domingo, 30 de janeiro de 2011

Doutorada no Amor

Num mundo, onde os títulos assumem um papel de suma importância, desvalorize esta tendência.

BDC9C

“Certo dia, uma mulher foi renovar a sua carta de condução.
Quando lhe perguntaram qual era a sua profissão, ela hesitou. Não sabia bem como se classificar.
O funcionário insistiu: "o que eu pergunto é se tem um trabalho."
"Claro que tenho um trabalho", exclamou a mulher. "Sou mãe."
"Nós não consideramos isso um trabalho. Vou colocar dona de casa", disse o funcionário friamente.
Uma amiga sua, chamada Marta soube do ocorrido e ficou pensando a respeito por algum tempo.
Num determinado dia, ela se encontrou numa situação idêntica. A pessoa que a atendeu era uma funcionária de carreira, segura, eficiente.
O formulário parecia enorme, interminável.
A primeira pergunta foi: "qual é a sua ocupação?"
Marta pensou um pouco e sem saber bem como, respondeu:
"Sou doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas."
A funcionária fez uma pausa e Marta precisou repetir pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.
Depois de ter anotado tudo, a jovem ousou indagar;
"Posso perguntar, o que é que a senhora faz exatamente?"
Sem qualquer traço de agitação na voz, com muita calma, Marta explicou: "Desenvolvo um programa à longo prazo, indoor e outdoor."
Pensando na sua família, ela continuou: "sou responsável por uma equipe e já recebi quatro projetos. Trabalho em regime de dedicação exclusiva. O grau de exigência é de 14 horas por dia, às vezes até 24 horas."
À medida que ia descrevendo suas responsabilidades, Marta notou o crescente tom de respeito na voz da funcionária, que preencheu todo o formulário com os dados fornecidos.
Quando voltou para casa (indoor), Marta foi recebida por sua equipe: uma menina com 13 anos, outra com 7 e outra com 3.
Subindo ao andar de cima da casa, ela pôde ouvir o seu mais novo projeto, um bebê de seis meses, testando uma nova tonalidade de voz.
Feliz, Marta tomou o bebê nos braços e pensou na glória da maternidade, com suas multiplicadas responsabilidades. E horas intermináveis de dedicação...
"Mãe, onde está meu sapato? Mãe, me ajuda a fazer a lição? Mãe, o bebê não pára de chorar. Mãe, você me busca na escola? Mãe, você vai assistir a minha dança? Mãe, você compra? Mãe..."
Sentada na cama, Marta pensou: "se ela era doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas, o que seriam as avós?"
E logo descobriu um título para elas: doutoras-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas.
As bisavós, doutoras executivas sênior.
As tias, doutoras-assistentes.
E todas as mulheres, mães, esposas, amigas e companheiras: doutoras na arte de fazer a vida melhor.
Num mundo em que se dá tanta importância aos títulos, em que se exige sempre maior especialização, na área profissional, torne-se especialista na arte de amar.

Autor: Desconhecido

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

As minhas histórias

A fadinha que tinha sapatinhos de manteiga

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Era uma vez…

Uma fada linda e delicada como porcelana da China

As roupas que vestia eram cosidas com fios de oiro e prata, vindos do interior de África.

Os seus cabelos eram penteados com pentes de marfim, vindos da Índia.

E os sapatinhos vermelhos, eram feitos de manteiga da Holanda.

Esta fada era  tão delicada que quando o vento soprava forte..VUUU…VUUU…VUUU

dava cambalhotas e pinos sem parar.

Quando a fadinha decidia brincar na rua, todos ficavam inquietos.

-Ai! se o vento forte a leva…

-Ui!  se os seus pés delicados pisam o chão…

Ih! se o seu vestido se amarrota…

Era divertido a valer, ver como todo o reino das fadas mimava a fadinha delicada.

As papoilas esticavam-se para que os sapatinhos de manteiga não tocassem o chão.

O sol aproveitava para pôr a conversa em dia com o vento, não fosse ele lembrar-se de soprar.

As borboletas com as suas mãozinhas de pó de perlimpimpim iam ajeitando o vestido, não fosse ele ficar amarrotado.

Esta azáfama só parava quando a fadinha , já de noite, bem escurinho, regressava a casa.

Nessa altura todos suspiravam…ufa, ufa , agora  podemos descansar.

Mas esperem … que o lufa-lufa ainda não acabou.

A fadinha  estava no quarto, a vestir a camisa de dormir, quando pelo canto do olho

viu a lua tão grande e gorda , que não resistiu…

Abriu a janela e assobiou para a lua… uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Que confusão se criou naquela noite!!.

Afinal, como é que um ser tão delicado como a porcelana, pode ter um assobio tão forte e alto que até arrepiou os cabelos  lua?

escrito e criado por Vanda Furtado Marques

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As minhas histórias...

É urgente sonhar…

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Era uma vez… um país onde crianças, mães, pais e até os avós tinham deixado de sonhar.

Quando os pais davam as boas noites aos filhos, já não diziam - “Sonhos Cor-de-Rosa”, nem contavam histórias de encantar.
Os adultos sempre apressados no seu dia-a-dia, pareciam máquinas de trabalhar.
Os corações  tinham enferrujado e nenhuma emoção, os fazia vibrar. As pessoas já não se abraçavam, nem se ajudavam, pois isso fragilizava-as e trazia-lhes as emoções à flor da pele. Os filhos tinham deixado de contar os seus sonhos aos pais, e os pais já não partilhavam as memórias com os filhos.

Neste país, os adultos pensavam que as crianças eram felizes tendo muitos brinquedos e roupas bonitas. Acho, mesmo que os afectos e os carinhos, tinham ido junto com os sonhos, sabe-se lá para onde?

Um dia um menino, tocou o sino, e chamou todos à praça principal:
- “Fiz uma grande descoberta e quero-vos contar”.

A população, sem paciência para brincadeiras, voltou costas e ignorou as palavras do menino.  Mas a criança, voltou a falar…
- “Esperem eu sei onde estão os sonhos e os carinhos!”

Os adultos que já estavam mecanizados, continuaram a andar, mas as crianças… as crianças… perceberam que era importante escutar.

O menino falou, contou-lhes que os adultos foram fechando à chave as gavetinhas dos sonhos, e que agora tinham de ser elas, as crianças a ensinar, como abri-las de novo.

Nessa noite, foi a vez das crianças contarem histórias aos adultos, mundos coloridos, castelos de encantar, florestas mágicas e sorrisos de princesas inundaram os lares deste país longínquo.

Foi uma noite mágica, os adultos deixaram-se embalar pelas histórias de encantar e os sonhos foram voltando para o seu lugar.

Nessa noite todos sonharam… Sonhos Cor-de-Rosa.

As minhas histórias...

O Vale Encantado

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Estava a amanhecer...no Vale Encantado, a  azáfama era grande, os coelhos limpavam as tocas, os passaritos lavavam as caras no orvalho matinal, as raposas ajeitavam as suas caudas farfalhudas e os esquilos armazenavam as nozes nos buraquinhos das árvores.

Lá em cima, nas nuvens , aterrava uma cegonha muito, muito cansada.

- Ufa! Finalmente encontrei a morada certa para deixar a encomenda.

- Ora deixa-me ler bem! Vale Encantado – Rua das Cenouras, nº 6.

A cegonha abriu as suas longas asas e desceu a grande velocidade para o vale. Olhou com atenção e procurou a morada que vinha na encomenda.

Não havia nome nas ruas, mas também não foi preciso, porque assim,que avistou um grande cenoural , a cegonha riu de satisfação.

Pousou lentamente, baixando as asas, procurou a casa com o número seis e ia pensando “mais uma missão cumprida”.

Bateu à porta…TOC , TOC, TOC, pousou o cesto e voou para o céu.

Dentro da casa ouviram-se uns guinchinhos histéricos:

- Maee! chegou o novo mano, nós vimos a cegonha pela janela.

A mãe coelhinha abriu a porta e recolheu o cesto, como sempre fazia.

Levantou o cobertor, espreitou , arregalou os olhos de espanto e disse para os filhos:

- Desta vez a senhora cegonha trouxe um mano bem diferente!

-   Diferente,como? – perguntaram os coelhinhos.

Venham ver e olhem com os vossos próprios olhos.

No entretanto, por debaixo do cobertor já se via uma patinha.

- Mãe , este bebé não tem patinha de coelho!

Depois começaram a ver-se umas orelhitas.

-Mãe,o bebé não tem orelhitas de coelho!

E depois o narizito.

-Mãe,o bebé não tem narizito de coelho.

Até que uma cara e um corpo muito fofinhos saíram do cestinho.

- Mãe!.. que giro que ele é! Mas é um bocadinho diferente de nós?

- Vamos mostrar ao papá, ele vai adorar.

Caminharam até à cozinha, onde o pai preparava uma cheirosa sopa de cenoura.

- Paiiiiiiiii, anda ver o novo mano, olha bem como ele é giro !

O pai, olhou, voltou a olhar, arregalou os olhos e disse:

- Este nosso filho é mesmo diferente, mas é tão giro!..

Nessa noite, a família coelhinha foi cumprir o ritual lá do vale, apresentar o bebé ,à Rainha coruja.

A Rainha coruja já os esperava, no seu tronco real.

- Mostrem-me lá o vosso novo bebé, para eu o abençoar.

A mãe coelhinha levantou o cobertor e a Rainha Coruja  olhou, voltou a olhar e arregalou os olhos.

- Que bebé giro, mas ele não é um coelhinho!

- Nós sabemos, mas ele é nosso filho na mesma, e é tão giro!..

- Só há um pequenito problema é que este bebé vai ficar grande, enorme!- disse a Coruja

- Enorme! Como?

A coruja, cheia de sabedoria disse:

-Vai ficar do tamanho de seis raposas.

-Como! Mas quem é este bebé?

A coruja ajeitou os óculos e disse:

- Este bebé chama-se Leão. Ele é tão grandioso, que é  chamado, o  Rei da Selva.

Os coelhinhos olharam uns para os outros aflitos e perguntaram à coruja:

Com iremos tomar conta dele? E como o iremos alimentar? Onde o iremos deitar?

- Calma, vocês vão tratar dele como se fosse um coelhinho, vão lhe dar cenouras e ervinhas e por enquanto deitem-no berço dos coelhos.Daqui a um mês voltaremos a conversar para ver como está tudo a correr.

Um mês depois … o Leãozinho estava enorme, a família coelhinha já não conseguia passar despercebida na rua e todos os animais do vale, queriam saber quem era aquele animal estranho.

A Rainha Coruja, teve de fazer uma reunião com todos os animais e explicar-lhes quem era este novo animal.

- Animais do bosque, este filhote, chama-se Leão e habitualmente mora na selva, mas a senhora cegonha trocou a encomenda, agora ele viverá entre nós!

- Mas ele é perigoso?

Os animais começaram a agitar-se:

- E se ele nos fizer mal e assustar os nossos filhos!

- Nós não queremos cá este estranho…

-Vamos expulsá-lo,  não merece estar aqui!

A Rainha percebeu que tinha que fazer alguma coisa e falou:

-Para a segurança de todos o Leão irá ficar na prisão do vale,daqui a uma semana voltaremos a reunir para nova decisão.

A família coelhinha chorava, o Leão tinha o coração despedaçado e pequenino, mas os animais do vale achavam que tinham tomada a decisão mais justa para a sua segurança.

Até ao dia … em que uma alcateia de lobos uivava Auu… Auuu,  correndo pelo vale assustando tudo e todos.

Os animais  aflitos , corriam em todas as direcções, fugindo da fúria dos lobos.

O Leão assistia a todo este desespero, por detrás das grades de madeira da prisão.

-Isto não podia continuar “pensou o Leão”, por isso abriu a sua enorme boca e soltou um rugido, tão forte e tão assustador  que os lobos se encolheram de susto.

Depois soltou mais um rugido, e outro Grauuu… Grauuuuuuuuuuuuu…Grauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

De lobos nunca mais se ouviu falar no vale encantado… pois, porque um vale de um bosque, que tem como Rei, um leão, não deve haver  no mundo inteiro.

Podem achar que esta história não é verdadeira, mas se forem falar com os leões da selva, não há um único que não conheça  esta história, ela faz parte do Maravilhoso Livro das Histórias dos Leões.

escrito e criado por

Vanda Furtado Marques

As minhas histórias...

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ilustração de Rebecca  Dautremer

Todos os dias Maria, vestia o seu mais belo fato vermelho, pintava

os lábios de carmim, colocava cuidadosamente a coroa na cabeça, corria

para a janela, encostava a sua face aos cortinados e esperava…  ás  vezes

por ali ficava toda a manhã, outras vezes, só abandonava a janela, quando

já estava escuro.

Os habitantes daquela terra interrogavam-se?

- O que seria que a princesa tanto esperava?

Haviam pessoas, que diziam que ela esperava amado que tinha  ido para a guerra, outras,  que ela esperava o príncipe encantado que ainda estava para vir!

Esta  dúvida estava a deixar o povo inquieto, e até já se faziam apostas pelas ruas.

Os mais corajosos,   batiam  na   porta do Castelo e perguntavam:

-O que a princesa Maria, tanto espera à janela?

Mas os guardas, os criados, as criadas, os jardineiros, as aias também não podiam ajudar, pois eles também não sabiam responder a este mistério.

A determinada altura, o mistério já era tão grande, que não se falava de outra coisa no Reino da Fantasia.

O rei e rainha para acalmar os ânimos, propuseram:

- Quem nos ajudar a descobrir o segredo da princesa Maria, receberá a sua mão em casamento.

Os  rapazes  lá do reino ficaram entusiasmados, mas como poderiam solucionar este mistério… se  a princesa era muda!

Os  pretendentes perguntaram pelo reino, depois pelas terras vizinhas e até pelo mundo inteiro…

Mas nada.

Até que um dia, um contador de histórias,   trazia nos seus sacos e algibeiras  milhentas histórias de fazer sonhar.

Sentou-se na praça em frente ao palácio, e da sua boca surgiram a mais bela palavras  que se poderiam imaginar.

Maria, abriu a janela e inspirou profundamente aquelas palavras, que se  iam  espalhando como uma sinfonia, pela praça.

As palavras iam entrando dentro de Maria e um enorme sorriso ia-se rasgando nas suas faces.

Até que lá do alto da sua janela, Maria falou:

-  Era o contador de histórias que eu estava a esperar, só ele com a sua magia das palavras …   me poderia fazer falar.

Como seria de esperar, Maria e o  contador de histórias casaram-se  e tiveram muitos, muitos filhos que perpetuaram a magia da palavra e foram grandes contadores de histórias.

Por isso quando ouvirem um contador de histórias,    lembrem-se que ele descende da família real do Reino da Fantasia.

Escrito e criado por Vanda Furtado Marques

As minhas histórias...

As meninas que distribuíam corações

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Há muitos, muitos anos quando nós ouvíamos e respeitávamos os conselhos da mãe-terra, tudo era tão mágico.

O sol, todos os dias acordava com um sorriso de orelha a orelha, mesmo naqueles dias, em que era a irmã chuva que tinha o privilégio de subir ao céu.

Cada um sabia esperar pela sua vez, até faziam filinha, como na Escola.

Imaginem só, que até havia o dia da chuva de corações.

Ah!.. esse dia era aguardado com grande ansiedade e emoção.

Nesse dia, as meninas do mundo mágico, levavam cestinhas com lacinhos rosa, e corriam pela rua fora, dando pequenos guinchinhos histéricos

Quando os corações amarelos, vermelhos e cor-de-rosa tocavam no chão, já havia um grupo de meninas a aninhá-los nos seus cestinhos.

Em casa, todos esperavam ansiosamente, pelo toque da campainha… Talim Talão.

Miraculosamente, a luz da lua iluminava as casas, daqueles precisava de amor, gratidão, conforto e paz .

Depois, depois uma menina de sorriso angelical tocava a campainha, abria o seu cestinho, colocava um coração entre as suas mãos delicadas e com um sopro de magia, todo o conforto do universo percorria o nosso corpo.

Aconteciam verdadeiros milagres… aquelas pessoas que estavam sempre zangadas, rasgavam sorrisos, aquelas que viviam tristes e sozinhas, descobriam  que afinal podiam ser felizes e até aquelas que acham que tudo se resolve com a guerra,   baixavam as armas e agitavam bandeiras de paz.

Pois, mas tudo isto acontecia, quando nós sabíamos ouvir a sabedoria da mãe- terra.

Escrito e criado por Vanda Furtado Marques

sábado, 15 de janeiro de 2011

histórias e mais histórias…

 

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“As crianças precisam de receber nas histórias que leem, um certo sentido
de sua própria vida interior, e os traços arquetípicos que a conectam
com o passado inexplorado; um sentido da semelhança de padrões entre o
grande e o pequeno, o velho e o novo; elas precisam receber alguma
coisa que se estenda além da realidade quotidiana.

As histórias não devem ser apenas recursos de fantasia para preencher
horas de tédio. Desde o início da humanidade, as histórias têm sido
usadas - por sacerdotes, menestréis, curandeiras - como mágicos
recursos capazes de ajudar as pessoas a lidar com problemas insolúveis
e realidades insuportáveis."

Joan Aiken
The Way to Write for Children
An Introduction to the Craft of Writing Children´s Literature
St. Martin's Press

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os diversos géneros da literatura infantil

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Comecemos com a fábula: podemos dizer que é uma narrativa de natureza simbólica de uma situação vivida por animais, que alude a uma situação humana e tem por objectivo transmitir certa moralidade. Seus personagens são sempre símbolos, representam algo num contexto universal, como o leão símbolo de força ou a raposa símbolo de astúcia.

Afirma La Fontaine “Sirvo-me de animais para instruir os homens... Procuro tornar o vício ridículo por não poder atacá-lo com o braço de Hércules... Uma moral nua provoca tédio: O conto faz passar o preceito com ele, nessa espécie de fingimento é preciso instruir e agradar.”

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A lenda é uma narrativa cujo argumento é tirado da tradição. Consiste num relato onde o maravilhoso e o imaginário superam o histórico.

 

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Os contos de fadas, de origem celta, falam-nos de heróis cujas aventuras estavam ligadas aos mistérios do além e visavam à realização do interior humano, daí a presença da fada, cujo nome vem do verbo latino “fatum” que significa destino. A fada exerce um fascínio especial entre as crianças, pois encarna a possibilidade de realização de sonhos ou desejos.

 

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Os contos exemplares são narrativas breves muito frequentes na literatura infantil. Registam situações retiradas do quotidiano e encerram uma moralidade, que se institui como exemplo de conduta. Trocam o fantástico pelo realismo.

 

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Outra forma bastante explorada na literatura infantil são os chamados contos acumulativos. Pequenas histórias encadeadas, muito populares e divertidas, que podem apresentar um desafio à articulação da fala.As crianças geralmente os encaram como um jogo.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O que podemos aprender com as histórias infantis

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O Rei vai nu

Este conto fala-nos de um rei que era muito vaidoso. Certo dia, dois trapaceiros resolveram aproveitar-se desta sua peculiaridade, enganando-o. Disseram-lhe, então, que haviam encontrado um tecido muito belo, que apenas os mais inteligentes eram capazes de ver. Conseguiram que o rei logo quisesse comprar um fato de tal raridade, a fim de mais bonito parecer e para poder testar a qualidade intelectual da sua corte.
Algum tempo depois, o monarca decidiu sair com a sua “vestimenta” e mostrar-se ao povo. Toda a gente olhava admirada para o rei, pois ninguém queria mostrar-se parvo. A dada altura, uma criança, na sua inocência, gritou: -“Olha, olha! O rei vai nu!”
A afirmação desencadeou prontamente uma gargalhada geral e só aí o rei compreendeu que tinha sido enganado. Envergonhado com toda a situação, e arrependido da sua vaidade, rapidamente se escondeu no palácio
.
A história d’ “O rei vai nu” adverte-nos do perigo de, ao sermos demasiado vaidosos, ficarmos mais frágeis, menos lúcidos e capazes de usar a razão, enfim, mais susceptíveis de sermos enganados e cairmos no ridículo. A vaidade excessiva tolda a mente.
Por outro lado, fala-nos do medo de nos afirmarmos perante os outros, de expressarmos o que pode ser rejeitado ou contribuir para que não nos aceitem, ainda que seja  óbvio. Todos viam que o rei estava nu, mas só uma criança, que não teme ainda a rejeição social, porque dela não tem consciência, foi capaz de o denunciar publicamente.
A inocência infantil poderá, porém, ser substituída pela coragem de alguém que ouse ir «contra a maré». Se algum adulto, de entre os muitos que assistiam ao desfile, tivesse dito bem alto a verdade, poderia ter igualmente desencadeado a reacção colectiva. Por isso, esta história constitui igualmente um estímulo à intervenção corajosa, ousada.

Era uma vez... num reino muito distante.

Os contos de Fadas são uma gigantesca herança cultural que vai passando de geração em geração.


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Na Idade Média não existia a infância, não se escrevia para as crianças, não havia livros para elas. Foi apenas durante a Idade Moderna, devido às mudanças na estrutura da sociedade e a ascensão da família burguesa, que surge o sentimento de infância, com isso varias mudanças se fazem necessárias sendo que as duas mais importantes são a reorganização da escola e a criação de um género literário especifico para as crianças, é em meio a todas estas transformações que nasce a literatura infantil.

Os primeiros livros infantis foram escritos no final do século XVII e durante todo o século XVIII. Foi também nesta época que surge na Europa um dos segmentos mais importantes e significativos da literatura infantil: Os contos de Fadas, foram os franceses que criaram o termo conte de fée que logo torna-se o fairy tale inglês.

Os contos de Fadas fazem parte da herança cultural de diversas nações e vem se perpetuando por gerações. Bruno Bettelheim, 1980, pág. 352 diz O conto de fadas faz com que a fantasia se torne verdade., sendo assim abrem as portas para o mundo imaginário que nos mostra a realidade dos conflitos, valores, questões universais da condição humana, os contos de fadas são fontes de extrema riqueza e por isso são estudados em diversas áreas como a psicanálise, a pedagogia, a antropologia, a psicologia, a sociologia, etc.

A literatura infantil e principalmente os contos de Fadas podem ser usados na saúde da criança, seja para ajudá-la com problemas psicológicos ou na educação, seja para apenas ensina-la a reconhecer o mundo em que esta inserida e com o qual divide seus ganhos e suas perda, seus valores morais e éticos ou simplesmente ensina-las o prazer de ler.
Fanny Abramovich diz em seu livro Literatura infantil, Gostosuras e bobices, 1994, pág. 98 que:

(…) Querer saber de todo o processo que acontece, do nascimento até a morte, faz parte da curiosidade natural da criança, pois se trata da vida em geral e da sua própria em particular…saber sobre seu corpo, sua sexualidade, seus problemas de crescimento, sua relação(fácil ou dificultosa) com os ouros faz parte do se perguntar sobre si mesma e do precisar encontrar respostas(…)querer saber mais sobre aflições, tristezas, dificuldades, conflitos, duvidas, sofrências, descobertas que outros enfrentam, para poder compreender melhor as suas próprias, faz parte das interrogações de qualquer ser humano em crescimento(…)

A aprendizagem da criança começa quando ela nasce e segue por toda sua vida, mas é nos primeiros anos que a personalidade e o carácter delas começam a serem moldados, é a partir dos 4 anos que elas começam a procurar entender o que esta acontecendo com elas e com o mundo a sua volta.
Bruno Bettelheim diz em seu livro A psicanálise dos contos de fadas, 1980, pág. 33 que:

"O conto de fadas é terapêutico porque o paciente encontra sua própria solução através da contemplação do que a estória parece implicar acerca de seus conflitos internos neste momento da vida. O conteúdo do conto escolhido usualmente não tem nada que ver com a vida exterior do paciente, mas muito a ver com seus problemas interiores, que parecem incompreensíveis (…)

O conto enquanto diverte a criança, esclarecem-na sobre si mesma e favorecem o desenvolvimento da sua personalidade. Por isso, um conto trabalha o aspecto afectivo, psicológico e cognitivo. Desta forma, seria interessante os contos estarem presentes na vida da criança desde a educação infantil, auxiliando-a na elaboração dos seus conflitos, auxiliando-os a estruturar uma resposta positiva, um final feliz a seus problemas, pois os contos de fadas, ao se iniciarem com seu clássico Era uma vez um reino distante… são tão atemporais. O reino do qual o conto fala pode ser qualquer um, em qualquer lugar e seus personagens têm determinadas características que despertam assim a identificação imediata da criança com o conto.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Livros… que delícia

Veja como pode brincar com os livros…

 

aopedoleitoderradeiro - leitura infantil

O JOGO DAS VOZES

Qualquer conto por pequeno que seja, pode transformar-se num jogo de vozes e ruídos. As mudanças de tons, encantam aos pequenos: as vozes agudas, as graves, as que imitam as crianças, a uma bruxa, os sons da água, do vento, dos animais... Assim aprendem a identificar aos distintos personagens: os bons, os maus, os mais jovens ou os mais velhinhos. O certo é que qualquer elemento criativo captará sua atenção!
Nota: Para crianças de 0 a 8 anos.

DESENHE A ESTÓRIA

Só são necessários lápis de cores, cartolinas e um narrador. O jogo consiste em que as crianças representem as distintas sequências do conto: o começo, meio e o fim. Podem fazer quantos desenhos quiserem. O importante é deixar sua criatividade livre. Além disso, observando seus desenhos pode-se aprender centenas de coisas: o que mais as chamam a atenção será o maior, e o que menos gostam o omitirão ou serão muito pequenos...Os encantarão ter suas próprias ilustrações dos contos!
Nota: Para crianças de 3 a 8 anos. A partir dos 6 anos também se pode propor que escrevam pequenos textos no rodapé dos desenhos, assim fabricarão seus próprios contos.

FAZENDO TEATRO

É hora de tirar do baú: um guarda-chuva, umas luvas, colares de plástico, cintos ou um colete. Qualquer roupa antiga será o perfeito disfarce. Também ajudará um set de maquilhagem infantil para caracterizar uns bigodes, uma cicatriz ou para "envelhecer" o semblante. Representarão o seu conto favorito!

Nota: Para crianças de 5 a 8 anos. A partir dos 7 anos também pode-se propor que escrevam um pequeno roteiro para adaptar a história do livro.

O SUPER DETETIVE

Se o que se quer é desenvolver sua atenção, só tem que sugerir a eles que sejam um "super detetive". O jogo consiste em buscar pistas secretas: podem ser cores, palavras que comecem por A, ou B, palavras no plural, no masculino, no feminino, palavras que escrevam com H. Pode estabelecer um limite de tempo ou de palavras e no final pensar em uma grande recompensa...Que tal sua sobremesa favorita? É fantástico para a ortografia, o vocabulário e a linguagem!

Nota: Para crianças de 7 a 12 anos. Cada detetive tem que ter seu próprio livro de detetive e uma caneta para poder anotar todas as pistas. Se muitas crianças participam, cada um pode utilizar uma caneta de cor diferente.

INVENTANDO OUTRO FINAL

Com certeza deve haver algum livro com um final pouco divertido, assim que a solução é combinar com toda a família um final perfeito. Cada um apresenta sua ideia e entre toda a família se decide que "pedaço da história" é o melhor. É uma forma de conversar sobre um livro: os personagens, o contexto, as diferentes situações, etc. O jogo pode se complicar em função da idade dos participantes.

Nota: Para crianças de 5 anos em diante. Este jogo não tem idade e com certeza existem centenas de finais para serem modificados.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Violeta, a menina que regava o mundo com ideias

 

 

 

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Era uma vez... uma menina chamada Violeta que morava num reino muito, muito estranho.

Os habitantes deste mundo rodeavam as suas casas com muros gigantescos de pedra e fechavam -se às sete chaves.

Quando saíam à rua levavam sempre uma máscara dourada na cara, ordem do Rei Leopoldo  III.

As pessoas não podiam tocar nas as árvores nem nas plantas...nem dar beijos, braços e rir às gargalhadas , por decreto real, realíssimo  de sua alteza .

Mas, o mais estranho era que a palavra porquê tinha sido banida do dicionário...

Violeta achava que tudo isto era uma parvoíce, mas parecia que mingúem dava por ela !

Até, os seus pais pareciam enfeitiçados pela parvoíce.

- Violeta, não te esqueças de pôr a máscara e de não tocar em nada que vejas no teu caminho e não fales com mingúem que se cruze contigo.

  Tudo isto era  normal e natural,  neste reino distante, dizia-se que sempre assim fora e que sempre assim será...

Mas Violeta, não conseguia resignar-se . Um dia, correu para o bosque proibido, tirou a máscara, tocou nas árvores, sentiu o cheiro das plantas, a brisa do vento e deitou-se na relva. Enquanto ali esteve deitada, pensou " como era bom sentir-se livre e apanhar o sol  quentinho na cara" .

De repente, ouviu um barulho de carruagens e escondeu-se mais, entre os arbustos.

Para seu espanto, viu o Rei, a Rainha, os príncipes , as princesas, as aias e amigos, sem máscaras, a rir e a correr pelo bosque  proibido.

Violeta pensou" eu bem que sabia que todas estas regras eram uma fantochada". Saiu de trás dos arbustos e dirigiu-se para o Rei.

- Sua Alteza Real vai ter de me explicar o que está aqui a acontecer?

O Rei ficou vermelho, os olhos quase saíam das orbitas e a boca abriu-se de espanto.

-Quem és tu ? Que ousas desrespeitar as leis?

- Eu sou a Violeta...

O Rei cada vez mais furioso disse:

- Onde está a tua máscara e o que  fazes aqui no meio deste perigo proibido!

- Ora, ora, o mesmo que sua Alteza aproveito o quentinho do sol, respiro o ar da Natureza e o perfume delicioso das plantas.

O Rei apercebeu-se que já não iria conseguir calar a Violeta e pediu-lhe para esperar, enquanto ele fazia uma reunião de emergência com os ministros.

Enquanto aguardava , Violeta pensava qual seria melhor maneira de acabar com estas crenças ridículas e acordar "as pessoas do seu sono profundo ".

O Rei com ar muito importante disse:

- Violeta, eu te nomeio pensadora do Reino , a partir de hoje és a responsável por ajudar agitar as mentes das pessoas.

No dia seguinte, Violeta mandou os mensageiros perguntar por todo o Reino:

-Porque razão colocam as máscaras douradas todos os dias ?

As pessoas olharam umas para as outras, voltaram olhar, encolheram os ombros  e disseram em coro:

-Porque o Rei mandou!

Os mensageiros, que já tinham sido avisados que seria esta a resposta, voltam a perguntar:

-Mas, porquê?

O povo aflito disse:

- Mas essa palavra não existe, é proibida por lei!

-Mas, porquê?

Foi então, que algumas pessoas se questionaram pela primeira vez:

-Sim...porquê!!!

Arrancaram as máscaras e  riram às gargalhadas ... devo-vos dizer que aquele país distante  nunca mais foi o mesmo...tudo graças a Violeta, a menina que regava o mundo com ideias.

 

 

escrito por Vanda Furtado Marques

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