histórias…

O Amor de Pedro e InêsBranca de Neve

Nunca eu tinha pensado nesta comparação, até uma menina de quatro anos, me dizer…

Estava eu a ler o livro da minha autoria “O Amor de Pedro e Inês” no Jardim de Infância do Casal Pardo -Alcobaça, quando a determinada altura:
- (…) “Pedro vai mandar construir o túmulo mais belo do mundo inteiro para a sua amada Inês”

Como as crianças que estavam a minha frente, eram pequeninas expliquei-lhes o que era um túmulo.
Foi então, que uma menina me disse:

- “Não precisas de explicar mais, um túmulo é uma caixinha branca onde a Branca Neve estava deitada. O príncipe da Branca de Neve também lhe dá um beijo apaixonado e eles, também ficam felizes para sempre.”

Na ideia desta pequenita, a Branca de Neve e Inês de Castro eram amigas e os príncipes delas eram muito apaixonados.

Ambas eram princesas, viviam num castelo e tinham um grande, grande amor.

A visão das crianças é formidável…

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Conversas em volta do 25 do Abril

Hoje na Escola Básica do Valado dos Frades, o tema foi o 25 de Abril.

Eu contei uma história…

Onde as pessoas que viviam num país triste e cinzento, se sentiam aprisionadas pelas forças do poder , onde meninos e meninas não partilhavam a mesma Escola, nem tinham os mesmos direitos…

As crianças leram poemas, cantaram a Grândola Vila Morena e falaram dos valores de Abril.

As professoras foram buscar histórias às suas memórias e todos juntos falámos do grande tesouro, que é a Liberdade.

Dia da Liberdade

Digam adeus ao Salazar
a liberdade chegou
o 25 de Abril
começou.

Estavam todos
contra o presidente
e ele pensava que todos
lhe liam a mente.

Aquele António
acabou a sua carreira
parece-me que ele
fez mesmo asneira.

Escola:
E.B.1 de Valado dos Frades

Turma: 5V- 4º ano

Professora:
Margarida Vasco Portugal

Democracia

No 25 de Abril
Salazar deixou de mandar
houve uma grande revolução
e vieram outros para o seu lugar.

No 25 de Abril
houve canções no ar
ficaram todos felizes
porque Salazar deixou de mandar.

Como a canção diz
o povo é quem mais ordena
deitou abaixo o governo
e a revolução não foi pequena.

No 25 de Abril
deitaram-se foguetes no ar
as pessoas vieram à rua
para dançar e cantar.

Escola:
E.B.1 de Valado dos Frades

Turma: 5v- 4º ano

Professora:
Margarida Beatriz Guerra

terça-feira, 27 de abril de 2010

“D. Nuno, o Santo Cavaleiro” foi notícia na Gazeta das Caldas

Vanda Furtado Marques lança “D. Nuno, O Santo Cavaleiro”

D. Nuno, o Santo Cavaleiro - Edição Bilingue“Vanda Furtado Marques tem um novo livro que será lançado amanhã, dia 24 de Abril. Desta vez é D. Nuno Álvares Pereira a personagem histórica que a escritora alcobacense vai apresentar aos mais pequenos na sua 6ª obra infantil.

Num livro colorido, ilustrado por Gonçalo Colaço (que já ilustrou o livro “D. Fuas Roupinho”), Vanda Furtado Marques transforma em história de encantar os feitos do Santo Condestável, o bravo cavaleiro que liderou o exército português na Batalha de Aljubarrota, conseguindo a vitória sobre os castelhanos. A sua devoção e generosidade viriam a fazer com que fosse tão reconhecido como cavaleiro quanto como santo. Acabaria por ser beatificado em 2009 pelo Papa Bento XVI.

Para lançar este novo livro a escritora alcobacense não podia ter escolhido local mais apropriado – o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota. O lançamento está marcado para as 16h00 e a autora promete levar miúdos e graúdos “para reinos de fantasia e emoção”.

escrito por Joana Fialho

domingo, 25 de abril de 2010

Viva o 25 de Abril

Artigo interessantíssimo…

Salgueiro Maia e o Mestre de Avis

Salgueiro Maia e o Mestre de Avis

Em 25 de Abril de 1974, o capitão Salgueiro Maia foi o principal rosto da revolta militar que levou ao derrube das forças afectas ao Estado Novo. Seis séculos antes, em 1383, o Mestre de Avis, futuro rei D. João I, encarnara a vitória do povo e da burguesia contra as intenções expansionistas de Castela apoiadas pela alta nobreza. A comparação entre as duas figuras e os dois momentos-chave da História de Portugal foi objecto de uma recente dissertação académica. Em pré-publicação, a NS’ apresenta excertos de Revolução Social de 1383 e 25 de Abril de 74 – do Putsch à Revolução, de António Sousa Duarte.

Há entre o Mestre de Avis e Salgueiro Maia um traço comum, premonitório, ao qual, mesmo em sede de análise científica, não é possível fechar os olhos e que permite estabelecer clara analogia.

Sobre o primeiro, nascido em 1357 da ligação entre seu pai, D. Pedro, e Teresa Lourenço, aia de Inês de Castro, também mulher do rei, disse uma vez D. Pedro terem-lhe dito um dia que «um seu filho de nome João haveria de montar muito alto e trazer grande honra a Portugal».

Também Salgueiro Maia, no cumprimento de uma comissão de serviço em Moçambique e ainda a cinco longínquos anos do 25 de Abril, confidenciará em certa ocasião alimentar «o sonho de descer um dia a Avenida da Liberdade num carro de combate para derrubar o Estado Novo».

Em 25 de Abril de 1974, Salgueiro Maia foi o principal rosto da revolta militar que levou ao derrube das forças afectas ao Estado Novo. Com o capitão de Cavalaria, marcharam sobre Lisboa cerca de duzentos homens que trocaram o Inverno rigoroso da Escola Prática, em Santarém, pela Primavera de milhões de compatriotas subjugados a um regime totalitário que, enfim, seria derrubado naquela madrugada.

Quase seis séculos antes, D. João I, Mestre de Avis, encarnara a vitória do povo e da burguesia sobre a classe nobre e o clero na defesa da independência de Portugal contra as encobertas intenções expansionistas de Castela e os interesses particulares das chamadas classes altas.

Num e outro momentos históricos ressalta claro o facto de que o povo não está na génese dos movimentos revolucionários que lhes deram origem.

O povo – a «arraia-miúda», os «ventres ao sol», como lhes chamou Fernão Lopes na Crónica de D. João I – só adere verdadeiramente quando os líderes revolucionários das organizações subversivas, seja em 1383 ou 1974, derrubaram o statu quo vigente e estão já na rua. E isso é tão constatável no carácter objectivo das crónicas de jornal dos dias seguintes ao 25 de Abril como no conteúdo da crónica da autoria do extraordinário historiador social que é Fernão Lopes.(…)

( Retirado do Diário de Notícias, onde pode ler integralmente)

lançamento do Livro- D. Nuno, O Santo Cavaleiro

image image

 

Foi encantador e emocionante ter tantas crianças e adultos a receberem-nos no Centro de Interpretação Batalha de Aljubarrota.

Estar a lançar o livro no local da batalha de Aljubarrota, onde D. Nuno lutou ao lado de D. João I, foi um grande, grande privilégio.

As crianças e adultos ainda puderam desfrutar do ambiente histórico que ali se respira… para mim e para Gabriel foi um dia inesquecível.

image              image image

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Amanhã D. Nuno, O Santo Cavaleiro vai fazer a delícia dos mais pequenos

 

Aparece… amanhã no lançamento do livro ( dia 24 de Abril) no Centro de Interpretação Batalha de Aljubarrota, pelas quatro horas.

 

image image

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Livro

 

O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia faleceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare.

A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de Abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.

 

image

Histórias e mais histórias no mês de Abril

Abril livros mil…

Em Abril comemora-se o dia do livro infantil e o dia mundial do livro.

A agitação foi muita… foi um corre corre, mas as crianças são o melhor do mundo.

Por elas e pelos livros eu “movo montanhas”.

BILD1540 BILD1544

Bertrand- Caldas da Rainha

 

BILD1583 BILD1593

Biblioteca de Alcochete

 

BILD1609 BILD1612

Jardim de Infância do Juncal

 

 

BILD1614 BILD1625

Biblioteca de Sobral  Monte Agraço

BILD1432 BILD1429

Jardim de Infância Grão  Ervilha  - Leiria

BILD1647 BILD1649

Jardim de Infância e Eb1 da Ribafria

sábado, 17 de abril de 2010

Lançamento do “D. Nuno, O Santo Cavaleiro”

O meu novo livro “D. Nuno, O Santo Cavaleiro”, será lançado no dia 24 de Abril (sábado), pelas 16:o0 na Fundação Batalha de Aljubarrota  em S. Jorge – Batalha.

Com ilustrações de Gabriel Colaço (também ilustrador do livro do D. Fuas)

capa D. Nuno

 

Vem conhecer o local onde ocorreu a Batalha de Aljubarrota.

Local esse, onde D. Nuno Álvares Pereira teve um papel decisivo, na história de Portugal. Iremos recuar até ao Reino de Portugal… e a magia da história irá levar-nos para reinos de fantasia e emoção.

Fico à  tua espera.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

D. Nuno Alvares Pereira

retirado de http://www.junior.te.pt/servlets/Bairro?P=FamososHistoria&ID=1343

“Nuno Álvares Pereira é um dos cavaleiros portugueses mais conhecidos da nossa história, não só pela sua bravura, mas por toda a história da sua vida.

Filho de uma família fidalga, Nuno Álvares Pereira nasceu a 24 de Julho de 1360 e tinha pouco mais de 20 anos quando se deram as suas grandes aventuras contra os exércitos castelhanos.
Com apenas 13 anos entrou para a corte do rei D. Fernando, sendo então escolhido para ser escudeiro da rainha D. Leonor Teles ao mesmo tempo que aprendia tudo sobre a guerra e as armas com um tio. Pouco tempos depois foi logo armado cavaleiro.

Aos 16 anos, em 1376, casou-se por conveniência dos pais, com D. Leonor de Alvim.

Durante a crise de 1383, provocada pela morte de D. Fernando, colocou-se ao lado do Mestre de Avis, que parecia mais preocupado em defender os interesses de Portugal do que D. Leonor Teles, a regente do reino.

D. João, Mestre de Avis, chamou-o para o conselho do governo e mais tarde, durante as cortes de Coimbra, nomeou-o Condestável do Reino, um cargo criado pelo rei D. Fernando.

Entre 1383 e 1385 liderou o exército português a várias vitórias, sendo as mais conhecidas as da Batalha de Aljubarrota e da Batalha dos Atoleiros, onde usou a técnica do quadrado.

Esta técnica baseou-se numa estratégia militar usada por Alexandre Magno em exércitos maiores, e que Nuno Álvares Pereira tinha descoberto há pouco tempo num livro. Decidiu adapta-la e resultou!

Em 1388 iniciou a edificação da capela de São Jorge de Aljubarrota e, em 1389, a do convento do Carmo, em Lisboa, onde se instalaram os frades da ordem do Carmo, no ano de 1397.

Tornou-se rico e poderoso, mas soube dividir com os seus companheiros de armas grande parte das terras que lhe foram doadas. No fim da vida, teve o cuidado de repartir também pelos netos os seus domínios e títulos.

A sua vida de soldado não acabou com a crise de 1383/85, ainda participou na conquista de Ceuta, em 1415, onde mostrou novamente o seu grande valor.

Nunca perdeu uma batalha que fosse liderada por si. Conta-se que a sua espada, que tinha o nome de Maria gravado, lhe dava a devida protecção.

Nuno Álvares Pereira acabou a sua vida ligado à Igreja.

Depois de ficar viúvo entrou para o Mosteiro do Carmo em 1423, por ele fundado, mudando o nome para frade Nuno de Santa Maria.

Por ter dedicado os seus últimos dias à Igreja e a ajudar os mais pobres, depois da sua morte, em 1431, o povo começou a chamá-lo de Santo Condestável.

Este título não era verdadeiro, mas ficou perto de o ser com a sua beatificação em 1918.

Foi mais tarde canonizado como «São Nuno de Santa Maria» pelo Papa Bento XVI no dia 26 de Abril de 2009, tornando-se verdadeiramente no «Santo Condestável».

Uma das filhas de Nuno Álvares Pereira casou com D. Afonso, um dos filhos de D. João I, dando início à Casa de Bragança, uma família que reinou em Portugal e da qual é descendente D. Duarte de Bragança.”

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O meu Novo Livro

No dia 21 de Abril, no Centro Cultural Gonçalves Sapinho, pelas 18:30 (dezoito horas e trinta minutos) será apresentado o meu sexto livro:

“D. Nuno O Santo Cavaleiro”

O ilustrador é (de novo) o Gabriel Colaço.

Estão convidados…  para mais uma aventura pela História de Portugal.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Que coisa mais ternurenta…

 

Olhem só a mensagem linda deste pequerrucho.

Vale a pena passar pelo blog feito por  eles:

pequenos-jornalistas.blogs.sapo.pt

 

image 

 

Olá Vanda Marques! Eu também gosto muito da história da Galinha Ruiva. Gosto dos sons e da música também. Sabes? Eu brinco muito com os amigos e gosto muito de ler as histórias. Quando tu contaste a história da Padeira de Aljubarrota, eu fui a Aljubarrota à feira, e o meu avô, mais o meu padrinho e mais a Marta e mais a avó e a mãe, comprámos uma enchada pequena p'ra mim. É para eu cavar a terra da horta do avô e pôr plantas. Não sei se posso ir lá à Fundação de Aljubarrota ver-te a contar outra história nova. Eu quando ia a passar vi muitos cavalos e muitos cavaleiros lá em baixo a andar nas pedras...se calhar iam matar os maus que estão escondidos...depois iam descansar...se calhar era!

Beijinhos para ti LUCAS (4 ano

Vanda Marques! Eu já sei que tens histórias para os amigos lerem! Estive a ver o livro do D. Fuas Roupinho que tem um cavalo com o D. Fuas e tem um veado na capa. Lá atrás tem casas de panos para os homens se esconderem e dormirem. Lá dentro tem o castelo de Porto de Mós. Eu gosto desta história toda! Vi o teu blogue e vi lá o sol dos Pequenos Jornalistas. Também vi os outros livros que são lindos! Também descobri uma fotografia tua no fim do livro do D. Fuas; estás lá tu e mais o Gabriel que fez os desenhos tão bonitos! Beijinhos para todos! LUCAS

Já sei escrever o nome e os meus anos sozinho!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um projecto a aplaudir

 

Fico muito satisfeita quando é possível concretizar projectos desta natureza.

Esta actividade surge no contexto, de tentar criar em Porto Mós, um serviço educativo permanente.

Este projecto está a ser  dinamizado por Rosana Silva.

image

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Padeira esteve na terra de touros e toureiros

 

A biblioteca de Alcochete, não quis deixar passar ao lado o dia internacional do livro infantil ( relembrando que foi no dia 2 de Abril que nasceu o escritor dinamarquês- Hans Christian Anderson ).

Foi uma tarde muito bem passada … entre um grupo de crianças muito curiosas e amantes da leitura.

E é assim que…

A Padeira de Aljubarrota vai espalhando as suas aventuras por terras de Portugal.

image                   image image

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uma tarde em Alcochete

 

Dia 06 de Abril de 2010 | 14h30 e 15h30 |
"À Conversa com... Vanda Maria Furtado Marques"

A Conversa com Vanda Marques image

Para comemorar o Dia Internacional do Livro Infantil, a Biblioteca de Alcochete proporciona duas sessões de convívio e partilha com a escritora Vanda Maria Furtado Marques. 

Autora de "O Amor de Pedro e Inês", "O Milagre de Isabel e Dinis", "A Padeira de Aljubarrota", "A Lenda da Fonte da Senhora" e "D. Fuas Roupinho", Vanda Marques vai partilhar algumas curiosidades sobre a sua profissão.

Outras informações

Local: Biblioteca de Alcochete

Destinatários: Crianças entre os 3 e os 10 anos.

Informações Adicionais:
Duração: 60 minutos.  

sábado, 3 de abril de 2010

AS CRIANÇAS… são generosas

Foi a primeira vez, que o meu nome, foi  mote, para uma poesia feita pelas crianças. Gostei!
Obrigado!

Veio à nossa escola
A escritora Vanda Furtado Marques
Nós gostámos muito
Da escritora.
A ilustradora também veio.

Foi uma actividade interessante.
Uma alegria.
Riscámos uma folha que se
Transformou num desenho.
A história de Isabel e
Dinis.
O Dinis tornou-se um grande Rei.

Mandou plantar um pinhal.
Abriu a Universidade.
Realizou grandes feitos. A sua
Querida rainha era
Uma senhora muito bondosa.
E até fez milagres! Era a Rainha
Santa Isabel

Texto colectivo publicado por EB1 Feteira

Boneca de pano da D. Inês da Castro

image image

Estas giras bonecas de pano são feitas pela, Susana Silva Silva, ilustradora do livro “ O Amor de Pedro e Inês”.

Quem quiser adquirir, a D. Inês de Castro, feita manualmente e com muito requinte, pode contactar com:

susanasilvasilva@gmail.com

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mensagem do dia Internacional do Livro Infantil

 Mensagem divulgada em Portugal, pela Associação Portuguesa para a promoção do livro

Infantil e Juvenil

 

image 

 

Um livro espera-te, procura-o

 

Era uma vez

um barquinho pequenino,

que não sabia,

não podia navegar.

Passaram uma, duas, três, quatro, cinco, seis semanas

e aquele barquinho,

aquele barquinho navegou.

 

Antes de se aprender a ler, aprende-se a brincar.E a  cantar. Eu e  as crianças de minha terra  entoávamos esta canção quando ainda nenhum nós, sabia ler. Nós juntavam-nos na rua  fazendo uma roda e, a despique com as vozes  dos grilos no verão, nós cantamos uma e outra vez, a impotência do barquito que não sabia  navegar

Às vezes nós construíamos barquitos do papel e íamos pô-los a navegar e os barquitos afundavam-se sem  alcançar a costa.

(…)Atrás das caixas,  num armário de minha casa, também havia um livro muito pequeno que não podia navegar porque ninguém o tinha lido. Quantas vezes eu passei ao  seu lado sem dar pela  sua existência. O barco do papel, encalhado na lama; o livro solitário, escondido na prateleira atrás as caixas de cartão.

Um dia, minha mão, à procura de algo, tocou na lombada do livro. Se eu fosse um livro, eu contava assim: “Um dia a mão de um menino roçou minha capa e eu senti que as minhas velas se desdobravam e  eu começava  a  navegar”.

Que surpresa quando finalmente meus olhos tiveram na frente, aquele objecto ! Era um pequeno livro  de capas vermelhas e de filigramas dourados. Eu abri-o expectante, como quem encontra um cofre,  ansioso para saber seu conteúdo. E não era para menos. Mal comecei   a ler compreendi que a aventura estava à minha espera: a valentia do protagonista, os personagens amáveis, os malvados, as ilustrações ( …) tudo me transportou a um mundo  apaixonado e desconhecido.

Dessa maneira, eu descobri que além de minha casa havia um rio, e que  depois  do rio havia um mar, e que no mar , à espera de partir, havia um barco.O Primeiro em que embarquei  chamou-se O Hispaniola, mas teria sido igual, se se chamasse  Nautilus, Rocinante, o navio de Simbad, a jangada de Huckleberry,….todos eles, por mais que o tempo passe, estão à espera, que olhos de um menino, desamarrem  suas velas e os façam zarpar.

Assim…  não esperes mais,  estende a  tua mão, pega  num livro, abre-o, lê:  descobrirás como na canção de minha infância, que não há nenhum barco, por pequeno que seja, que em pouco tempo não aprenda a navegar.

Eliacer Cansino

professor de Filosofia  e escritor de origem sevilhana

image

Amanhã, Dia Internacional do Livro Infantil

image

LinkWithin

Blog Widget by LinkWithin