quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Os fantoches da Carolina

 

Costumo trabalhar com fantoches com a minha aluna especial, a Carolina que vive enfeitiçada  pelos fantoches. É uma maravilha ver como esta menina interage com os fantoches e de como eles são importantes para a sua aprendizagem.

 

 

 

O fantoche como coadjuvante do processo educativo

O fantoche é um outro recurso, significativo, para contar  histórias”. Utilizado com muita frequência no ambiente escolar, é um excelente auxiliar na tarefa de contar histórias, facilitando para o educador, que encontra no boneco um meio físico, real de envolver as crianças, de forma mágica e lúdica.

Pois, o fantoche é mais que um simples boneco, é a "personificação" do personagem que se torna algo real e concreto, que expressa emoções e sentimento através dos gestos e da voz de quem o manipula.
O fantoche é um objeto de expressão, tem função social, é um ser de comunicação, promovendo relações com o mundo interno, externo e com o outro. Os fantoches são em si provedores de diálogo (Santos, 2006 p.75). A construção da história pessoal que vai sendo medida e ampliada pelo outro.

Para a criança que ouve é extremamente envolvente e mágico, já que este personagem parece realmente existir. Ela, então, entra no jogo da imaginação, rapidamente, acreditando que o fantoche tem vida própria, capaz de manter até um diálogo com o boneco por muito tempo, sem perceber ou dar importância para quem o manipula, ou seja, fica completamente absorvida pelo boneco, que em sua imaginação tem vida, é um ser.
Segundo Santos (2006,p.73) o fantoche é um objeto que transita entre o mundo interno e o externo da criança. Ele é um símbolo da intimidade de seu ser expresso em brincadeira. Assim, o fantoche tem alto valor pedagógico, criativo e terapêutico, pois, a criança tanto pode assistir a história, como pode manipula-lo e dar vida àquilo que toca. Lembre-se, cada momento é único, assim como cada história contada é única. Devemos emprestar ao fantoche nossas vozes e gestos, carregados de significados e afetos para chegarmos facilmente ao coração da criança, pois contar histórias é oferecer um presente.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Os floquinhos mágicos

 

Se todos distribuíssemos uns floquinhos… poderíamos mudar o mundo

 

Era uma vez uma pequena aldeia…onde o dinheiro não entrava.Tudo o que as pessoas compravam, tudo o que era cultivado e produzido por cada um, era trocado. A coisa mais importante, a coisa mais sublime, era o amor.

Quem nada produzia, quem não possuía coisas que pudessem ser trocadas por alimentos, ou utensílios, dava seu CARINHO.  O CARINHO era simbolizado por um floquinho de algodão.

Muitas vezes, era normal que as pessoas trocassem floquinhos sem querer nada em troca.As pessoas davam seu CARINHO pois sabiam que receberiam outros num outro momento, ou noutro dia.

Um dia, uma mulher muito má, que vivia fora da aldeia,convenceu um  menino a não dar mais os seus floquinhos. Desta forma, ele seria a pessoa mais rica da cidade e teria o que quisesse.  Iludido pelas palavras da malvada, o menino,que era uma das pessoas mais populares e queridas da aldeia, passou a juntar CARINHOS e em pouquíssimo tempo, a sua casa estava repleta de floquinhos, o que tornava difícil morar nela.

Quando a cidade já estava praticamente sem floquinhos, as pessoas começaram a guardar o pouco CARINHO que tinham, e toda a HARMONIA da cidade desapareceu.

Surgiram a GANÂNCIA, a DESCONFIANÇA, ROUBO,ÓDIO, a DISCÓRDIA, as pessoas  maltrataram-se pela primeira vez e passaram a  IGNORAR-SE pelas ruas.

Como este menino era muito querido na cidade, foi o primeiro a sentir-se TRISTE e SOZINHO.O que o fez procurar a velha . Não a encontrou mas,  tomou uma decisão muito séria. Pegou numa grande carroça, colocou todos os seus floquinhos em cima e caminhou por toda a cidade distribuindo aleatoriamente seu CARINHO. A todos que dava CARINHO, apenas dizia:

-Obrigado por receber meu carinho.

Assim, sem medo de acabar com seus floquinhos, ele distribuiu até o último CARINHO sem receber um só de volta. Sem que tivesse tempo de sentir-se sozinho e triste novamente.

Mas alguém caminhou até ele e lhe deu CARINHO.Um outro fez o mesmo...Mais outro... e outro... até que definitivamente a aldeia voltou ao normal.

Adaptação de uma história de autor desconhecido

Um Natal muito Feliz….

 

Para todos… um Natal cheiinho de amor, carinho, bolinhos doces, miminhos fofos  e muitas histórias de encantar…

Beijinhos de algodão doce

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A Senhora que era tão amarga… que até azedava o leite.

 

 

Era uma vez… uma senhora que era  tão amarga, que quando falava arrepiava os cabelos de quem a  ouvia,  e se houvesse leite por perto, até ele azedava.

Esta senhora amarga viva sozinha no seu grande e escuro casarão, não havia marido, nem cão, nem gato, nem periquito, nem peixe que  aguentassem tanta amargura.

As pessoas evitavam cruzar-se com ela, pois já sabiam que da sua  boca só se soltavam palavras de rancor e azedume.Ela, pelo contrário, adorava dar dois dedos de conversa,pois sentia-se crescer , crescer, até se tornar um gigante que espezinhava o anãozinho.

Esta senhora alimentava-se do mal que fazia aos outros… achava-se a Rainha do Mundo.

Um dia, um grupo de crianças entrou no seu jardim, queriam ver como era a senhora azeda…Assim, que a senhora amarga as viu, decidiu fazer das suas, e mandou-as entrar.

As crianças entraram com algum receio, mas a senhora amarga tinha um ar tão normal, que aceitaram o convite. Foi então, que a amargura que estava presa no seu coração azedo, começou a vir à tona, numa velocidade alucinante. As crianças começaram a ser bombardeadas com tanta amargura, que os  cabelos se arrepiaram, um frio gelado percorreu-lhes as costas, a língua encaracolou-se, os ouvidos colaram-se… era uma sensação tão assustadora que fugiram a sete pés.

Durante uns tempos, não se falava noutra coisa lá na vila…coitadas daquelas crianças!

A população reuniu-se e decidiu que tinha de ajudar a senhora amarga a tornar-se doce e calorosa.  Para isso, nada melhor que pedir a senhora doçuras para ter uma conversa com a senhora amarguras.

A população estava ansiosa, para ver os resultados da conversa, e por isso decidiram juntar-se no portão do casarão amargo. A senhora doçuras armou-se das mais doces atitudes, dos mais doces gestos, das mais doces palavras e entrou decidida pelo jardim.Bateu à porta e logo uma voz estridente disse:

- Entre, mas já sabe que não é  bem-vinda, nem vou fazer o mínimo de esforço para a ouvir.

A senhora doçuras, nem recuou, pois a amargura só surge em corações tristes e desamparados.

- Muito obrigado por me receber, será que podíamos conversar  um pouco, beber um chá e comer uns bolinhos doces?

Logo, a senhora amarga, voltou disparar a sua amargura.

- Se quiser beber leite azedo e comer bolos de vinagre, pode entrar, é só isso que eu  tenho para lhe dar!

A senhora doçuras sorriu e deu um abraço caloroso à senhora amarga, falou-lhe de como é bom ser doce, de como as pessoas sorriem e abrem o seu coração… de como os animais se aninham no colo, de como as crianças olham para nós com um brilhozinho nos olhos e com amor no coração … e blá blá blá.

A senhora amarga, nunca tinha visto o lado doce da vida, nunca ninguém lhe tinha ensinado.

Mas a partir daquele dia, percebeu que a amargura não servia para nada… a doçura sim!… pode ser tão contagiosa que pode mudar o mundo e aquecer os corações.

Vanda Furtado Marques

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Há muitos, muitos anos…

 

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NO PRINCÍPIO...

"No princípio os homens não falavam. Nenhum animal falava, exceto os pássaros. Havia um saco com palavras que estava à guarda da Andua. Foi então que apareceu um rapaz com um único braço, uma única perna e só metade da cabeça. O rapaz roubou o saco das palavras, abriu o saco e meteu as palavras na boca. Na manhã seguinte, quando despertou, era uma pessoa inteira, mas metade rapaz e metade rapariga. Além disso falava, e a sua língua era ágil e harmoniosa como a dos pássaros."

 (De um conto tradicional ovibundo em Seleção de contos, provérbios e adivinhas em umbundo, de Jeremias Capitango, citado por José Eduardo Agualusa, no livro Milagrário Pessoal.)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Uma história ternurenta…

 

O Bailado das Borboletas

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Abriram-se as portas minúsculas  das casinhas das árvores.

De cada casa, dez borboletas fofinhas, saíam das suas caminhas.

Sacudiam as suas asas, compunham os seus fatinhos coloridas e esticavam

os seus pés delicados.

Puseram-se em posição, ouviu-se o apito… 1,2,3… partida.

Os céus encheram-se de borboletas, que dez a dez , iam crescendo, até ficarem

mil, dois mil, três mil… criando nuvens coloridas que bailavam ao sabor da melodia do vento.

Estavam verdadeiramente felizes… podiam finalmente, sentir o sabor do vento,

o quentinho do sol e o cheiro das flores e a melodia do mundo.

Se olhássemos bem… via-se o pozinho de borboleta que se ia soltando.

Cada uma abria o seu saquinho e enchia  o mundo de magia.

Esta magia encheu os céus de um dourado tão intenso, que criou uma luminosidade irreal.

Um pintor que por ali passava imortalizou na sua tela “ O Bailado das Borboletas.

Vanda Furtado Marques

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ideias giras para o Natal

 

Que duendes mais fofos!

O sortudo do Pai natal é que tem o privilégio de ter estes duendinhos fofos a viver com ele.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Semeador de Estelas

 

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De que são feitas as estrelas?

Esta questão deixa sempre as crianças pensativas… de cartão, de luz, de pedra, de ouro, de gás, de poeiras?

Bem aqui fica uma história … que eu criei inspirada nesta questão.

Era uma vez… há tantos, tantos anos que não haviam estrelas no céu, a noite era escura como o breu… mas havia alguém que não se amedrontava com a escuridão e caminhava sobre a terra com uma sacola, largando umas pequenas estrelas sobre a terra.

Samuel, assim se chamava este homem, todas as noites, recolhia as estrelas que insistiam em cair do céu , guardava-as na sua sacola e lançava as à terra, tal como ele fazia com as sementes de trigo. Regava-as com muito carinho, e todos os dias olhava para a terra ansioso, para ver se as estrelas cresciam.

Samuel achava que as estrelas caíam do céu, porque eram muito pequeninas, precisavam do amparo da Mãe-Terra. Só, que dia para dia Samuel desiludiu-se, o trigo crescia viçoso, mas as estrelas não desabrochavam.

Um dia, Samuel  decidiu ir falar com uma grande feiticeira, para o ajudar. Caminhou uns dias por entre bosques e vales, até avistar a morada da feiticeira.

Quando, Samuel chegou frente a  cabana da grande feiticeira, era já noite, mas para sua grande admiração o céu estava estrelado, milhares de luzinhas preenchiam os céus.

Bateu à porta e ficou à espera …que qualquer coisa acontecesse. Do outro lado, uma voz, disse:

- Ennnntraaa, Samuel, a porta está aberta.

Uma mulher de longos cabelos louros, linda como o sol , falou delicadamente com Samuel:

- Já sei do teu excelente trabalho, do carinho com que apanhas as estrelas caídas e as cultivas na terra.

- Pois é minha feiticeira, mas apesar do meu carinho e persistência as estrelas não crescem, nem vão para os céus, e a noite continua escura como o breu.

- Sabes, Samuel, as estrelas são feitas da mesma matéria e da mesma essência que nós, humanos!

- Verdade! Ora essa… é que eu nunca tinha ouvido, então nós somos feitos de pó das estrelas?

- Sim, e agora pensa Samuel, o que nós precisamos para crescer? Para seguir o nosso caminho?

O Samuel ficou aflito com a pergunta, mas logo lhe vieram à memória imagens da sua infância, onde mãe o acarinhava ao seu colo e lhe dizia as palavras mais ternas do mundo.

- Já sei!.. Feiticeira, já sei, as estrelas precisam de carinho, afeto e de ouvir palavras de amor.

- Eu sabia, Samuel, por isso te escolhi a ti para seres o semeador de estrelas.

Samuel  despediu-se e percorreu o seu caminho apressadamente, estava ansioso, para chegar a casa. Na noite seguinte, apanhou as estrelas caídas, acarinhou-as entre as suas mãos calejadas pelo trabalho, contou-lhes histórias de encantar, beijou-as, disse-lhes palavras de amor, abraçou-as e esperou pelo milagre.

Nessa noite, e em todas as outras que se seguiram, nunca mais o breu da noite se viu, e Samuel ia fazendo a sua tarefa, até que as estrelas deixaram de cair do céu.

As estrelas sabiam agora, que os Homens as admiravam… e que nunca as iam deixar de amar.

Afinal, somo todos, parte do universo e feitos da mesma matéria.

Vanda Furtado Marques

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Artigo na Revista Educadores de Infância

 

Histórias da História e outras de encantar

As minhas aventuras no País do Chocolates

            

 

 

Desta vez, irei levar-vos até ao país dos Chocolates, sim, porque para mim a Suíça, é sinónimo de chocolates. Gulosa, como eu sou, quando me convidaram para ir promover a História de Portugal e divulgar os meus livros, logo aí me imaginei na história do Hansel e Gretel a comer a casinha de chocolate, com os dois protagonistas, nhammm, nhammm.

Quem é apaixonado pelo imaginário infantil, irá ficar encantado com a Suíça. Viajar por este país é como folhear um livro de contos de encantar. As aldeias, com as suas casinhas de madeira, cobertas de flores coloridas, os pastos verdes sem fim, onde as vacas com os seus sininhos tilintam uma música que nos faz embalar, as montanhas altas, altíssimas cobertas de neve… que nos arrepiam e fazem cortar a respiração… Perante este cenário de encantar, eu olhava em redor, esperando que numa qualquer esquina aparecessem as figuras das histórias infantis. Este país enche-nos a alma e faz-nos sonhar.

Nos meus passeios, apercebi-me também, do enorme respeito que existe pela Natureza. Encantei-me em ver que no país dos chocolates se constroem pontes e não muros. Foi uma sensação tão grandiosa, sentir que as árvores, as flores, os bosques, os relvados estão lado a lado com as habitações, sem se ferirem uns aos outros; há um enorme sintonia entre o Homem e a Mãe- Natureza.

As crianças têm muita sorte, não as levam a Centros Comercias, os passeios ao ar livre são privilegiados, vemos pais e filhos a passearem de trotinete, de bicicleta, a caminharem em bosques, a brincar na lama e nos parques. Acho que saboreiam mais aquilo que está em redor deles, não preenchem os seus vazios no consumismo.

Enquanto, contadora de histórias, tenho que vos contar que as personagens mais queridas dos Suíços, são a Heidi e o Guilherme Tell, ao redor das quais existe um grande investimento cultural.

No país dos Chocolates, a educação é verdadeiramente gratuita, as crianças não pagam os livros nem qualquer material escolar, mas são educadas para dar valor ao que lhes é dado. Apercebi-me, também, que lhes é incutida, desde muito cedo, uma grande autonomia, mas com uma grande dose de responsabilização.

Nestas minhas aventuras, descobri também, que os suíços se deitam com as galinhas, tal como eu, e se levantam bem cedinho; fazem da bicicleta, um dos seus meios de transporte mais comum e adoram andar descalços, até nas ruas … são de uma descontração impressionante.

Foi uma experiência muito enriquecedora e uma grande lição de vida: se os suíços sabem tão bem tirar partido da sua riqueza natural, também nós temos de valorizar e apregoar bem alto o que temos de melhor: a História, as Tradições, a Gastronomia, as Praias, o Mar … e um Sol que nos oferece uma luminosidade sem par.

Como dizia Fernando Pessoa, no seu heterónimo, Alberto Caeiro ”

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
   Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
   Porque eu sou do tamanho do que vejo
   E não, do tamanho da minha altura...

Um beijinho de algodão doce e até à próxima aventura…

domingo, 4 de dezembro de 2011

Rumo a Montemor-o Velho

Agora uma novidade o livro “ O Rei e a Estrela” já deu lugar a uma peça de teatro.

Vou  agora sentir pela primeira vez…qual é a sensação de ter um livro que foi adaptado para o teatro.

Animação para a leitura:

Peças de teatro

O Rei e a Estrela com base no livro da escritora Vanda Furtado Marques

Público-alvo: crianças do ensino pré-escolar e 1.º ciclo.

Em Pereira – 5 de dezembro às 9:30h, às 11:00h e às 14:00h

Em Seixo – 9 de dezembro às 13:30h e às 15:00h

Em Montemor – 13 de dezembro às 9:30h e às 10:45h

A Breve história da Química com base no livro da escritora Regina Gouveia

Público-alvo: alunos dos 2.º e 3.º ciclos.

Em Pereira – 6 de dezembro às 10:20h e às 12:00h.

Em Montemor – 12 de dezembro às 10:20h e às 12:00h

À conversa com autores Vanda Furtado Marques Público-alvo: crianças do ensino pré-escolar e 1.º ciclo.Em Pereira – 6 de dezembro às 10:30h.

Em Seixo – 9 de dezembro às 14:30h.

Em Montemor – 13 de dezembro às 10.15h e às 11.15h

Regina Gouveia

Público-alvo: alunos dos 2.º e 3.º ciclos.

Em Pereira – 6 de dezembro às 11:30h e às 13:00h.

Em Montemor – 12 de dezembro às 11:30h e às 13:00h.

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